Festival de Toronto | Dia 04: Adam Driver é elogiado por dois filmes; ‘ Pintassilgo’ decepciona e ‘Jojo Rabbit’ divide crítica

No quarto dia (08/09) do  Festival de Toronto, se destacaram os novos longas de Tom Harper e John Crowley. O ator Adam Driver protagonizou dois longas exibidos na seção especial e foi elogiado pelos dois por parte do público e crítica especializada. Novo longa de Noah Baumbach, História de um Casamento, foi o mais elogiado do dia.

A seção especial teve uma vasta gama de exibições, dentre filmes com estreia mundial, e filmes que já passaram por Cannes Veneza.

Seção de Gala

A seção de gala foi marcada pela premiere dos filmes: The Aeronauts, de Tom Harper (Reino Unido); O Pintassilgo, de John Crowley (EUA); e The Song of Names, de François Girard (Canadá).

Em 2014 os atores Eddie Redmayne e Felicity Jones protagonizaram A Teoria de Tudo, de James Marsh. O filme narra a história de Stephen Hawking (Redmayne) e o seu romance com Jane Wide (Felicity Jones), além da descoberta de uma doença motora degenerativa quando tinha apenas 21 anos. Os atores que foram premiados durante a temporada de premiações de 2014, incluindo Oscar de Melhor Ator para Redmayne, retomam a parceria e voltam a contracenar no novo longa de Tom Harper, The Aeronauts.

O filme se passa em Londres, em 1862 e conta a história do cientista James Glaisher (Eddie Redmayne) que está prestes a realizar o grande sonho de sua vida, ao iniciar uma viagem de balão de forma a pesquisar formas de se prever a metereologia. Sua companheira de viagem é Amelia Wren (Felicity Jones), veterana do balonismo que topou o desafio após um grande trauma em sua viagem anterior, quando seu marido faleceu. Juntos, eles enfrentam uma aventura rumo ao céus na tentativa de chegar a uma altitude inédita até então a qualquer ser humano. Jack Thorne assina o roteiro, enquanto Tom Courtenay, Himesh Patel completam o elenco.

De acordo com o Adoro Cinema, “Visualmente belo, The Aeronauts investe firme em uma fotografia paisagística de forma não só a realçar os momentos de paz e silêncio como, também, deslumbrar o espectador a partir da excelência técnica e um figurino de época convincente. Há ainda o curioso contraste que um filme que busca ser o mais contemporâneo possível em termos de cinema beba da fonte de algo quase anacrônico nos dias atuais, o balonismo. Um bom filme, que merece ser visto na sala de cinema de forma a plenamente atender sua proposta narrativa.”

The Aeronauts (2019)

Outro drama apresentado na seção foi O Pintassilgo, de John Crowley. Theo Decker (Ansel Elgort) tinha apenas 13 anos quando sua mãe morreu em um atentado em um museu, enviando-o em uma odisseia de pesar e culpa, reinvenção e redenção. Por tudo isso, ele se apega a um pedaço tangível de esperança daquele dia terrível: uma pintura inestimável de um pássaro acorrentado ao seu poleiro, O Pintassilgo. O filme do diretor de Brooklyn (2015) é baseado no romance best-seller de Donna Tartt de mesmo nome, adaptado por Peter Straughan. Ansel Elgort, Oakes Fegley, Aneurin Barnard, Finn Wolfhard, Sarah Paulson, Luke Wilson, Jeffrey Wright, Nicole Kidman integram o elenco.

Tido como uma das maiores decepções do festival, de acordo com o Omelete, “o filme condensa romance de Donna Tartt e acaba entregando resumo no lugar de adaptação.”. Para o site, “o roteiro de Peter Straughan não dá conta de representar a complexidade de Theo e a completa solidão que faz com que esconda por anos o quadro do pássaro acorrentado. Os dois períodos de tempo em que a adaptação é situada parecem desconexos, sem espaço para que nenhum dos momentos tenha o desenvolvimento necessário. A sensação é de que sempre há muito para ser dito, mas tudo não passa do conceito, sem chegar à realização.”

