Critica | ‘Dora e a Cidade Perdida’ tem ótimo timing cômico, sem perder a identidade da animação

O anúncio do live action do adorado desenho “Dora, a Aventureira” foi cercado de estranhamento por parte do público. As primeiras fotos de divulgação não agradaram e ficava a constante dúvida do porquê fazer um filme com a Dora já adulta. Finalmente chega aos cinemas Dora e a Cidade Perdida, para esclarecer de uma vez por todas se uma versão da Dora mais velha funciona nas telonas.

O filme conta a história de uma Dora dez anos mais velha, já adolescente e tendo que lidar com novas responsabilidades, morar na cidade e frequentar a escola. Porém, com a notícia de que seus pais desapareceram, Dora e seus amigos terão que embarcar em uma aventura em busca de uma cidade há muito tempo perdida.

A aventura, no maior estilo Indiana Jones, que conta com a direção de James Bobin (Os Muppets e Alice Através do Espelho) e grande elenco, que inclui Isabela Merced (antigamente conhecida como Isabela Moner, de De Repente Uma Família e Transformers: O Último Cavaleiro) no papel de Dora, Eva Longoria e Michael Peña como seus pais, Jeff Wahlberg como seu primo Diego e Benicio del Toro como a voz do Raposo, famoso antagonista de Dora, tem como destaque o excelente timing cômico, que consegue acertar mesmo em piadas simples e até infantis.

Porém, a excelente comédia do longa não fica só nas piadas mais simples, existem diversos momentos em que o próprio filme acaba fazendo piada com ele mesmo e com o desenho clássico, fazendo com que ele seja levado menos a sério, o que é ótimo quando se trata de um filme infantil. Inclusive possibilitando uma das melhores piadas do filme, utilizando o próprio desenho.

Dora e a Cidade Perdida (2019) – Paramount Pictures

No entanto, enquanto Dora e a Cidade Perdida acerta no tom cômico, não se percebe um mesmo cuidado com o roteiro, que muitas vezes se apoia em antigos clichês e em seus novos personagens; enquanto os que vieram diretamente do desenho recebem ótimas adaptações, como Dora e Diego, outros criados exclusivamente para o longa ficam superficiais em contraste com as adaptações, como Randy, que é o típico nerd atrapalhado e anti-social, e Sammy, a líder da classe que é extremamente arrogante e competitiva.

Outro aspecto que acaba evidenciando não só uma falha no roteiro, mas também na direção de Bobin, é de como o filme, mesmo com apenas 1 hora e 40 minutos de duração, ainda passa a sensação de ser longo demais, com cenas que poderiam ser facilmente retiradas e que não fariam qualquer diferença no resultado final.

No fim, apesar de algumas falhas, Dora e a Cidade Perdida é uma ótima adaptação do clássico desenho, que mesmo acrescentando um tom mais cômico, não perde a identidade única da obra a qual foi baseada.

Dora e a Cidade Perdida (2019) – Paramount Pictures
DORA E A CIDADE PERDIDA | DORA AND THE LOST CITY OF GOLD
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RESUMO:

Apesar de algumas falhas no roteiro e de novos personagens clichês, Dora e a Cidade Perdida consegue dar um novo tom cômico para as aventuras de Dora, sem perder sua identidade única.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.