Crítica | ‘Predadores Assassinos’ mistura suspense e jacarés gigantes em uma aventura previsível, mas bem intencionada

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3
On 26 de setembro de 2019
Last modified:26 de setembro de 2019

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Desde que Tubarão chegou aos cinemas, em 1975, o gênero de aventura, misturado com suspense, foi transformado. O filme, dirigido por Steven Spielberg, definiu o conceito de blockbuster e se tornou, na época, a maior bilheteria da história. Embora outras produções famosas e igualmente importantes para a história do audiovisual já tivessem introduzido animais e criaturas como os grandes antagonistas da trama, como King Kong (1933), dirigido por Merian Caldwell Cooper e Ernest B. Schoedsac, O Lobisomem” (1941), de George Waggner, Godzilla (1954), de Ishirō Honda, e Os Pássaros (1963), do cineasta Alfred Hitchcock, o longa foi responsável por elevar esse patamar. Predadores Assassinos

Foi nessa rica fonte de inspiração que o diretor francês Alexandre Aja, responsável por títulos como Viagem Maldita (2006), Espelhos do Medo (2008) e Piranha (2010), bebeu para construir Predadores Assassinos (2019). O longa, que tem a produção assinada pelo norte-americano Sam Raimi, diretor de Homem-Aranha (2002), Arraste-me para o Inferno (2009) e Oz: Mágico e Poderoso (2013), e protagonizado por Kaya Scodelario, atriz britânica de ascendência brasileira, acompanha a luta de Haley e seu pai que ficam presos no porão de uma antiga casa durante uma forte enchente provocada pelo proximidade de um furacão. Além da tempestade, eles terão que enfrentar uma ameaça ainda maior do que a água: um ataque implacável de jacarés gigantes.

A trama parte de uma premissa simples e bem possível, afinal, a região da Flórida, onde a aventura se passa, é repleta desses animais. Apesar de já existirem outras produções que exploram sua natureza carnívora e agressiva, como Pânico no Lago (1999), de Steve Miner, e Morte Súbita (2007), de Greg Mclean, a imagem dessas criaturas ainda não é tão presente e desgastada no imaginário popular. Com um orçamento modesto, pouco mais de US$ 13 milhões, o filme consegue promover um equilíbrio satisfatório entre um roteiro enxuto e boas doses de suspense e cenas de ação.

O diretor ainda encontra espaço para apresentar e explorar a história de seus personagens. Embora alguns diálogos e questões familiares sejam abordados de maneira clichê, isso não pesa de forma negativa na impressão final, até porque o maior interesse do público que busca por esse tipo de produção é assistir jacarés gigantes devorando seres humanos. A relação conflituosa entre Haley e seu pai (Barry Pepper) funciona como um bom pano de fundo para a história, deixando-a mais completa.

Uma das maiores surpresas que Predadores Assassinos reserva, no quesito técnico, é a qualidade, embora simplória, do design de produção. A vizinhança, onde a maior parte da trama se passa, é bem construída e consegue transmitir a veracidade necessária. A mistura de cenas gravadas em estúdio com outras rodadas ao ar livre incomoda, é verdade, mas o resultado final ainda é satisfatório. Por outro lado, os efeitos especiais deixam um pouco a desejar, apesar de ser compreensível diante do baixo custo do projeto.

A opção pela computação gráfica deixa algumas cenas com um tom plástico e fictício, beirando mais a fantasia do que a realidade. Talvez, a opção de apresentar as criaturas de forma mais subjetiva, dando a sensação de que elas estão por perto sem efetivamente mostrá-las, teria sido mais produtivo, transmitindo maior credibilidade ao projeto e intensificando o clima suspense. Os momentos em que os animais atacam as pessoas foram feitos de forma confusa e um pouco conturbado visualmente. O famoso jump scare, explorado exaustivamente nos mais recentes títulos de terror, está presente mais uma vez.

Outro ponto negativo é o CGI usado para criar a tempestade. O contraste entre a computação e os elementos reais, construídos para integrar o cenário, soa falsa e deixa perceptível essa diferença de texturas. Apesar de algumas críticas técnicas, o filme não perde o seu valor, provando ser uma boa aventura. As cenas gravadas no porão da casa, por exemplo, são bem realizadas, sendo um dos poucos momentos em que a sensação de angústia atinge os espectadores. As atuações, embora não sejam emblemáticas, não deixam a desejar.

Em síntese, Alexandre Aja fez entrega um bom trabalho. É uma trama interessante e que ainda não havia sido explorada. Apesar dos problemas, o projeto deve agradar aos fãs mais fiéis do gênero. Um orçamento mais generoso e um pouco mais de capricho no design teriam elevado bastante o resultado final da obra. Porém, é uma agradável aventura de suspense com uma hora e meia de duração.

PREDADORES ASSASSINOS | CRAWL
3

RESUMO:

Com fortes referências a famosas obras cinematográficas de ficção científica, Predadores Assassinos, dirigido por Alexandre Aja, consegue entregar uma história plausível, redonda e com bons momentos de tensão.

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.