Crítica | ‘Sombra Lunar’: uma confusa perseguição de gato e rato na linha do tempo

Desde que nascemos, tornamo-nos prisioneiros das algemas mais poderosas de qualquer existência, aquelas que nos orientam e definem nossas ações ao longo de toda a vida. As algemas do tempo são implacáveis, complexas, e como o cinema gosta muito de frisar, são relativas. Com Sombra Lunar, do diretor Jim Mickle, nova produção original da Netflix, tais afirmações querem se fazer ilustrar mais uma vez.

Sob essa premissa sempre interessantíssima que envolve a locomoção na linha temporal, o longa se introduz muito bem. Assim é que somos apresentados ao personagem principal, o policial Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) que, ao sair de casa para o que parecia ser uma ronda noturna corriqueira pelas ruas, acaba se deparando com o caso que acabaria tomando as rédeas de seu destino.

Sombra Lunar tem início com cenas de ação empolgantes de qualidade, com muito sangue, cérebros liquefeitos e perseguição frenética (de carro em marcha a ré, inclusive!). Mas a trama que começa tão bem, não tem um bom desenvolvimento ou conclusão satisfatória, perdendo-se em algum momento do caminho.

Como já dito, o filme é focado em Thomas (ou Locke), um jovem esforçado que aspira ascender na carreira policial, mas que é levado à beira da insanidade quando a serial killer (Cleopatra Coleman) que havia espalhado o caos em 1988, volta à ativa após retornar dos mortos nove anos mais tarde. A partir de então, ele começa uma caçada frenética e obsessiva de gato e rato que vai consumir não só sua juventude, mas também sua relação com a filha, Amy (Sarah Dugdale).

A atuação de Holbrook é de extrema qualidade e o diretor parece ter gostado tanto, que simplesmente se esqueceu dos outros talentos a seu redor, como o ótimo Michael C. Hall (da série Dexter), que interpreta Holt, o cunhado de Locke, e mesmo Dugdale, que não tem espaço para trabalhar.

A cada salto de nove anos e a cada fracasso em capturar a serial killer, Locke vai derrapando pelos limites da sanidade, mas sem que o roteiro de Geoffrey Tock e Gregory Weidman deixe que se entregue de vez à loucura. Ao contrário, um plot twist despropositado torna o início interessante num final decepcionante e muito mal explicado. A própria viagem no tempo, torna-se sem sentido e desperdiçada para um filme que trabalha com uma das premissas mais fascinantes da ficção científica.

Talvez, se Jim Mickle e seus roteiristas pudessem rebobinar a fita e recomeçar tudo, pudessem ter feito uma produção bem superior à que entregaram.

SOMBRA LUNAR | IN THE SHADOW OF THE MOON
3

RESUMO:

Trabalhando com uma das premissas mais fascinantes da ficção científica, Sombra Lunar  tem início frenético, mas um final nem tanto satisfatório.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.