O Pintassilgo (2019)

O novo longa de François Girard, The Song of Names, se passa em meio à Segunda Guerra Mundial, na Europa, e conta a história de Martin (Misha Handley), um menino de 9 anos de idade que estreita laços com seu mais novo irmão de consideração, Dovidl (Jonah Hauer-King), um judeu refugiado em Londres. A admiração de Martin com relação a Dovidl fica ainda maior quando ele descobre que seu irmão é um prodígio do violino. Anos depois, justamente no dia de um grande concerto de música, Dovidl foge sem deixar nenhuma pista, causando uma enorme insatisfação na família. Porém, mesmo com um cenário tão caótico, Martin mostra que somente a música pode ser capaz de resolver as mais difíceis situações. Tim Roth, Clive Owen, Catherine McCormack, Gerran Howell e Luke Doyle completam o elenco, enquanto Jeffrey Caine (O Jardineiro Fiel) é responsável pelo roteiro, adaptado do livro de mesmo nome escrito pelo crítico de música Norman Lebrecht.

De acordo com o The Hollywood Reporter, o filme é “claramente feito por pessoas apaixonadas pela música clássica…”, além disso “é uma sorte que as composições originais de Shore aqui e os cortes do repertório clássico, alguns executados com habilidade impressionante pelo próprio ator infantil Luke Doyle, sejam fortes o suficiente para dar peso a um melodrama de outra forma sério e exigente em credulidade.”. Entretanto, “é um trabalho desigual e um tanto irregular, com performances duras dos líderes, que parecem ser faladores de fala, como se os tivessem aprendido em iídiche primeiro. Os atores que interpretam as versões mais jovens dos personagens brilham mais, especialmente em alguns dos momentos musicais de parar o show, como uma cena de violino de duelo em um abrigo subterrâneo de bombas.”


Seção Especial

Dentre os filmes que passaram pela seção especial no quarto dia do festival, estão: O Relatório, de Scott Z. Burns (EUA); Heroic Losers, de Sebastian Borensztein (Espanha); História de um Casamento, de Noah Baumbach (EUA); Bad Education, de Cory Finley (EUA); Endings, Beginnings, de Drake Doremus (EUA); Jojo Rabbit, de Taika Waititi (EUA); Weathering With You de Makoto Shinkai (Japão); Pelican Blood de Katrin Gebbe (Alemanha).

Estrelado por Adam Driver e Annette Bening, O Relatório estreou no Festival de Sundance. No filme, Adam Driver é um investigador obstinado que é chamado pelo Senado dos EUA para investigar o uso de táticas de tortura pela CIA após o 11 de setembro.

De acordo com o The Guardian, “Em termos brutos, pode ser visto como um cruzamento entre o Spotlight e The Post, embora eu afirme que é mais refinado do que os dois filmes, com seu foco a laser, resultando em uma audaciosa falta de vontade de receber material estranho…”. O site completa ainda afirmando que “Há tantos detalhes sendo compartilhados aqui, mas o escritor e diretor Scott Z Burns, mais conhecido por colaborar com Steven Soderbergh em Contágio, Terapia de Risco e O Delator!, engenhosamente construiu um filme que consegue se sentir estrito e desanimado, mas ainda totalmente absorvente. Seu roteiro é um grande feito, com um diálogo rápido e bem escrito preenchendo todos os cantos de cada cena, sem parecer tão sufocante quanto Sorkin dos últimos dias.”

Além de destacar também as performances, “Driver é totalmente natural, com material frequentemente difícil, exigente e intimidadoramente prolixo. Assim como o roteiro, ele é igualmente impulsivo e inquestionavelmente convincente como um homem que segue obstinadamente suas convicções com tantos de seus monólogos repletos de informações que merecem aplausos silenciosos. É uma performance contida na qual ele quase desaparece e atua como mais uma prova de sua versatilidade, diminuindo o encanto ou a confiança que pode ter tipificado muitos de seus papéis anteriores. Como Feinstein, Bening é excelente, pregando sua fisicalidade e entrega de linha, evitando qualquer tipo de caricatura ampla.”

