Crítica | ‘Depois do Casamento’ é justificável, mas não atinge seu portencial

Remake do filme dinamarquês de mesmo nome dirigido por Susanne Bier (Bird Box), Depois do Casamento recebe uma repaginada pelo roteirista e diretor Bart Freundlich. A crescente discussão sobre a necessidade de tantos remakes feitos em Hollywood nos últimos anos, no entanto, nos faz questionar se o filme indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007 precisava de um.

Isabel (Michelle Williams) trabalha e dedica sua vida em um orfanato na Índia de baixos recursos. Forçada a ir temporariamente para Nova York devido a uma oferta feita por Theresa (Julianne Moore), uma rica empresária e benfeitora, Isabel precisa convencê-la porque a instituição na qual trabalha merece a generosa doação. Não muito interessada na pilha de papéis e dos dados trazidos por Isabel já que o casamento da filha Grace (Abby Quinn) acontece em apenas alguns dias, Theresa pede para Isabel estender a viagem para “revisitar os números”, e logo a convida para a cerimônia.

No dia do casamento, Isabel conhece a filha e o marido (Oscar, interpretado por Billy Crudup) de sua benfeitora, que nos apresenta o primeiro drama de forma lenta – porém, essencial – que apesar de previsível não deixa de carregar um certo mistério. Os dois recém conhecidos acabam sendo mais do que Isabel imaginava, estopim para dar início ao carrossel de dramas que acontecem depois do grande dia.

 

Mesmo com quase duas horas de duração, parece não haver tempo o suficiente para que cada dos problemas apresentados seja construído devidamente ou se desenrole como deveria. Isso se deve à quantidade de reviravoltas uma atrás da outra, que resulta em uma história um tanto artificial. Alguns dos problemas parecem ter sido inseridos sem muita elaboração apenas para inserir um outro mais importante; já outros, se demonstram bastante convenientes.

Com a quantidade de tramas a serem trabalhadas e inseridas umas nas outras, o filme acaba por não possuir um tom específico. Algumas cenas parecem ocorrer de repente devido à falta da construção de um clímax que justifique suas ocorrências e outras cenas com um peso maior são rapidamente deixadas de lado na cena posterior.

Apesar de nada no filme parecer novo ou original, o remake de Bart Freundlich se justifica pela troca de gênero das personagens (no original a personagem de Julianne Moore é interpretada por Rolf Lassgård e Michelle Williams, por Mads Mikkelsen). De fato, a mudança adiciona um frescor ao filme, mas não vai além disso. Julianne Moore e Michelle Williams são responsáveis por sustentar o filme e, por partes, conseguem até mascarar os erros com atuações acima da classificação mediana do filme.

O sentimento que permeia após assistir Depois do Casamento é ter presenciado duas horas de pessoas ricas em Nova York (a Índia acaba por ficar de lado e receber um tratamento superficial) discutindo seus problemas de forma bastante frívola. O filme acontece majoritariamente em ambientes elitizados e permanece focado em suas revelações e confrontações mal exploradas. Apesar de suas adversidades, Bart Freundlich, no entanto, justifica a existência de seu remake – por mais que não atinja seu potencial.

DEPOIS DO CASAMENTO | AFTER THE WEDDING
2.5

RESUMO:

Remake de Bart Freundlich se justifica pela troca de gênero das personagens, mas nem Michelle Williams e Julianne Moore são suficientes para mascarar os erros que o filme possui.

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Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível assistir todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é a forma mais sensível de explorar realidades.