Mostra de SP 2019 | Sem inspiração, ‘Vivir Ilesos’ entrega um roteiro frustrante e sem propósito

Vivir Ilesosfilme peruano escrito e dirigido por Manuel Siles, inicia-se com uma boa premissa: um casal de golpistas tenta enganar um milionário ao comprar uma câmera com dinheiro falso, porém a situação sai do controle quando são pegos em flagrante. Ideia simples, mas que possuir inúmeras formas de desenvolvimento. Siles, entretanto, parece ter escolhido a menos inspirada entre elas. 

A tensão tenta ser construída logo nos primeiros minutos. O diretor não parece querer perder tempo com introduções, e coloca o casal protagonista em perigo sem nem ao menos desenvolver o motivo que os fizeram chegar até ali. Devido a isso, é esperado que a trama revele as intenções dos protagonistas conforme o decorrer dela, ao mesmo tempo em que desenvolve a situação em que cada um se encontra. Mas, o que acontece é o contrário, e o filme se perde ao tentar parecer que está discutindo sobre algo, mas na verdade não está chegando a lugar algum.  

É intrigante notar que, mesmo com uma pequena duração (70 minutos, no total), o roteiro é arrastado e a trama após a tentativa falha do casal em enganar o milionário parece não sair do lugar. Alberto (Oscar Ludeña) passa a maior parte do tempo tentando encontrar sua esposa sequestrada após a polícia não acreditar em sua história. Mas, de uma hora para a outra, seu núcleo se torna algo muito mais reflexivo do que deveria ser.  

A situação parece ainda mais perdida quando Lucia (Magaly Solier) é levada a casa do milionário, interpretado por Renato Gianolie percebe que é uma prisioneira no local. O roteiro parece pisar em territórios de uma telenova mexicana, com diálogos e situações risíveis que engradecem a ruindade do material, juntamente com a atuação exagerada de Solier. Sentir compaixão, medo, ou desespero por qualquer personagem presente ali é uma missão praticamente impossível.  

Difícil tentar extrair algo mais profundo do roteiro: uma discussão entre diferença de classes, submissão, psicopatia, ou até mesmo sobre o sistema em que vivemos. Porém, a experiência e o roteiro apresentados são tão rasos que qualquer tentativa de tentar se aprofundar nesses temas acaba sendo descartada. Sobre o que o filme é, afinal de contas? 

A sensação deixada ao final da sessão é frustrante e incômoda. Vivir Ilesos é um caso de amadorismo que não deu certo.  

VIVIR ILESOS
1

RESUMO:

Vivir Ilesos não desenvolve o potencial de sua ideia inicial, e entrega um roteiro sem inspiração, e que não chega a lugar algum.

ONDE E QUANDO ASSISTIR na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Terça-feira, 29/10 

20h10 – CINEARTE 1 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.