Festival de Toronto | Dia 05: Performance de Bale é elogiada em ‘Ford vs Ferrari’; ‘Dois Papas’ agrada pela veia cômica

Na segunda-feira (09) ocorreu o quinto dia do  Festival de Toronto. Foram exibidos os longas Ford vs Ferrari, de James Mangold (EUA) e o vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, Coringa, de Todd Phillips (EUA) na Seção de Gala.

Dentre a seleção de filmes da seção especial, foram exibidos o novo filme de Kore-eda, A Verdade, filme que abruiu o Festival de Veneza, e o novo longa de Fernando Meirelles, Dois Papas.

Seção de Gala

A primeira exibição de gala do quinto dia do festival foi Ford vs Ferrari. O longa protagonizado por Matt Damon e Christian Bale se passa a década de 1960, quando a Ford resolveu entrar no ramo das corridas automobilísticas de forma que a empresa ganhasse o prestígio e o glamour da concorrente Ferrari, campeoníssima em várias corridas. Para tanto, contrata o ex-piloto Carroll Shelby (Matt Damon) para chefiar a empreitada. Por mais que tenha carta branca para montar sua equipe, incluindo o piloto e engenheiro Ken Miles (Christian Bale), Shelby enfrenta problemas com a diretoria da Ford, especialmente pela mentalidade mais voltada para os negócios e a imagem da empresa do que propriamente em relação ao aspecto esportivo.

Jon Bernthal, Catriona Balfe, Tracy Letts, Josh Lucas, Noah Jupe, Remo Girone, Ray McKinnon, JJ Field, Jack McMullen completam o elenco. O diretor e co-roteirista de Logan (2017), James Mangold é reponsável pela direção, enquanto Jez Butterworth, John-Henry Butterworth, Jason Keller assinam o roteiro.

O site Cinema Blend além de destacar a performance de Bale, apresenta: “Sob o olhar atento de Mangold, Ford x Ferrari conta uma história emocionante e inspiradora sobre o orgulho profissional e conta muito bem. O roteiro cria personagens ricos e complicados a partir de seu modelo de esporte menos importante (embora dois personagens de apoio arrastem o enredo principal com suas contribuições desnecessárias), e a precisão de Mangold para a realização de filmes ajuda o passeio a permanecer perpetuamente suave e rápido. Hollywood costumava se especializar nesses agradadores da multidão que se relacionavam com o público. Agora, eles são poucos e distantes entre si; portanto, quando alguém acelera e dispara em todos os cilindros, fica fora do seu caminho para apoiá-lo”.

Durante a conferência de imprensa, Christian Bale foi perguntado sobre como foi dar um soco em Matt Damon, seu colega. “Foi tão gratificante.”, brincou o ator. Além disso, Bale compartilhou sua experiência no cinema: “Esses homens excêntricos, apaixonados e levemente insanos, com um objetivo comum. É tão atraente de interpretar.”. Seu colega, Josh Lucas, afirmou que “É muito difícil quando você discorda moral e totalmente do seu personagem, mas tenta encontrar uma maneira de descobrir quem é esse cara”.

Ford vs. Ferrari (2019)

Ford Vs Ferrari dividiu os holofotes da seção de gala com o novo filme de Todd Phillips, Coringa. No filme, Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante. O elenco ainda possui Robert De Niro, Zazie Beetz e Frances Conroy. Phillips escreveu o roteiro em parceria com Scott Silver.

De acordo com o Adoro Cinema, o filme é “violento e de uma efervescência política vibrante, Coringa é um novo capítulo na história do Palhaço do Crime que será lembrado por muitos e muitos anos. Entretanto, independente de sua ligação prévia, trata-se também de um filme brilhante pela forma como foi construído: a partir de um fundo psicológico calcado apenas na vida real, de forma que sua transformação seja verossímil não só em Gotham City, mas em qualquer cidade nas mesmas condições de desigualdade social. Fascinante.”

