Festival de Toronto | Dia 07: ‘Lucy in The Sky’ decepciona; filmes exibidos em Cannes têm premiere canadense

O sétimo dia do  Festival de Toronto, (dia 11) foi marcado pela premiere de The Burnt Orange Heresy, de Giuseppe Capotond (EUA, Reino Unido); e True History of the Kell Gang, de Justin Kurzel (Austrália).

A seção especial teve uma vasta gama de exibições, dentre eles: Frankie, de Ira Sachs (França, Portugal); e Sibyl, de Justine Triet (Fraça, Bélgica) que estiveram na seleção oficial do Festival de Cannes 2019.

Seção de Gala

The Burnt Orange Heresy, que teve sua premiere mundial no Festival de Veneza e venceu o prêmio Fondazione Mimmo Rotella, apresenta James Figueras (Claes Bang), um carismático crítico de arte. Berenice Hollis (Elizabeth Debicki), sua fiel companheira, está aproveitando a viagem na Europa, se sentindo livre para ser o que sempre quis. Juntos, os dois visitam a luxuosa propriedade de Cassidy (Mick Jagger), um poderoso colecionador de arte. O anfitrião pede que James realize o roubo de uma obra-prima do estúdio de um famoso artista. Aceitando a tarefa, o crítico não poupa esforços para realizar um bom trabalho, mas logo percebe que a missão é mais difícil do que parece. Scott B. Smith assina o roteiro.

De acordo com o The Hollywood Reporter, The Burnt Orange Heresy é “um romance espetacular, repleto de referências da história da arte e as armadilhas de um neo-noir elegante e elegante, The Burnt Orange Heresy é uma espécie de vira-lata, mas não menos prazeroso do que passar um tempo – mesmo que não seja aconselhável fazer carinho…”

“O roteiro e os atores exalam charme e inteligência desde o início, mas a segunda metade é mais como um suspense elegante, algo que é eficiente, mas menos jocular e surpreendente. Uma das principais preocupações temáticas do trabalho – ou seja, quão bem conhecemos os outros e como o fato de todos mentirmos complica esse assunto – também parece evaporar à medida que The Burnt Orange Heresy se aproxima de um fim narrativamente satisfatório, mas tematicamente pouco assombroso“.

O outro longa que estreou na seção foi True History of the Kelly Gang, de Justin Kurzel. No filme se passa a ascensão e a queda do rebelde australiano Ned Kelly, consagrado como o maior bush ranger da história do país. Durante a década de 1870, incentivado pelo foragido Harry Power e pela prisão de sua mãe, Kelly recrutou um montante de rebeldes para planejar uma rebelião fatídica. O filme é baseado no romance de mesmo nome, vencedor do Prêmio Booker para Peter Carey. Shaun Grant é o responsável pela adaptação, enquanto George MacKay, Essie Davis, Nicholas Hoult, Charlie Hunnam, Russell Crowe, Orlando Schwerdt, Thomasin McKenzie, Sean Keenan, Earl Cave, Marlon Williams, Louis Hewison integram o elenco.

De acordo com o The Playlist, “o filme de Kurzel celebra a própria Austrália, como um lugar sem lei, com todo o potencial bruto da fronteira americana, tanto quanto celebra Kelly. Fotos aéreas deslizam sobre as extensões naturais do Outback, onde árvores nuas fantasmagóricas pontuam estranhamente as infinitas extensões de planícies. Esse é um tipo de beleza hostil, o equivalente nacional de um rosto que apenas uma mãe poderia amar, e Kelly adora de todo o coração. Não importa quantas vezes ele vá para a civilização para se sustentar, em um ponto inicial da tutela do antecessor Harry Power (Russell Crowe), em Melbourne, ele sempre volta para os selvagens selvagens. Ele não pode negar sua verdadeira natureza, a de um Kelly e um irlandês desalojado, em ambos os casos um despertar de ralé…”.

True History of the Kelly Gang (2019)

Seção Especial

Foram exibidos os longas: Frankie, de Ira Sachs (França, Portugal); Dirty Music, de Gregor Jordan (Reino Unido, Austrália); Lucy in the Sky, de Noah Hawley (EUA); The Elder One, de Geetu Mohandas (Índia); Sibyl, de Justine Triet (Fraça, Bélgica); The Painted Bird, de Václav Marhoyl (República Checa, Ucrânica, Eslováquia); e Lyrebird, de Dan Friedkin (EUA).