The Report (2019)

No filme espanhol Heroic Losers, quando alguns vizinhos da zona rural da Argentina são roubados de suas economias por um advogado sem escrúpulos e gerente de banco, eles se unem para planejar um assalto elaborado e recuperar o que é deles. Ricardo Darín, Luis Brandoni, Chino Darín, Verónica Llinás, Daniel Aráoz, Carlos Belloso, Rita Cortese e Andrés Parra estrelam o longa. Sebastian Borensztein (Um Conto Chinês), Eduardo Sacheri (O Segredo dos Seus Olhos) escrevem o roteiro.

Para o Screen Daily, “De fato, embora vinculado a um lugar específico e a um capítulo distinto da história argentina, o conto sempre oportuno e universalmente relatável dos perdedores heroicos segue um caminho considerável… Heroic Losers não pesa em surpresas; não em seus ritmos confortáveis, olhar caloroso para as lutas rurais argentinas, momentos de punhos abertos ou performances confiáveis. O recurso de Borensztein também começa lentamente, apóia sua narrativa e não sabe quando terminar. E, no entanto, ao transformar a realidade sombria em uma fantasia edificante, este continua sendo um filme completamente agradável. É puro escapismo catártico, mas, quando o assalto central é acionado, o filme abre caminho para um território empolgante.”

O novo longa de Noah Baumbach, História de um Casamento, foi exibido no quarto dia do Festival de Toronto, entretanto, sua premiere ocorreu em Veneza. Charlie (Driver) é um dramaturgo que quer ficar em Nova York. Nicole (Johansson) é uma atriz que conseguiu um papel cobiçado na televisão que exige que ela se mude para Los Angeles. A disputa geográfica deles testa um relacionamento já tenso. Quando a Marriage Story começa, o divórcio do casal já está em andamento, com cada esquadrão legal recrutando várias táticas.

Assim como no Festival de Veneza, o filme foi muito elogiado pelo público em Toronto, além de ter sido considerado um dos melhores do festival, não só pelo roteiro mas principalmente pelas performances do elenco principal formado por Scarlett Johansson, Adam Driver, Laura Dern, Alan Alda, Ray Liotta. Confira aqui mais sobre o longa.

História de um Casamento (2019)

Hugh Jackman, Allison Janney, Ray Romano e Geraldine Viswanathan protagonizam Bad Education, dirigido por Cory Finley (Puro-Sangue) e escrito por Mike Makowsky (I Think We’re Alone Now). Frank Tassone (Hugh Jackman) trabalha como superintendente de colégios, gozando de imenso prestígio junto aos professores, pais e alunos da escola me que trabalha. Um dia, ao ser entrevistado pela adolescente Rachel (Geraldine Viswanathan) para o jornal do colégio, ele a incentiva a sempre inserir sua assinatura própria em qualquer matéria que faça, por menor que seja. Inspirada pela conversa, ela resolve investigar sobre uma custosa empreitada que está prestes a acontecer, o projeto Skywalk, e acaba descobrindo uma série de fraudes na contabilidade da escola feitas pelo próprio Frank.

De acordo com o The Guardian, “Por um longo período de Bad Education, não temos muita certeza de onde o filme está indo ou de qual é o filme, se estamos em um território eleitoral sombrio e cômico ou em algo mais direto e dramático…”.

“Embora nunca seja exatamente monótono ver Janney repetir seu shipp excêntrico, embebido em álcool, vencedora do Oscar e do Emmy, é um alívio vê-la mais tranquila aqui. Ela é maravilhosamente contida e totalmente credível ao interpretar uma mulher cuja única motivação real estava querendo mais da vida… Mas o verdadeiro craque do filme é um Jackman nunca melhor, acompanhando uma virada subestimada no ano passado, O Favorito, com outro protagonista difícil e inescrutável. É um trabalho fascinante de personagem por razões que seria injusto eu revelar, mas existem profundidades ocultas e trágicas e é uma das melhores performances que já vimos dele, pois ele parece estar prosperando em uma nova fase desafiadora e emocionante de sua carreira”.

