Mostra de SP 2019 | Poesia e documentário se juntam em projeto extremamente pessoal em ‘A Boia’

A poesia sempre foi uma forma de contar histórias e passar sentimentos. Em A Boia (La Boya), o diretor Fernando Spiner a utiliza para fazer uma homenagem a um amigo poeta, ao mesmo tempo em que demonstra uma paixão pelo mar, e como ele marcou e ainda vêm marcando a amizade entre os dois. É um projeto pessoal, obviamente, que se vende como um documentário, mas que em muitos momentos não se porta como tal. 

Spiner não parece interessado em permitir que o público crie qualquer tipo de conexão com o que está sendo mostrado. O filme passa aquela sensação de projeto feito para que se possa relembrar os bons momentos de sua amizade com Aníbal futuramente. Aqueles que estão de fora (a grande maioria, deve-se dizer) e que tentarem embarcar nessa história terão uma grande dificuldade em se conectar com tudo que está sendo colocado em tela. 

A tentativa de juntar documentário com poesia e contemplação é falha. O diretor parece esquecer que está dirigindo um documentário, e divide o filme em blocos que, em muitos momentos, não se conectam entre si. Ele parece querer criar as próprias regras – o que em muitos projetos é extremamente bem-vindo – mas não demonstra ter autocontrole de suas próprias criações. 

Muito tempo é se passado apenas admirando as idas e vindas dos dois amigos até uma boia em meio ao mar. O diretor tenta ser contemplativo e poético ao acompanhar esses momentos, inserindo diversos takes (lindíssimos, por sinal) do mar, mas que, no fim, não acrescentam em nada e acabam apenas aumentando o já curto tempo de duração. Os 89 minutos parecem muito mais longos do que são.  

É preciso saber dosar e encaixar a poesia com o documentário. Não se sabe ao certo qual a verdadeira história que Spiner está tentando contar devido à falta de foco que o diretor possui. É um documentário (ou a tentativa de um) sobre amizade? Sobre o amor ao mar? Sobre poesia? A dúvida permeia ao longo do filme, deixando toda a experiência desinteressante e cansativa. Não há uma narrativa documental sendo criada. São apenas diversos momentos sendo inseridos em tela, com pequenas conversas aqui e ali para dar a sensação de que estamos acompanhando algo, mas que no fim não chega a lugar algum. 

A Boia é uma falha tentativa de ser um documentário contemplativo e poético. Cansativo ao extremo, o filme carece de preocupação de Fernando Spiner ao saber dosar suas ideias em uma narrativa que faça sentido, e que não passe a sensação de um falso documentário feito somente para o próprio prazer e recordação.  

A BOIA
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RESUMO:

Contemplativo e poético, documentário de Fernando Spiner, A Boia, carece de narrativa documental, e entrega um projeto cansativo e pessoal ao extremo.

ONDE E QUANDO ASSISTIR: 

Quinta-feira, 24/10 

17h00 – CIRCUITO SPCINE OLIDO 

Terça-feira, 29/10 

15h45 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA ANEXO 4 

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.