Crítica | ‘Link Perdido’ é divertido, mas deixa a desejar

Falar que as animações atuais são de extrema qualidade já ficou redundante. Nesse quesito, Link Perdido (Missing Link), da Laika Entertainment, não é exceção. Produzir um longa desse tipo – em stop-motion – dá tanto trabalho quanto produzir um live-action e, nisso, o diretor Chris Butler e sua equipe fizeram um belíssimo trabalho.

Acompanhado Sir Lionel Frost, Link/Susan e Adelina Fortnight, o trio principal da história que, na versão original em inglês, recebem as vozes de Hugh Jackman, Zach Galifianakis e Zoe Saldana, respectivamente, somos levados por paisagens de tirar o fôlego, reais de tão perfeitas que são. Os próprios personagens são muito bem feitos em suas medidas desproporcionais de corpo humano e é engraçado o nariz vermelho que todos ostentam e que os faz parecer estarem constantemente gripados.

O problema de Link Perdido não está aí. Em técnica seus produtores tiram nota 10. O que deixou a desejar mesmo na animação foi o próprio enredo. A trama se assemelha em parte ao excelente Abominável, mas nem de longe chega a ser tão carismático ou encantador quanto este último. O filme basicamente consiste na saga de Sir Lionel em levar Link (mais tarde Susan), vulgo Pé Grande, ao Himalaia, onde ele poderia, então, se encontrar com seus “primos”, os Yetis (criaturas mitológicas que supostamente vivem naquele lugar gelado).

Mas no que a história poderia ter ido bem (caso de Abominável), o longa fracassou, entregando um herói mais presunçoso que virtuoso, um cansativo Pé Grande autodidata e falante (tão diferente do fofíssimo Everest da outra animação) e uma personagem feminina que é mais megera do que qualquer outra coisa.

Link Perdido (2019)

 

Por isso, em meio às cenas que acontecem naqueles já mencionados cenários deslumbrantes e à ação interessante que se sucede com certa dinamicidade – inclusive há uma cena interessantíssima que se passa nos corredores de um transatlântico, que vão virando de lado à medida que se desenrola a perseguição -, corre uma história meio sem graça que, apesar de divertida, não empolga muito.

Em vista de tudo isso, quanto à história em si, o nível de Link Perdido é baixo, apesar de não ser de todo ruim. É um bom passatempo para quando não há nada melhor em mãos.

LINK PERDIDO | MISSING LINK
3

RESUMO:

Apresar da extrema qualidade técnica, Link Perdido, do diretor Chris Butler, o resultado da animação fica abaixo do esperado.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.