Para saber mais sobre o filme, acesse.

Coringa (2019)

Seção Especial

A seção paralela a seção de gala apresentou novos longas: Ordinary Love, de Lisa Barros D’Sa e Glenn Leyburn (Reino Unido); Mosul, de Matthew Michael Carnahan (EUA); A Verdade, de Hirokazu Kore-eda (França, Japão); Uncut Gems, de Benny Safdie e Josh Safdie (EUA); Dois Papas, de Fernando Meirelles (EUA, Reino Unido, Argentina, Itália); e Guns Akimbo, de Jason Lei Howden (Alemanha, Nova Zelândia).

Com roteiro de Owen McCafferty, Ordinary Love, protagonizado por Liam Neeson e Lesley Manville, apresenta os dois como um casal de longa data que enfrenta um diagnóstico de câncer.

De acordo com o The Guardian, “o filme é escrito por Owen McCafferty e atuou com inteligência e sensibilidade impecáveis ​​por Lesley Manville e Liam Neeson. E, embora haja alguns momentos de choro um pouco estereotipados, o filme tem um forte senso de propósito emocional e Manville e Neeson – talvez especialmente Manville – trazem convicção e força… Há, sem dúvida, cenas deste filme que são menos que sutis – e houve momentos em que eu queria algo mais indireto. Mas Manville e Neeson têm uma verdadeira empatia e intimidade na tela”.

Ordinary Love (2019)

Em Mosul, de Matthew Michael Carnahan, é 2016 quando em uma das zonas especialmente dizimadas de Mosul, Kawa (Adam Bessa) tem sua vida salva pelo Nineveh SWAT e se junta a eles na luta contra o ISIS. O longa é escrito pelo roteirista Matthew Michael Carnahan (Horizonte Profundo – Desastre no Golfo), que estréia com Mosul seu campo a partir da direção.

De acordo com o The Wrap, “…Mosul está mais preocupado com a insanidade da guerra urbana moderna e com os meandros de reorganizá-la na tela, do que realmente se aprofundando em estudos aprofundados sobre personagens. O ator Suhail Dabbach se absolve com a quantidade certa de gravitas como líder sóbrio do esquadrão, apenas o papel não exige muito mais dele. Em vez disso, Mosul avança como um jogo de ação ao vivo de Counterstrike, introduzindo uma granada lançada por foguete de Chekhov no primeiro ato e fazendo com que o espectador fique muito certo de que vai sair antes que a cortina caia. Mosul é mais do que apenas um épico de ação forte. Ele ganha um lugar no circuito de festivais deste ano, apenas pelo modo como rejeita parte da sabedoria mais perniciosa recebida do setor…”.

A Verdade, é o primeiro filme do aclamado diretor Hirokazu Kore-eda (Assunto de Família), realizado fora do Japão. Além disso é estrelado por Catherine Deneuve e Juliette Binoche como mãe e filha na indústria cinematográfica cuja colaboração profissional gera ressentimentos há muito enterrados. O filme abriu o Festival de Veneza, leia mais sobre a recepção dele aqui.

O novo filme dos diretores de Bom Comportamento (2016), Benny Safdie e Josh Safdie, Uncut Gems, é um eletrizante thriller policial sobre Howard Ratner (Adam Sandler), um carismático joalheiro de Nova York sempre à procura do próximo grande sucesso. Quando ele faz uma série de apostas de alto risco que podem levar à sorte de uma vida inteira, Howard deve realizar um ato precário, equilibrando negócios, família e atacando adversários por todos os lados, em sua busca incansável pela vitória final.

