Crítica | ‘Baby’ cresce em sua segunda temporada, mas alguns erros ainda permanecem

Baby, série italiana original da Netflix, é um caso curioso. Pouco comentada no período de lançamento, a série parece ter sido um daqueles raros casos que muitas pessoas pararam para assistir, mas, ao mesmo tempo, não se interessaram o suficiente para gerar um certo fervor em cima. A maioria dos comentários, se formos parar para analisar, mencionam a polêmica que a série se envolve devido ao seu tema: prostituição na adolescência e a abordagem de um caso real bastante popular, conhecido como Baby Squillo 

Por esse motivo, o seu retorno para um segundo ano chega a ser surpreendente. Talvez, em seu país de origem, Baby possa ter gerado uma atenção maior devido ao caso ter ocorrido por lá, mas, em outros locais, a atenção foi mínima. Isso vai em contramão de outras séries originais do serviço, como Elite (Espanha) 3% (Brasil) que conseguiram um sucesso maior ao redor do mundo do que no próprio país de origem.  

Porém, deixando esse pequeno apontamento de lado, algo que Baby conseguiu trazer neste novo ano é superar a sua fraca e desinteressante primeira temporada. Muitos dos erros do passado permaneceram, mas é inegável dizer que a história se tornou consideravelmente mais interessante. O roteiro, que anteriormente parecia não sair do lugar, agora ganha um maior número de reviravoltas e acontecimentos, fazendo com que o pequeno número de episódios (seis no total) sejam pequenos para desenvolver o número de tramas que foram abertas aqui. 

No ano anterior, o núcleo de Ludovica (Alice Pagani) e Chiara (Benedetta Porcaroli) era o único que gerava interesse por estar diretamente conectado com a proposta da série. Porém, agora, o roteiro soube designar corretamente as tramas para os personagens secundários, mantendo o interesse do público mesmo quando as protagonistas não estão em cena. O arco de Fabio (Brando Pacitto) se tornou muito mais interessante de se acompanhar, ganhando ainda mais força quando contracena com Ludovica e Brando (Mirko Trovado). A amizade com Ludovica, por exemplo, por mais que ainda tenha pouco desenvolvimento, é algo que é positivamente encaixado no roteiro de forma a engrandecer a personalidade de cada um. Um consegue entender o outro, e mesmo com poucos diálogos, a química entre eles é bastante clara.  

Baby (Netflix)

Mesmo com os acertos nas tramas secundárias, o grande foco de Baby ainda é o caso de prostituição que as protagonistas se envolvem. E, quando se trata disso, a série conseguiu evoluir com a história, deixando para trás o sentimento de que estava andando à 1km/h. O ritmo ainda é oscilante, e o foco maior acaba indo quase que totalmente para Chiara. Mas, dispensar elogios pela evolução de uma temporada para a outra é quase impossível. 

Como dito, por mais que o roteiro tenha evoluído e desenvolvido melhor não só o núcleo principal, como também os secundários, alguns erros do ano anterior ainda permanecem. As atuações, em sua grande maioria, não evoluíram, e muitas delas – principalmente a de Benedetta – continuam bastante apáticas. O grupo de jovens atores não chama a atenção, e a experiência pode ser prejudicada para muitos devido a isso.  

O roteiro ainda possui um grande defeito de não saber administrar o tempo para o desenvolvimento de cada arco. Quando são encomendados 6 episódios para a temporada, o esperado é que os roteiristas saibam o tempo que devem demorar para iniciar um arco, desenvolvê-lo corretamente, e encerrá-lo nos últimos episódios. Mas, aqui isso não acontece, e muitos deles parecem encontrar o auge no episódio final sem apresentar o menor sinal de um possível encerramento. Isso é bastante preocupante pois, ao invés de encerrar ou colocar um ponto e vírgula corretamente em cada história em aberto, a série decide simplesmente parar no meio abruptamente e deixar para encerrá-la em um (possível) próximo ano.  

Baby ainda precisa refletir sobre algumas decisões e condensar melhor o roteiro e o ritmo da série. Talvez, um aumento no número de episódios venha a calhar positivamente para uma próxima temporada. Mas, em contrapartida, este segundo ano apresentou um crescimento considerável de qualidade, e se continuar assim, a série pode vir a conquistar um público maior, afinal, o público adolescente abraça facilmente projetos voltados para eles, e tendo esse apoio, a garantia de sucesso é certeira.  

BABY - 2ª TEMPORADA
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RESUMO:

Em seu segundo ano, Baby acerta no desenvolvimento dos personagens e deixa a trama mais interessante, mas alguns erros da primeira temporada ainda são notáveis.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.