No filme de Ira Sachs, Frankie (Isabelle Huppert) é uma famosa atriz francesa. Quando descobre estar muito doente, com perspectiva de morrer dentro de poucos meses, ela se refugia em Sintra, Portugal, onde pretende passar os seus últimos dias, ao lado dos familiares, que aos poucos descobrem a gravidade da situação. Brendan Gleeson, Marisa Tomei, Jérémie Renier, Pascal Greggory, Vinette Robinson, Ariyon Bakare, Greg Kinnear, Sennia Nanua, Carloto Cotta completam o elenco.

Em Sibyl, Sibyl (Virginie Efira) é uma psicoterapeuta que luta para se manter sóbria após superar o vício em álcool. Quando decide interromper os atendimentos de pacientes para se dedicar à escrita, recebe a visita inesperada de Margot (Adèle Exarchopoulos), uma atriz em crise durante uma filmagem. Apesar da recusa inicial, Sibyl aceita atendê-la, e logo percebe que a vida conturbada da artista representa o material perfeito para seu novo romance. Gaspard Ulliel, Sandra Hüller, Laure Calamy, Niels Schneider completam o elenco.

Ambos os filmes foram exibidos no Festival de Cannes. Para conferir mais sobre eles, acesse: o sétimo dia do Festival – exibição de Frankie -, e o décimo primeiro dia – exibição de Sibyl -.

Presa em um relacionamento sem amor com o lendário pescador local Jim Buckridge (David Wenham), a desolada Georgie (Kelly Macdonald) fica apaixonada por Lu (Garrett Hedlund), um jovem caçador que está invadindo o território de seu parceiro tirânico. Em Dirt Music, Gregor Jordan cria roteiro a partir da adaptação do aclamado romance de Tim Winton (2001). Julia Sarah Stone e Aaron Pedersen completam o elenco.

O filme não agradou à crítica, sem possuir até então, uma crítica positiva no Metacritic. De acordo com aVariety, “o romance de Tim Winton, 2001, Dirt Music, contou a história de dois solitários assombrados atraídos para um estranho triângulo amoroso em uma remota vila de pescadores na costa da Austrália Ocidental. Mas o cenário do romance sempre foi seu personagem mais vibrante, com Winton dissecando e elogiando as belíssimas selvagens selvagens e míticas do maior estado da Austrália em passagens extensas. Nesse sentido, a adaptação do diretor Gregor Jordan é fiel ao romance de Winton por uma falha, trabalhando duro para fornecer vistas perfeitas para o cartão postal da Austrália Ocidental, embora nunca pareça estar envolvida com os personagens do filme, e aqui isso prova um obstáculo muito maior. Centrado em personagens que agem sem muita lógica, com grande parte de seu diálogo confinado a explosões de hemingwayismos insatisfatórios, Dirt Music é um romance bonito que nunca encontra a chave certa”.

Natalie Portman protagoniza Lucy in the Sky juntamente com Jon Hamm, Zazie Beetz, Dan Stevens, Colman Domingo, Ellen Burstyn, Nick Offerman, Tig Notaro, Pearl Amanda Dickson, Jeffrey Donovan. Brian C Brown, Elliott DiGuiseppi, Noah Hawley são os responsáveis pelo roteiro.

Enquanto a astronauta Lucy Cola (Natalie Portman) olha a Terra de longe enquanto está em uma missão, sua visão do ponto azul pálido muda profundamente toda a sua perspectiva. Quando ela volta, tudo o que Lucy quer é voltar ao espaço – não importa o quê. Sua vida familiar modesta perde seu fascínio e o apoio reconfortante de seu gentil marido Drew (Dan Stevens) é repentinamente menos atraente do que o carisma masculino de um colega astronauta, Mark (Jon Hamm), um divorciado desconcertantemente ansioso para incentivar um caso. Enquanto ela treina determinadamente para sua próxima missão, sua crescente dissociação ameaça desmantelar sua vida pessoal e profissional.

Um dos filmes mais aguardados do Festival, desaponta. Lucy in the Sky possui uma das piores médias no site Metacritic a partir dos veículos que escreveram crítica até o momento. De acordo com o Screen Daily, “…Lucy In The Sky tem ambiciosos floreios visuais, uma performance ousada de Natalie Portman e poucas percepções sobre as peculiaridades do comportamento humano. Em sua estréia na direção de longas-metragens, o showrunner de televisão Noah Hawley exibe alguns dos mesmos toques inventivos que são sua marca registrada em programas como Legion. Mas, apesar de todos os arabescos estilísticos deste filme, ele não apresenta um retrato psicológico convincente de uma mulher talentosa e motivada que de repente, aparentemente inexplicavelmente, joga fora sua vida em busca de um flerte fugaz…”.