Bad Education (2019)

Em Endings, Beginnings, uma mulher idealista (Shailene Woodley) tenta colocar sua vida nos trilhos financeira e romanticamente, mas fica presa em um triângulo amoroso com um menino mau de espírito livre (Sebastian Stan) e seu melhor amigo mais estável e acadêmico (Jamie Dornan). O diretor de Loucamente Apaixonados (2011) assina o roteiro juntamente com Jardine Libaire.

Para o site The Playlist, “O problema de Endings, Beginnings é que Doremus nunca se incomoda em nos dar uma razão convincente para se preocupar com uma única dessas pessoas, além do fato de que as estrelas do cinema as interpretam. Para piorar as coisas, ele os enterra em um mar de clichês de drama de relacionamento indie: os personagens olham pela janela enquanto a música suave do piano toca, eles sussurram banalidades como “parece a luz de uma estrela: leva tanto tempo para chegar onde está”… Ele acaba com uma paródia do ‘Drama Indie do Earnest Festival'”.

Endings, Beginnings (2019)

O novo filme de Taika Waititi, que teve estréia no Festival de Veneza, acompanha Jojo (Roman Griffin Davis),um jovem nazista de 10 anos, que trata Adolf Hitler (Taika Waititi) como um amigo próximo, em sua imaginação. Seu maior sonho é participar da Juventude Hitlerista, um grupo pró-nazista composto por outras pessoas que concordam com os seus ideais. Um dia, Jojo descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) está escondendo uma judia (Thomasin McKenzie) no sótão de casa. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, o jovem rebelde começa a desenvolver empatia pela nova hóspede. Rebel Wilson, Stephen Merchant, Alfie Allen, Sam Rockwell completam o elenco.

O filme possuiu recepção variada, no site Metacritic possui dez críticas positivas, nove medianas e três negativas. De acordo a Games Radar, “o roteiro irreverente e pateta de Waititi dá uma guinada para a esquerda no romance sombrio de Christine Leunens, Caging Skies, no qual se baseia, e embora brinque com o horror do Terceiro Reich, nunca examina suas piores atrocidades (o genocídio é abordado em uma piada descartável). E isso talvez seja descuidado demais no mundo atual de uma ditadura crescente de extrema-direita e furtiva. Mas se você estiver procurando por escapismo vertiginoso, músicas de Bowie e um tempo sem desculpas com uma ordem paralela de lembrança da Segunda Guerra Mundial, você se divertirá tanto quanto o elenco claramente fez isso”.

Jojo Rabbit (2019)

A nova animação do diretor de Seu Nome (2016), Makoto Shinkai, acompanha um estudante do ensino médio que sai para passear pela cidade. Inusitadamente, ele encontra com uma menina que parece ter o poder de controlar o tempo.

De acordo com o Collider, “Weathering With You é um belo filme com animação de tirar o fôlego, uma história e trilha sonora que fará você chorar oceanos e um elenco de personagens maravilhosos e encantadores. Infelizmente, ele envolve a história em uma visão conflitante da mudança climática que parece um arenque vermelho desnecessário para um filme que parece querer conversar com as gerações atuais sobre algo importante, mas nunca inicia uma conversa.”

Pelican Blood, de Katrin Gebbe estreou no primeiro dia do Festival de Veneza. No filme, a idílica vida no campo de uma mãe é ameaçada quando sua segunda filha recém-adotada muda de tímida e encantadora para ameaçadora e perigosa, no drama dramático de Katrin Gebbe. Para saber mais sobre o longa, acesse.

Acompanhe aqui o que ocorreu nos outros dias do Festival de Toronto.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.