Crítica | ‘Rambo: Até o Fim’ traz um final simples e competente para a franquia

Escrito por Sylvester Stallone e dirigido por Adrian Grunberg, Rambo está de volta ao que tudo indica ser o seu capítulo final. Recheado de ação, violência e vingança, mas desprovido de novidades.

O soldado John Rambo leva uma vida tranquila com sua família, porém as marcas da guerra e da violência insistem em nunca deixá-lo. Todavia, é quando sua sobrinha decide ir ao México para encontrar o pai que as coisas realmente começam a sair dos eixos. Sequestrada em outro país por traficantes de prostitutas, agora ela só poderá contar com um homem para lhe salvar.

Rambo: Até o Fim conta com um roteiro sólido e bastante competente na hora de transmitir as emoções desejadas. Apresenta bem a trama, as personagens, os problemas e sua solução para os mesmos.

Temos aqui uma história que começa devagar e sem pressa. Ela estabelece a personagem principal em seu novo cenário e em seus novos laços afetivos. Quando o Incidente Incitante (momento em que as coisas saem do equilíbrio) ocorre, sentimos com precisão o peso deste na vida de Rambo e queremos, com gosto, ver ele resolver o problema.

Porém, o roteiro traz consigo uma trama muito familiar a de outros filmes de ação e que não abarca muitas novidades em sua mensagem principal. O gosto que temos em acompanhar o filme até o final é devido pelo bem construído ódio ao antagonista e pelo carinho prévio que já dispomos pelo personagem e seu modus operandi.

As cenas de ação (o mais importante do filme) são claras, bem reais, violentas, muito bem coreografadas e gravadas. Temos aqui um filme bastante violento, prato cheio aos fãs de ação, e com cenas menos forçadas e gravadas com melhor qualidade técnica do que as de Rambo 4. Temos aqui um filme bem caprichado.

Sylvester Stallone é o grande destaque do filme, porém, atua como o esperado. Sentimos que ele está mais que a vontade na pele do personagem, conseguindo fazer aquele tipico homem calado e no controle da situação, que guarda traumas cicatrizes que o mostraram a real face do mundo. Nunca conseguindo se libertar para a felicidade, mas fazendo sempre o que é necessário para zelar por aqueles que ama. A violência consciente é mostrada como o antidoto a perversão humana.

Vale a pena ressaltar também que está franquia nunca foi inocente, é preciso olhar nas entrelinhas dos filmes passados e seus contextos históricos para ver que Rambo sempre carregou consigo diversas mensagens exageradamente nacionalistas, exaltou ao extremo o poder do exercito estadunidense, praticou violência simbólica contra certos povos e venceu nas telonas uma guerra em que o Estados Unidos se retirou. Em Rambo: Até o Fim, encontramos, bem de leve, esse jeito de contar história. Basta perceber a diferença em escala social de como é representado os Estados Unidos e o México. Os bons Mexicanos são os “americanizados” ou aqueles que sofreram na pele o que Rambo sofreu, sendo então, portadores do mesma “sabedoria” sobre a real face do mundo.

Rambo: Até o Fim não deixa de ser um ótimo final para uma franquia que não contou com excelentes filmes. É preciso, sólido, emocionante, divertido, com os seus devidos excessos, conta com uma paleta de cor meio sépia o que combina muito bem com tudo o que está acontecendo e no final parece que retornamos ao fim dos anos 80 para rever o último capítulo de uma franquia que apesar dos tombos reside no coração de muitos.

RAMBO V: LAST BLOOD | RAMBO: ATÉ O FIM
3

RESUMO:

Em Rambo: Até o Fim encontramos um filme simples e competente, que capricha nas cenas de ação e trabalha bem com um personagem clássico da historia do cinema. Porém, falha em apresentar novidades e aprofundar algumas questões que poderiam fazer de Rambo 5 um excelente filme.

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Matheus Amaral

Formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.