Mostra de SP 2019 | ‘Os Dias da Baleia’ busca ser mais metafórico do que eficiente

Com cidades cada vez mais urbanizadas, o grafite é uma constante forma de se expressar e representar sua população. Na cidade de Medellín não é diferente. Em seu filme de estreia, a diretora colombiana Catalina Arroyave Restrepo explora uma guerra de gangues em uma espécie de coming of age em Os Dias da Baleia (Los Días de la Ballena).

Uma espécie de coletivo para os artistas urbanos, La Selva é onde o grupo se reune para agrupar ideias e colorir os muros da cidade. Pelo viés de Cristina (Laura Tobón), protagonista do longa, a cidade ganha vida com os desenhos grafitados por ela e seu namorado Simon (David Escallón) enquanto os dois andam de bicicleta procurando novos lugares para colorir.

Além do grafite ser uma forma de crítica social, ele também representa uma intervenção urbana direta na cidade, democratizante dos espaços públicos. Juntamente com a diretora de arte Tatiana Saldarriaga, Restrepo constrói uma mise em scène propícia à tais valores, mas despeja esse potencial ao conceder sua narrativa à Cris, a garota branca de classe média alta.

Após a mãe jornalista se mudar para a Europa ao sofrer ameaças de morte por denunciar uma gangue da cidade, ela espera que Cris se junte a ela. A garota, na casa do pai e da madrasta, apresenta uma rebeldia sem explicação que parece ser o único elemento que a faça continuar com os grafiteiros, além de parecer ser uma mera diversão. Cris é a única personagem que nunca está em perigo – como se estivesse realmente protegida por seus privilégios – e, assim, não leva a sério as ameaças de morte da gangue local; só seus companheiros sofrem as consequências.

Os Dias da Baleia (2019)

Logo, o filme se desprende de seu cenário caótico para se estabilizar em Cris e na relação com sua mãe, seus momentos antes de finalmente ir para a Europa – uma espécie de coming of age. A superficialidade da protagonista, no entanto, não permite que o longa se classifique como tal; não há base e nem um estudo de personagem no mínimo aprofundado para criar uma história envolvente, Restrepo se demonstra preocupada em inserir metáforas por meio de baleias para a relação da mãe e da filha.

Com foco em ser mais metafórico do que eficiente, Os Dias da Baleia não funciona como uma história de intervenção urbana nem como um coming of age. A falta de explicação para as motivações da protagonista na qual a narrativa se estrutura evita que o filme proceda a ter o fôlego a história merecia.

OS DIAS DA BALEIA | LOS DÍAS DE LA BALLENA
2.5

RESUMO:

Com foco em ser mais metafórico do que eficiente, Os Dias da Baleia não funciona como uma história de intervenção urbana nem como um coming of age.

Quando e onde assistir Os Dias da Baleia na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo:

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Rafaella Rosado

Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível assistir todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é a forma mais sensível de explorar realidades.