Crítica | ‘O Rei’ conta uma interessante história de amadurecimento

Curiosamente, um ano após o lançamento de O Legítimo Rei, com Chris Pine, a Netflix lançou recentemente um épico medieval extremamente parecido com seu antecessor.

Dirigido por David Michôd, O Rei conta a história de Hal (Timothée Chalamet), o príncipe herdeiro ao trono que graças à uma relação conturbada com o pai, resolve se entregar à uma vida boemia. Dessa forma, seu pai, acometido por uma doença mortal, o abdica do trono, substituindo-o por seu irmão mais novo, porém, quando este acaba morrendo por causa de sua arrogância e ânsia pela guerra, Hal é obrigado a assumir o cargo de rei Henrique V.

Com suas novas responsabilidades, Hal, que sempre batia de frente com seu pai, percebe que a vida de um soberano não é nada fácil. Os meandros da guerra contra os franceses e as intrigas em seu próprio castelo acabam abalando-o e fazendo com que sua personalidade vá se transformando ao longo do enredo, tornando-o uma pessoa muito mais parecida com seu genitor do que ele gostaria de admitir, inclusive, desvalorizando seus antigos aliados.

O Rei possui seus méritos, porém, os problemas de roteiro e o ritmo da narrativa acabam por entregar uma película cansativa em alguns momentos. Alguns diálogos são extremamente simples, e outros chegam mesmo a ser redundantes. Muita coisa é explicada repetidamente, entregando assim, relações pobres entre os personagens. O próprio protagonista, em muitos momentos, perde o brilho para seu antigo companheiro e atual conselheiro, Fallstaff (Joel Edgerton), o responsável real pela vitória dos conflitos em que eles se envolvem.

O Rei (2019) – Netflix

Mas também há elementos elogiáveis no longa. A própria atuação do protagonista é interessante em alguns momentos, especialmente nas situações em que ele precisa entregar performances bastante emotivas, sem uma única linha de fala e comunicando-se apenas com o olhar. Edgerton e Sean Harris entregam atuações interessantes, apesar de seus personagens não possuírem o desenvolvimento adequado, mas o destaque fica para a pequena, mas significativa participação de Robert Pattinson, inclusive no sotaque francês, no jeito característico de falar e na malícia peculiar do personagem.

A trilha sonora é bastante pertinente e acompanha de forma pertinente o que está acontecendo na história. A direção de fotografia deixa a desejar em alguns momentos, entregando cenas bastante parecidas umas com as outras e arriscando pouco. É uma cinematografia que entrega o que se pede, mas não impressiona.

O que é bem acertado no filme são as coregrafias de combate. Desde o primeiro conflito, vivido pelo jovem Hal contra o campeão de outro reino, com o objetivo de evitar um massacre, podemos sentir como é uma batalha de verdade, sem os momentos fantasiosos e épicos característicos de Hollywood. Aqui, as batalhas são cansativas, sufocantes, feias e duras. Nos conflitos maiores, guerras entre dois exércitos, o expectador consegue sentir o sufocamento que os personagens estão sofrendo, bem como a confusão da batalha. Há dificuldade de diferenciar inimigos de aliados e lutando para não serem esmagados no meio da multidão de homens com armaduras.

O Rei (2019) – Netflix

Em suma, O Rei, não é uma obra para todos os públicos e, apesar de possuir um elenco de peso e elogios da crítica especializada pode ser definido como um filme lento e com alguns momentos explicativos demais. Porém, graças à alguns momentos emocionantes e interessantes de assistir, se torna uma obra que vale a pena conferir.

O REI | THE KING
3

RESUMO:

Embora possua um ritmo que prejudica sua narrativa, O Rei, com Timothée Chalamet, tem com boas cenas de combate e um bom desenvolvimento do protagonista.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...