Lucy in the Sky (2019)

Além disso, destacam somente os aspectos técnicos. “A diretora de fotografia de Legion, Polly Morgan, encanta os olhos com sua iluminação e enquadramento dramáticos – muitas vezes, a proporção muda de cena durante uma cena, nos forçando a olhar pela tela enquanto a imagem diminui ou se expande – enquanto o editor Regis Kimble (Legion e Fargo) se alterna entre períodos de tempo e estados subjetivos, o que sugere o lento desenrolar de Lucy. Pena, então, que Lucy esteja tão empolgada por usar seu personagem principal como um trampolim criativo que raramente se incomode em considerá-la como algo mais do que alguém que vale a pena colocar muito espetáculo”.

The Elder One é escrito e dirigido pelo indiano Geetu Mohandas, que apresenta uma visão inabalável, mas inspiradora de Mumbai, através da história de dois irmãos de cidade pequena, cada um com seu próprio motivo para fugir para a cidade grande, neste drama urgente que pondera gênero, sexualidade, violência e tolerância.

The Elder One se preocupa com uma árdua busca de encontrar um parente desaparecido. Mas essa história de dois irmãos, que saem de casa por suas próprias razões, expande o escopo do já generoso senso de diversidade da experiência indiana de Mohandas. Nivin Pauly, Sanjana Dipu, Shashank Arora, Sobhita Dhulipala, Roshan Mathew, Dileesh Pothan, Harish Khanna, Sujith Shankar, Melissa Raju Thomas integram o elenco. 

De acordo com o In The Seats, “Embora ‘ofuscado’ seja o adjetivo incorreto para descrever o primeiro ato deste filme; incompreensivelmente iluminado é provavelmente o melhor descritor. A história de amor de flashback do filme é excelente e comovente, mas é lançada em uma Cidade de Deus (2002) como um suspense urbano que é editado em excesso, cheio de ângulos estridentes e apresenta um uso copioso de várias bobagens de taxa de quadros. A estética final é extravagante. Em grande parte, essa é a frustração presente em assistir The Elder One. Provavelmente, existe uma história de amor maravilhosa e comovente enterrada em algum lugar do interior, mas ela é tão profunda que é difícil demais procurar”.

Em The Painted Bird, um jovem garoto judeu encontra o pior da humanidade enquanto perambula pela Europa Oriental durante a Segunda Guerra Mundial, na adaptação do diretor Václav Marhoul do infame romance sobre o Holocausto de Jerzy Kosinski. O elenco é formado por Petr Kotlár, Stellan Skarsgård, Harvey Keitel, Barry Pepper, Julian Sands, Udo Kier, Lech Dyblik, Jitka Cvancarová, Aleksey Kravchenko. Václav Marhoul escreve, produz e dirige o longa.

O filme foi exibido no Festival de Veneza, para saber mais sobre, acesse. (dia 7 de Veneza)

Na estreia na direção de Dan Friedkin, em Lyrebird, um soldado e membro da resistência holandesa (Claes Bang) investiga arte roubada após a Segunda Guerra Mundial, incluindo um Vermeer vendido aos nazistas por um pintor extravagante (Guy Pearce). Enquanto Joseph Piller lutava na resistência holandesa durante a Segunda Guerra Mundial, Han van Meegeren vendia pinturas aos nazistas. No final da guerra, Piller estava identificando e redistribuindo arte roubada, e van Meegeren havia sido acusado de colaboração – um crime punível com a morte. Vicky Krieps, Guy Pearce, Roland Moller, Claes Bang integram o elenco. Mark Fergus, James McGee, Hawk Ostby assinam o roteiro.

De acordo com a Variety, “se The Square –  A Arte da Discórdia revelou que o ator dinamarquês Claes Bang era um super talentoso, alto e elegante, Friedkin é um dos primeiros a capitalizar o potencial do ator, colocando-o como procurador da audiência, o capitão Joseph Piller, “judeu holandês num uniforme canadense.” O roteiro, co-escrito por James McGee e Mark Fergus e Hawk Ostby, da dupla Homem de Ferro, tem uma tendência de articular fatos importantes (como aquele) por meio de um diálogo expositivo desajeitado, no qual os personagens começam suas linhas: você sabe … ”, antes de colocar um contexto valioso para a história a seguir…”.

“Esse não é o tipo de narrativa que lisonjeia a inteligência do público, e, no entanto, esclarecer as coisas garante que os espectadores que não gostam de trabalhar demais possam acompanhar com facilidade e se concentrar nos outros prazeres do filme – ou seja, o desempenho de Pearce e o caso sinuoso do “Vermeer” desaparecido…”.

Acompanhe aqui os outros dias do Festival de Toronto.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.