Crítica | Apelando para o humor sádico, ‘Zumbilândia: Atire Duas Vezes’ segue a essência da franquia e não impressiona

Quando Zumbilândia estreou nos cinemas em 2009, o foco do cineasta norte-americano Ruben Fleischer, Caça aos Gângsteres (2013) e Venom (2018), era mesclar o típico humor estadunidense com o terror, utilizando o apocalipse zumbi, que viria a se tornar uma febre ainda maior com o lançamento da série The Walking Dead em 2010, como pano de fundo.

Embora já existissem obras que fizeram o mesmo, como o ótimo Todo Mundo Quase Morto (2004), de Edgar Wright, o filme se tornou um clássico para os amantes do gênero. Apesar da modesta bilheteria, pouco mais de U$ 100 milhões, as atuações caricatas de Woody Harrelson e Bill Murray, juntamente com o texto exagerado e apelativo, ajudaram a construir o seu sucesso.

Dez anos depois, o diretor e o elenco original, composto por Emma Stone, que venceu o Oscar de melhor atriz por La La Land, Harrelson, Abigail Breslin e Jesse Eisenberg, retornam para um novo capítulo da saga, Zumbilândia: Atire Duas Vezes, que promete ser ainda maior e mais divertido. Além dos novos personagens, como é o caso de Nevada, vivida por Rosario Dawson, e Madison, interpretada por Zoey Deutch, a sequência apresenta um novo tipo de zumbi, o T-800, que é bem mais perigoso e letal. Na trama, os sobreviventes seguem na busca de novos lugares para ocuparem, quando decidem ir até a Casa Branca, onde encontram novos aliados e tomam novos rumos.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes (2019) – Sony Pictures

É claro que filmes no estilo de Zumbilândia: Atire Duas Vezes não se levam muito a sério, fazendo graça com a própria franquia e com elementos culturais que tornam a produção autêntica e bastante atual. Essa fórmula deu certo da primeira vez e também na segunda, especialmente com o intervalo de dez anos entre os lançamentos, o que deu espaço para que o público pudesse sentir saudades e o estoque de piadas não fosse esgotado. O longa é sim bastante engraçado, porém, o texto acaba perdendo o eixo ao repetir exaustivamente alguns temas, como a separação entre Wichita (Stone) e Columbus (Eisenberg), por exemplo.

Por outro lado, o desempenho do elenco é positivo, mesmo que extremamente caricato e, por algumas vezes, cansativo. Woody Harrelson não precisa provar a ninguém o seu talento como ator, afinal, ele já recebeu três indicações ao Oscar, mas em alguns momentos, torna-se cansativo vê-lo em tela. Claro que a essência de Tallahassee, seu personagem, é excessiva, mas em certas horas, sua interpretação beira o ridículo. A grande surpresa fica por conta de Zoey Deutch, que entrega uma divertida e simpática patricinha, toda estereotipada e pronta para enfrentar, à sua maneira, o apocalipse zumbi.

Outro ponto positivo da produção é uma maior atenção aos momentos de suspense, capazes de gerar algum tipo de desconforto e tensão. Claro que não é nada comparável ao que podemos sentir assistindo Madrugada dos Mortos (2004), dirigido por Zack Snyder, ou Guerra Mundial Z (2013), de Marc Forster, mas já é um passo adiante em relação ao primeiro capítulo. A apresentação de uma nova criatura, o T-800, confere pequenos alívios de terror dentro da comédia, o que ajuda a quebrar o clima cômico e engrandece o filme.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes (2019) – Sony Pictures

A rápida aparição de Flagstaff (Thomas Middleditch) e Albuquerque (Luke Wilson) é o ponto alto da narrativa, sendo uma ótima e bem pensada sátira. De uma forma geral, a produção não é memorável, porém, acrescenta uma boa continuação a saga. A história é redonda, entregando o que se espera, mas sem surpreender. As piadas são medianas, mas o entretenimento é garantido, assim como algumas boas risadas. Para os apressados, não saiam após o início dos créditos de Zumbilândia: Atire Duas Vezes. Afinal, correm o risco de perder uma divertida cena final.

ZUMBILÂNDIA: ATIRE DUAS VEZES | ZOMBIELAND: DOUBLE TAP
2.5

RESUMO:

Dirigido por Ruben Fleischer, responsável por Venom (2018), e com o elenco original de volta, Zumbilândia: Atire Duas Vezes aposta na fórmula que a tornou conhecida e entrega novamente uma comédia com toques de suspense e terror.

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.