Crítica | 2ª temporada de ‘Elite’ acerta em cheio no carisma e diversão, sem deixar polêmicas de lado

Embarcando no atual sucesso de séries espanholas, Elite foi uma grata surpresa que a Netflix trouxe ao seu catálogo original. Polêmica antes mesmo de sua estreia, a série teen que retrata o cotidiano, crimes e relacionamentos de um grupo de adolescentes de classe alta da Espanha conseguiu conquistar uma boa parcela de fãs, garantindo assim, seu retorno para um segundo ano. 

Apesar da premissa batida, e o ambiente escolar parecer ter sido retirado da novela mexicana Rebelde, Elite conseguiu sair da mesmice entregando uma trama bem construída, com ótimos personagens, e temas importantes sem deixar a diversão e o carisma de lado. A série sabe dosar de forma orgânica os momentos sérios com os mais brejeiros, tornando gostosa a experiência de assisti-la, sem se tornar cansativa em nenhum momento. 

Neste segundo ano, o roteiro soube retornar com o que a primeira temporada trouxe de melhor, elevando a qualidade do material, e deixando de lado qualquer tipo de protagonismo que alguns personagens pareciam ter, oferecendo um tempo de tela quase igualitário para que todos consigam brilhar e participar de trama de forma conjunta. Ninguém é deixado de lado, e isso é bastante satisfatório pois fornece ao espectador a chance de conhecer mais a fundo personagens que não tiveram grandes momentos na temporada anterior. 

A trama? Como dito, a premissa é batida, e a série traz de volta a mesma estrutura de antigamente, apresentando um novo mistério, e contando a história por meio de flashbacks até que eles alcancem o momento atual. Dessa vez, os alunos de Las Encinas vão precisar lidar com as consequências do assassinato de Marina (María Pedraza) que, muitos deles, acreditam ter sido causado por Nano (Jaime Lorente) enquanto, na verdade, o buraco é mais embaixo. Polo (Álvaro Rico) e Carla (Ester Expósito) precisam esconder o segredo de serem culpados pela morte da garota, enquanto Samuel (Itzan Escamillase envolve em um novo relacionamento para tentar descobrir o verdadeiro assassinato de Marina e inocentar seu irmão.  

É interessante notar que, por mais que cada temporada traga um mistério que rodeie a trama, a própria série coloca o seu maior foco nos dramas e conflitos do cotidiano, mesmo que alguns desses arcos não estejam relacionados ao mistério principal. Nessa temporada, o desaparecimento de um dos adolescentes é quase uma subtrama, fazendo com que as consequências do assassinato de Marina, os relacionamentos entre os personagens, e até mesmo as festas, sejam mais interessantes do que a descoberta da causa do desaparecimento.  

Quando a série foca nestes pontos, ela se sai muito melhor. Os personagens são o forte da série, e dessa vez nenhum deles é deixado de lado. Todos são encaixados de alguma forma na trama principal, mesmo aqueles que não frequentam Las Encinas, como é o caso de Omar (Omar Ayuso). Durante o ano anterior, sua trama era bastante secundária, e por mais que agora ainda seja, ele passa por um dos melhores desenvolvimentos da temporada, sendo encaixado no núcleo principal de forma natural. Seu relacionamento com Ander (Arón Piper), mais uma vez, se destaca, e mesmo passando por diversas turbulências, os dois conseguem protagonizar bons momentos.

Outro grande mérito deste novo ano é a inserção de novos personagens. Rebeca (Claudia Salas), Valerio (Jorge Lopes) e Cayetana (Georgina Amorós) são uma excelente adição ao elenco, e conseguiram ser encaixados sem nenhuma estranheza no núcleo principal. Mesmo com Cayetana possuindo o maior destaque entre os três, todos eles acrescentam de alguma forma à trama, sejam por suas atitudes, ou por simplesmente oferecerem um ombro amigo aos personagens. Valerio esbanja carisma com sua personalidade festeira, enquanto Rebeca conquista com sua sinceridade e extravagância.

Elite é bastante conhecida por suas polêmicas cenas de sexo, e por mais que aqui elas ainda estejam presentes, são reduzidas consideravelmente. Porém, mesmo deixando-as um pouco de lado, a série consegue polemizar com o tão comentado relacionamento incestuoso entre Lucrecia (Dana Paola) e Valerio. É corajosa a decisão dos roteiristas de trabalhar com um assunto tão polêmico e tabu na sociedade, mas, apesar de causar estranheza e incômodo – o que era, claramente, a intenção – o desenvolvimento desse arco é satisfatório.  

Devido do enorme sucesso da primeira temporada, é notável a produção mais caprichada para esse segundo ano. A fotografia passou a ser muito mais trabalhada, com tons de neon nas cenas de festa que deixam a série ainda mais prazerosa de se assistir. Os figurinos e, principalmente, as criativas fantasias durante o episódio de Halloween, são extravagantes e dão um charme a mais à série. É interessante notar a pequena referência que a direção faz à La Casa de Papel durante esse episódio.  

Com bons ganchos para a – já confirmada – terceira temporada, Elite encerra seu segundo ano em alta. Nunca se propondo a revolucionar o gênero, a série sabe debater assuntos sérios sem deixar a diversão de lado, e entrega excelentes personagens, bons dramas, e um carisma sem igual.

Entre diversos produtos para esse público, Elite consegue se destacar, se firmando como um dos melhores voltados para o público adolescente em alta atualmente.  

ELITE – 2ª TEMPORADA
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RESUMO:

Sem deixar as polêmicas de lado, Elite retorna com a mesma estrutura narrativa do ano anterior, mas com ainda mais carisma e dramas para dar e vender.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.