Crítica | ‘Legion’ se despede com um final épico digno de quadrinhos em 3ª temporada

Uma das séries mais diferentes dos últimos tempos, Legion faz parte do universo da Marvel, porém, vai na contramão das séries que fazem parte do universo compartilhado dos filmes da Marvel Studios, como Agents of SHIELD, bem como das séries em parceria com a Netflix, como Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, entre outras.

As produções citadas procuram se assemelhar bastante com o universo dos quadrinhos, criando narrativas lineares e sóbrias, porém, Legion, desde a primeira temporada, adota uma maneira bastante diferente de contar sua história. Acompanhando o poderosíssimo mutante classe ômega David (Dan Stevens), vemos um protagonista que de início, nada tem de heroico, uma vez que está internado em uma clínica psiquiátrica, tendo que lidar com diversos tipos de pessoas insanas.

Dessa forma, a primeira temporada segue os questionamentos de David acerca de sua própria sanidade, inclusive em relação aos seus poderes, ao mesmo tempo em que nasce uma paixão com sua colega, que também está internada, Sidney (Rachel Keller) , também possui estranhos poderes.

Porém, o primeiro ponto de virada é quando temos certeza de que David não é necessariamente insano (ou pelo menos não no sentido comum da palavra), mas que ele é assombrado por uma espécie de parasita que habita em sua mente, alimentando-se de seus poderes. Essa criatura, que muitas vezes é representada por um monstro semelhante ao Bicho Papão e que também é representada pela figura de sua amiga Lenny (Aubrey Plaza) é o principal antagonista e com quem David trava uma constante batalha até finalmente descobrir que é mais poderoso e a expulsa de sua mente.

Aliado a uma organização de mutantes e cientistas, após expulsar o parasita conhecido como Farouk, que agora deixa de ser visto como Lenny e agora surge como a manifestação do Rei das Sombras (Navid Negahban), a nova ameaça é muito pior do que a primeira, pois não envolve apenas o conflito interno do protagonista e sim, o destino do próprio mundo.

Os problemas de David começam quando ele tem contato com a versão de Sidney do futuro que, mesmo estando sem um braço, revela que um desastre está para destruir o mundo, como é conhecido. Conforme o enredo avança, descobre-se que na verdade o responsável pela destruição do mundo não é Farouk, mas sim, o próprio David, que graças aos seus problemas psicológicos e conflitos internos, começa a ficar bastante desequilibrado. Apesar de ser bem intencionado, David se vê com sérios dilemas, inclusive em relação ao relacionamento com Sidney, e poderoso como é, acaba por usar seus poderes para solucionar esses problemas de forma trapaceira, o que resulta em problemas maiores ainda.

TODOS CONTRA DAVID

E é nesse clima que começa a terceira temporada, com David sendo caçado por Sidney, a organização e pelo próprio Farouk, que se uniu a eles na caçada pelo protagonista a fim de salvar o mundo. Em contrapartida, o protagonista busca uma viajante do tempo para voltar ao passado e mudar os eventos que fizeram com que ele se tornasse o inimigo número 1 de seus antigos aliados. Essa é inclusive, uma forma de recuperar o amor da sua vida, Sidney.

Com a ajuda da viajante temporal, Switch (Lauren Tsai), David começa a realizar viagens ao passado, que liberam os monstros do tempo e vários desastres e loops temporais começam a ocorrer, ameaçando a própria realidade.

Em sua jornada, focado em seus objetivos, David acaba por realizar feitos bastante cruéis em Legion, eliminando a todos em seu caminho, tornando o próprio protagonista em um vilão propriamente dito. Vemos também, uma característica do personagem dos quadrinhos que ainda não havia sido tão bem explorada, e que também dá nome a série, o aspecto da legião.

David possui dentro de sua mente, uma legião de Davids, cada um com sua própria personalidade, muitas delas, inclusive, bastante maquiavélicas, e que fazem com que ele tome decisões questionáveis.

Um fator bastante interessante é que conforme os episódios vão se desenrolando, começamos a entender um pouco sobre a personalidade de David e a razão de ele estar cometendo todos esses atos. Graças aos eventos do passado, envolvendo seus pais e Farouk, percebemos que na verdade, a única coisa que ele sempre quis, foi ser amado.

A narrativa de Legion sempre foi um aspecto bastante interessante de ser discutido. A direção de arte e a fotografia respeitam uma identidade visual bastante espontânea, que acompanham os aspectos insanos criados pelo roteiro. A própria narrativa não chega a ser homogênea, pois até o formato da projeção, o chamado aspect ratio (proporção de tela) é alterado conforme os eventos descritos pelo enredo.

A série está sempre encontrando formas diferentes de filmar e isso é bastante divertido para o público. Mesmo as cenas de ação são bastante criativas e sempre respeitando a narrativa irônica e que gosta de fazer piada com tudo, assim como os diálogos e tudo o mais. Existe um que de humor negro em muitas cenas, assim como uma certa acidez nas piadas.

Para os fãs de X-Men, nessa temporada, somos apresentados a uma versão jovem do icônico Charles Xavier (David Haller) e que garante uma cena juntamente com David que é linda de se ver.

Legion – 3ª Temporada vai deixar saudades, mas se encerra com a sensação de missão cumprida, após entregar um épico que parece que saltou das páginas de uma história em quadrinhos da Marvel.

LEGION - TERCEIRA TEMPORADA
4.5

RESUMO:

Diferente para seu gênero, Legion mantém a pegada e se despede no auge em sua terceira temporada.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...