O Irlandês | Filme será menos intenso e vai abordar a masculinidade tóxica dos personagens, diz produtora

Em entrevista ao Deadline, a produtora de O Irlandês, Jane Rosenthal, afirmou que o novo filme de Martin Scorsese não terá a intensidade característica dos filmes do diretor:

O que surpreenderá é que, como um filme de Scorsese, é um filme mais lento. Não tem o tipo de intensidade, a intensidade visual, como emOs Bons Companheiros ou Cassino. São caras que se olham através de uma perspectiva mais antiga.”

Rosenthal afirmou que veremos os personagens olhar para o passado a partir de uma ótica mais introspectiva:

O que você vê em algo como O Irlandês é a masculinidade tóxica, e o que acontece quando alguém escolhe a máfia em detrimento de seu próprio núcleo familiar, e depois tenta fazer reparos no final de suas vidas. O que acontece com particularmente os homens que tomam esse tipo de decisão.”

A produtora também revelou que trabalha filme há mais de uma década, o que foi bastante desafiador. Reunir elenco, recursos tecnológicos para rejuvenescer personagens e conciliar agendas não foi uma tarefa fácil:

“O destaque de fazer O Irlandês foi fazer o filme. Trabalho nisso desde 2007. Em 2013, finalmente fizemos uma leitura do roteiro. Eu realmente pensei que era a única coisa que faríamos, e tínhamos todos os atores lá. É uma combinação de como as disponibilidades das pessoas estavam, obtendo o financiamento certo e que a tecnologia fosse algo verdadeiramente transparente e intuitivo para os atores, e mais especificamente para Marty (Scorsese). Então, ser lançado agora é extraordinário.”

O Irlandês estreia no New York Film Festival nesta sexta-feira (27). O filme fará sua estréia internacional no London Film Festival em outubro, antes de uma exibição nos cinemas em circuito limitado, a partir de 1º de novembro, antes de ser lançado pela Netflix, em 27 de novembro.

Recentemente, o New York Film Festival revelou que O Irlandês, filme de Martin Scorsese para a Netflix, terá um tempo de duração de 210 minutos.

A Netflix também divulgou uma descrição mais detalhada do filme:

Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci estrelam O Irlandês, a saga épica do diretor Martin Scorsese sobre o crime organizado nos Estados Unidos pós-guerra. Contado através da perspectiva do veterano da Segunda Guerra Mundial Frank Sheeran, um assassino profissional que trabalhou ao lado de algumas das personalidades mais marcantes do século 20, o filme aborda um dos grandes mistérios da história americana – o desaparecimento do lendário líder sindical Jimmy Hoffa – e se transforma em uma jornada monumental pelos corredores do crime organizado: seus mecanismos, rivalidades e associações políticas.”

O longa foi anunciado como uma das principais atrações do Festival de Cinema de Nova York de 2019, cuja 57ª edição começa em 27 de setembro e termina em 13 de outubro. Ele fará sua estréia mundial como filme da noite de abertura

O longa é uma das apostas da Netflix para a temporada de premiações para o Oscar 2020. Scorsese pediu inclusive à Netflix para que seu novo filme ganhe um lançamento amplo nos cinemas, para se qualificar para as premiações de cinema. Saiba mais aqui.

Com orçamento de US$ 200 milhões, O Irlandês é o filme mais caro da carreira de Scorsese. Além disso, o elenco – rejuvenescido digitalmente para diversas cenas da trama – trará nomes consagrados do cinema. Esses foram um dos motivos que levaram o projeto de Scorsese à gigante do streaming, uma vez que os grandes estúdios só destinariam uma verba dessa magnitude para blockbusters e filmes de super-heróis.

A produção conta a história do líder sindical Frank “O Irlandês” Sheeran (Robert De Niro), que foi acusado de se envolver em uma organização criminosa e em alguns assassinatos. O longa também conta com Al PacinoJoe PesciAnna PaquinBobby Cannavale e Ray Romano.

É a nona colaboração entre Scorsese e De Niro. Antes eles trabalharam juntos em filmes como Caminhos Perigosos; Taxi Driver; New York, New York; Touro Indomável; Rei da Comédia; Os Bons Companheiros; Cabo do Medo e Cassino.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...