Crítica | ‘Projeto Gemini’ não entrega o que promete

Toda a aposta de Projeto Gemini, do diretor Ang Lee, estava na tecnologia inovadora do 3D+ em HFR. Tal técnica de gravação o permitiu filmar na mais alta taxa de fotogramas por segundo (120), além de em 4K e 3D nativo, proporcionando uma experiência imersiva até então nunca vista no cinema.

A proposta inovadora empolgou, é claro, como não o faria? Afinal, cinema e tecnologia andam juntos desde sempre, completando-se e evoluindo. O fato, porém, é que houve certa precipitação por parte de toda a equipe na produção do longa. Uma engenharia técnica desse porte merece, ou melhor, exige, uma boa história por trás, bem pensada e desenvolvida, além é claro, de que o mundo, ou pelo menos os melhores mercados de cinema, estejam preparados para recebê-la.

Ora, qual não será a surpresa do expectador brasileiro que, ao chegar ao cinema para desfrutar dos 120 quadros por segundo do 3D+, descobrir que o Brasil (um mercado respeitável) ainda não tem a tecnologia necessária para projetá-los? Frustrante, para dizer o mínimo.

Mesmo ignorando esse pequeno detalhe e assistindo ao longa em 3D normal, fica claro que Lee quis puxar o máximo do poder que tinha nas mãos, o que tornou o filme pretensioso, ao invés de grandioso como deveria ser, tal como aconteceu com o Avatar de James Cameron, em 2009. Àquela época a tecnologia empregada impressionou, mas a história fracassou.

Projeto Gemini (2019) – Paramount Pictures

E por falar em avatar… é interessante notar que também existe um em Projeto Gemini Só que ao invés dos estranhos gigantes azuis com caudas, o filme de Ang Lee foi capaz de construir o ator Will Smith digitalmente, totalmente do zero, 30 anos mais novo.

Smith interpreta Henry, o melhor sniper da atualidade, capaz de acertar um alvo num trem em movimento, a mais de 200km por hora. Quando, no entanto, ele resolve se aposentar, o governo começa a persegui-lo, mandando em seu encalço uma versão mais jovem dele mesmo, Junior, seu avatar. Vigiado por todos os lados, Henry só pode contar com uma inusitada aliada, Danny Zakarweski (Mary Elizabeth Winstead), outra competente agente que vai acompanhá-lo em sua aventura.

Sendo assim, como se pode notar, além da inovação técnica, não há nada de novo em Projeto Gemini. A trama é só mais do mesmo a que já estamos acostumados, a um nível até inferior. Perseguições de moto, bombas e explosões, corrida pelo terraço de prédios, tudo isso já existe com melhor qualidade e contexto, basta assistir qualquer um dos filmes do James Bond, do Jason Bourne ou do Ethan Hunt. E a situação para nós, brasileiros, que ainda não temos a tecnologia disponível, fica ainda pior.

Por tudo isso, expectativas foram criadas, mas não foram atingidas quanto mais superadas. Por outro lado,  como dizem os otimistas, não foi dessa vez, mas tempos melhores virão, e ainda nos surpreenderemos com o 3D+, numa história que lhe dê um contexto a altura.

Ang Lee e Will Smith no set de Projeto Gemini (2019) – Paramount Pictures

Nota do editor: Conferimos Projeto Gemini na sessão de imprensa no dia 9/10, em Belo Horizonte, na versão 3D. Para impressões sobre a versão exibida em 60 quadros por segundos (ainda abaixo dos 120 quadros por segundos filmados), que conferimos em evento exclusivo da Paramount Pictures para jornalistas, em São Paulo, acesse aqui e confira as diferenças entre as versões disponíveis no Brasil.

PROJETO GEMINI | GEMINI MAN
2.5

RESUMO:

A história fraca e clichê torna Projeto Gemini, do diretor Ang Lee, só mais um entre muitos filmes melhores do gênero, apesar da inovação tecnológica.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.