De acordo com o site IndieWire, “Adam Sandler incorporou muitas figuras desagradáveis ​​e auto-absorvidas ao longo dos anos, mas com “Uncut Gems”, ele interpreta o personagem mais desprezível em uma carreira de 30 anos. O acompanhamento dos diretores Joshua e Benny Safdie para Bom Comportamento está no mesmo comprimento de onda – abrasivo, desarranjado, impulsionado por um borrão incompressível de movimento e ruído. É também um ato fascinante, combinando visuais cósmicos com a energia sombria de um thriller psicológico sombrio e explosões repentinas de comédia frenética, e é o primeiro filme a se comunicar verdadeiramente com as forças performáticas de Sandler desde Embriagado de Amor (2002). Se Uncut Gems deixa as pessoas perturbadas, desorientadas, buscando clareza no caos da rotina agitada de um homem, isso tudo fala com a pura precisão de uma conquista visionária sob controle total”.

Uncut Gems (2019)

O brasileiro Fernando Meirelles é um dos destaques na seção especial com o seu novo longa Dois Papas. Em 2013, o progressivo papa Francis (Jonathan Pryce) e o conservador papa Benedict (Anthony Hopkins) debatem o melhor caminho a seguir para a Igreja Católica. Anthony McCarten (O Destino de Uma Nação) assina o roteiro do filme.

Meirelles é um dos principais diretores brasileiros com carreira internacional sólida, principalmente pela indicação ao Oscar de Melhor Diretor por Cidade de Deus (2002). A partir dai inicia sua carreira internacional com O Jardineiro Fiel (2005), Ensaio Sobre a Cegueira (2008) e 360 (2011).

De acordo com o Collider, “assistir Hopkins e Pryce se divertindo é uma explosão, porque você tem dois atores veteranos consumados, interpretando personagens diametralmente opostos que, independentemente dos sentimentos que você leva para o filme, não são pintados como bons ou maus. Alguns podem se encolher com o agnosticismo político do roteirista Anthony McCarten, mas Dois Papas não está realmente interessado em fazer uma declaração sobre toda a Igreja Católica, mas em examinar o homem que a lidera. Embora eu não me oponha a um filme que investiga as várias controvérsias levantadas pela igreja moderna, essa não é a história que Meirelles e McCarten são interessantes em contar. Em vez disso, eles querem pegar a figura única do papa e tentar encontrar sua humanidade e os conflitos que ele tem que enfrentar”.

No Festival de Toronto, Fernando Meirelles deu uma masterclass sobre a realidade de fazer um filme sob uma ditadura e o papel importante dos cineastas em tempos politicamente voláteis. Sobre Dois Papas, o diretor comentou que “Queria torná-lo realmente pessoal, são apenas dois velhos que por acaso são o papa e o cardeal”.

Dois Papas (2019)

No longa Guns Akimbo, um desenvolvedor nerd de videogame (Daniel Radcliffe) se torna o próximo participante de uma partida de morte ilegal transmitida ao vivo, neste thriller de ficção científica hilariantemente sombrio, violentamente violento e assustadoramente presciente. Samara Weaving, Natasha Liu Bordizzo, Ned Dennehy, Rhys Darby completam elenco.

De acordo com o Variety, “De certa forma, é injusto revisar o Guns Akimbo pelos padrões comuns de adultos. Assim como os telespectadores cristãos costumam reclamar quando críticos seculares analisam o entretenimento baseado na fé, talvez este filme deva ser pesado apenas para aqueles que realmente querem um videogame na forma de um filme. Para aqueles que terão 97 minutos de duração, eles não gastam jogos e, portanto, atraentes, tanto para descanso quanto para praticamente a mesma coisa, podem parecer uma explosão.”

“A sensibilidade geral de Howden é muito semelhante a suas abordagens aos jogos de câmera e editoriais aqui: tão acrobáticas que a falta de quase todo o conteúdo abaixo pode parecer para alguns espectadores um problema, mesmo sem entender o que está acontecendo. Existe realmente um ponto? Talvez filmes como esse não tenham sido feitos para o questionador”.

Guns Akimbo (2019)

Acompanhe aqui os demais dias do Festival de Toronto.

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Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.