Crítica | ‘Clímax’ é mais uma obra perturbadora de Gaspar Noé

Não é de hoje que Gaspar Noé é conhecido por seu polêmico trabalho como diretor. Conhecido por ser extremamente violento, Noé apresenta temas recorrentes em suas obras, tais como a sexualidade, violência e vingança. Em Clímax, a abordagem é ligeiramente diferente de suas obras antecessoras, apostando em uma narrativa mais leve, mas que nem por isso se torna menos impactante.

O longa começa com os depoimentos de um grupo de dançarinos bastante diversificados, intercalados com longas cenas de coregrafias de dança. Os problemas começam após o ensaio, quando os dançarinos organizam uma festa para comemorar e alguém ‘batiza’ o ponche com LSD, fazendo com que as pessoas que o consomem entrem em um estado extremamente alterado. A partir daí, os dançarinos começam a manifestar as reações mais diversas possíveis, inclusive, utilizando-se de violência umas com as outras.

Enquanto alguns dançarinos entram em loops bizarros de dança sem parar, outros começam a atacar seus próprios colegas. Com planos sequência extremamente bem produzidos, atuações bastante convincentes – especialmente devido à direção ter permitido e estimulado a ocorrência de muitos improvisos durante as filmagens – e uma constante trilha sonora regada a batidas frenéticas.

Apesar de não possuir monstros ou elementos consagrados em filmes de gênero, Clímax apresenta seu terror de uma forma mais intimista, mostrando que o medo existe também – e talvez até mais intenso – quando as pessoas perdem suas barreiras morais e se mostram como os piores perigos imagináveis, agindo como bestas sedentas por sangue.

É perturbador ver uma criança no meio do caos, irmãos praticando incesto e amigos atacando uns aos outros, enquanto a protagonista, Selva (Sofia Boutella) caminha e se debate pelos corredores repletos de dançarinos enlouquecidos. Com uma paleta de cores sombria e colorida, com muito vermelho e referência à filmes de terror clássicos (pode-se perceber o apreço do diretor ao filme Suspiria de Dário Argento, entre outros), Clímax provoca vários tipos diferentes de emoções no expectador.

A produção foi realizada em um tempo bastante reduzido, consumindo apenas um mês para que as filmagens fossem concluídas. Os diálogos improvisados, apesar de entregarem bastante espontaneidade nas cenas, não são o ponto forte do longa, mas mostram o quanto esse tipo de aposta apresenta seus pós e contras. Porém, o mesmo ponto fraco do filme também se mostra em alguns momentos, como o ponto forte, especialmente em relação às reações sinceras da maioria dos personagens, que foram possíveis graças aos improvisos.

O roteiro escrito por Noé também é bastante pertinente, uma vez que conta com mais de 20 personagens e relega tempo de tela e algum tipo de desenvolvimento (mesmo que raso) para praticamente todos eles.

 

Clímax não é um filme para todos os públicos, mas para quem é fã de filmes de gênero ou quem desejam uma experiência diferente e perturbadora, é com certeza uma ótima pedida.

CLÍMAX
4.5

RESUMO:

Conhecido por seu estilo peculiar, Gaspar Noé apresenta um um excelente terror atmosférico em Clímax.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...