Crítica | ‘A Lavanderia’ cai na mesmice ao tentar ser dinâmico e satírico

Em março de 2019, o escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca & CO fechou as portas após, em 2016, saírem notícias sobre ocultação de patrimônio de chefes de Estado, criminosos e celebridades por meio de empresas offshore abertas pelo lugar. A grande repercussão negativa do caso gerou não apenas a prisão dos sócios, como também a série Panama Papers, investigação jornalística internacional acerca do evento, inspirando assim o novo longa de Steven Soderbergh, A Lavanderia.

No longa, Meryl Streep interpreta Ellen Martin, que após perder o marido em um acidente de barco, decide investigar por conta própria a empresa que está lhe dando calote. Os responsáveis pela empresa, Ramón Fonseca (Antonio Banderas) e Jürgen Mossack (Gary Oldman),comandam um escritório de advocacia sediado na Cidade do Panamá, de onde gerenciam dezenas de empresas, participam de todo tipo de fraude, sempre dispostos a faturar mais. Apesar de inspirado em eventos reais, o filme utiliza dessa e de outras tramas fictícias para contar um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos.

Além da história central, o filme é embasado em temas financeiros, burocráticos e políticos, necessários para o entendimento do desenrolar do longa. Assim como A Grande Aposta (2015) e Vice (2018), de Adam MacKay, o filme recorre à presença de personagens para explicar de forma mais didática o que está sendo abordado. Através da narração dos personagens de Gary Oldman e Antonio Banderas, o filme tenta ser dinâmico, e conseguir para além da compreensão do público, a sua atenção. Apesar do funcionamento em primeira instância, através do plano-sequência rumo ao caminho do subsolo onde o verdadeiro crime acontece, “por baixo dos panos”, o filme cai em sua própria artimanha ao tentar fugir da mesmice, tornando-se maçante e monótono. Já que, todos os trechos irão acabar com uma cena na qual os dois atores explicam ao público o que ele deve saber.

Diferente de McKay, que em A Grande Aposta utiliza diferentes celebridades para auxiliar o entendimento do público, Soderbergh usa dois atores do próprio elenco, o que influencia ainda mais o âmbito monótono do filme. Entretanto, por outro lado, o filme possui diversos personagens que possuem segredos e histórias corruptivas, o que acrescenta ao filme surpresa e dinamismo, além de uma rotatividade representando a continuidade de eventos que resultou na explosão das informações sobre a offshore. O filme é dividido em capítulos, ferramenta também utilizada para torná-lo mais acessível e didático, já que, explicar algo quebrado em partes acaba sendo mais fácil do que apresentar uma única história sem divisões durante 1 hora e 30 minutos.

A Lavanderia (2019) – Netflix

Apesar de ter sido vendida durante muito tempo como protagonista do longa, apenas na estréia do filme no Festival de Toronto, foi sabido que Meryl Streep estaria mais como coadjuvante do que como protagonista, e de fato, o filme não possui apenas um protagonista. Apesar de Streep estar na primeira história central, quem guia o filme é a dupla Oldman e Banderas, entretanto, os pequenos quadros que compõem o filme são estrelados por David Schwimmer, Will Forte, Matthias Schoenaerts, Jeffrey Wright, James Cromwell, Robert Patrick, Melissa Rauch e Sharon Stone.

A Lavanderria aborda a corrupção da Panama Papers de forma ácida, irônica e crítica, além de concluir que não há mocinhos, nem vilões, além do próprio Estado Unido. O país é visto como culpado, utilizado como justificativa até pelos mais bem intencionados que de alguma forma, caíram na corrupção. O roteiro de Scott Z. Burns finaliza o filme da forma mais clara possível, esmiúça para aqueles que não haviam entendido, e explica, novamente, dessa vez através da própria Meryl Streep que, ao quebrar a quarta parede, reforça o apelo do filme, não apenas pelo fim da corrupção, mas também por uma mudança na política de seu país.

A LAVANDERIA | THE LAUNDROMAT
2.5

RESUMO:

Longa estrelado por Meryl Streep, Gary Oldman e Antonio Banderas, A Lavanderia (The Laundromat) cai na mesmice ao tentar ser dinâmico e satírico.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.