Crítica | A violência como forma de desumanização em ‘Monos’

Vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de San Sebastián e do Prêmio Especial do Júri World Cinema – Dramatic no Festival de Sundance, Monos é o representante da Colômbia para disputar uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 2020.

O novo filme do diretor brasileiro Alejandro Landes cria uma espécie de coming of age um tanto atípico para o modelo para o qual estamos acostumados. Em meio a armas e apelidos de guerra, oito soldados adolescentes fazem parte de um grupo rebelde chamado “A Organização”. Ocupando uma ruína abandonada no topo de uma montanha, os jovens, quando não estão realizando seu intenso treinamento físico, observam uma vaca leiteira e uma americana (Julianne Nicholson) que a transformaram em refém.

Apesar da ótima intenção de “sair do comum”, Landes e o co-roteirista Alexis dos Santos criam um mundo sem muitas explicações e sem a profundidade necessária para que a trama funcione de maneira mais eficiente do que realmente é. Afastados da civilização, os adolescentes são treinados para agir de forma violenta,  que além serem vistos como armas de matar, também as possuem como forma de se defender.

O filme é, claramente, baseado em uma ideologia – e por isso poderia explorar mais os elementos que são mais jogados do que explicados, como a presença da vaca ou a captura da Doutora americana a qual eles não falam por causa do idioma. Eles possuem um significado um tanto amplo – ponto tanto positivo como negativo – mas continuam a exercer um papel de certa prepotência.

Monos (2019)

Além disso, os personagens são vagamente apresentados e podem até ser confundidos entre si pela familiaridade entre os atores e pela intensidade com a presença de cortes secos que se instala após um determinado acontecimento. Esse é um dos fatores que torna apto a reforçar uma posição de inercia do espectador com o que acontece com os protagonistas da trama.

A escolha da selva para estabelecer comportamentos sociais instaurados pelo próprio grupo, apesar de não ser nova, se torna essencial para representar a desumanização sofrida pelos personagens de agir com violência como forma de sobreviver – essa é o ponto mais forte de Monos, que poderia ter sido desdobrado pelos caminhos que escolheu não seguir.

MONOS
3.5

RESUMO:

Apesar de seus defeitos, Monos é a representação da desumanização de seus personagens pela exploração da violência.

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Rafaella Rosado

Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível assistir todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é a forma mais sensível de explorar realidades.