Festival de Veneza | Dia 2: Almodóvar ganha Leão de Ouro pela carreira; Mansour, Baumbach e Gray emocionam com seus longas

No segundo dia do Festival de Veneza, 29 de agosto, teve início a programação de curtas-metragens na seção Orizzonti Cortometraggi, Pedro Almodóvar ganhou o prêmio Leão de Ouro pela carreira, e os longas de James Gray, Haifaa Al Mansour e Noam Baumbach estrearam na seleção oficial.

Orizzonti Cortometraggi

Os curtas exibidos na seção foram: Roqaia de Diana Saqeb Jamal (Afeganistão, Bangladesh); Sabbia de Kyungrae Kim (Coréia do Sul); Delphine de Chloé Robichaud (Canadá); Cães que Ladram aos Pássaros de Leonor Teles (Portugal); Condor de Kevin Jerome Everson (EUA); Supereroi Sensa Superpoteri de Beatrice Baldacci (Itália); Nach zwei Stunden waren zehn Minuten vergangen de Steffen Goldkamp (Germânia); The Driver de Jamie Helmer, Michael Leonard (França, Austrália); Sh_t Happens de Michaela Mihályi, David Štumpf (República Checa, Eslováquia e França); Le coup des larmes de Clémence Poésy (França); Darling de Saim Sadiq (Paquistão, EUA); Fiebre Austral de Thomas Woodroffe (Chile); GUO4 de Peter Strickland (Hungria); Kingdom Come de Sean Robert Dunn (Reino Unido) e Give Up The Ghost de Zain Duraie (Jordânia, Suécia, Germânia).

Pedro Almodóvar vence o prêmio Leão de Ouro por sua carreira

A homenagem ao diretor espanhol Pedro Almodóvar ocorreu no teatro Sala Grande do festival, mesmo lugar de estreia do diretor no campo internacional em 1988 com Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. “Era um jovem realizador e, para mim, o mero fato de participar em um festival internacional era um milagre”, disse o diretor. O espanhol, de 69 anos, ainda agradeceu a homenagem e considerou o Leão de Ouro “uma compensação, mas também um ato de justiça política”.

De acordo com a Isto É, Alberto Bonisoli, ministro do Patrimônio Cultural da Itália, também esteve presente e afirmou que “a honraria concedida ao mestre é um reconhecimento merecido por ser um diretor que foi capaz de interpretar as mudanças de nossa era e dizer sobre elas com um ponto de vista original”.

Para o diretor do evento, o crítico italiano Alberto Babera, Almodóvar “não é apenas o diretor espanhol mais influente desde Buñuel, ele é um cineasta que nos ofereceu os retratos mais multifacetados e provocantes da Espanha pós-Franco”. A presidente do júri deste ano, Lucrecia Martel, também discursou antes do prêmio ser entregue ao diretor: “Muito antes de mulheres, homossexuais e pessoas trans ficarem doentes, em massa, do lugar miserável que ocupamos na história, Pedro já havia nos tornado heroínas, já havia reivindicado o direito de nos reinventar para nós mesmos. Mas agora, Pedro, que a extrema direita está aumentando em todo o mundo como se nada tivesse acontecido, agora mais do que nunca, precisamos de você.”

“Quando comecei a fazer filmes, não se falava em diversidade. A vida era muito diferente… Como diretor, coloquei em todos os meus filmes toda a variedade que havia na vida… O poder do cinema me permitiu mostrar as pessoas que vi nas ruas, a vida.” disse Almodóvar.

Orizzonti

Uma das seções mais famosas do festival é dedicada a filmes que representam as últimas tendências estéticas e expressivas do cinema internacional, com atenção especial aos filmes de estréia, jovens talentos ainda não estabelecidos, características independentes e cinema menos conhecido, além de trabalhos que abordem gêneros específicos e produção atual, com o objetivo de inovar e demonstrar originalidade criativa.

Na seção Orizzonti foram exibidos dois longas que marcam a estreia desses diretores. Verdict de Raymund Ribay Gutierrez (Filipinas, França) com Max Eigenmann, Kristoffer King, Jorden Suan, Rene Durian no elenco. E o longa Sole de Carlo Sironi (Itália, Polônia) com Sandra Drzymalska, Claudio Segaluscio, Barbara Ronchi e Bruno Buzzi.

Verdict acompanha a história de Joy (Max Eigenmann), seu marido Dante (Kristoffer King) e a filha Angel (Jordhen Suan), de seis anos, que moram em Manila. Joy é constantemente agredida por seu marido quando o mesmo chega bêbado em casa. Um dia, ele também machuca Angel. Determinada a colocar um fim nesta situação, Joy pega sua filha e foge para a delegacia para finalmente denunciá-lo. Apesar de contar com a ajuda da polícia, a mulher sente que algo pior está para acontecer.

Apesar desse ser o primeiro longa de Gutierrez, sua estréia vinha sendo muito esperada, depois que seus dois curtas Imago (2016) e Judgment (2018) concorreram pela Palma de Ouro de Melhor Curta em Cannes. Para o The Hollywood Reporter, apesar da mensagem que o filme quer passar, a história não é o suficiente para se manter por duas horas inteiras.

Boyd van Hoeij afirma que “Há uma sensação de que Gutierrez, que também escreveu o roteiro, está interessado no caso do tribunal como um exemplo de algo que ocorre muito nas Filipinas, com especialmente as cenas finais sugerindo que existem milhares de casos como esse. E é uma ótima idéia fazer um filme sobre a dificuldade de uma mulher em tentar obter um julgamento justo quando o sistema, já extremamente burocrático e lento, não parece realmente ser igual para todos. Mas essas são idéias genéricas e, finalmente, bastante escassas para um filme de duas horas. Na verdade, é impossível sustentar esse tempo de execução quando os bonequinhos preenchem o que é essencialmente um procedimento seco, por mais que você agite uma câmera nele.”

Já o longa Sole tem como personagem central Lena (Sandra Drzymalska) que está grávida de sete meses e pronta para vender o bebê em sua barriga. Por este ser um ato ilegal, Ermanno (Claudio Segaluscio) concorda em fingir que é o pai, até que a criança seja vendida. Em um mundo em que o dinheiro é a única coisa que importa, Ermanno e Lena são dois estranhos que devem fingir em público ser um casal e viver juntos até a entrega.

Guy Lodge escreve para Variety destacando o design de produção, a fotografia e principalmente a sua relação com a história que conta. “Além de suas virtudes mais substanciais, Sole é certamente notável por estar entre os filmes mais azuis já comprometidos com a tela – literalmente, como Sironi banha a tela em mais tons de céu, água-marinha e centáurea do que um leigo pode nomear. As lentes de Gergely Poharnok e o design de produção de Ilaria Sadun são codificados por cores e métodos, de maneira a tornar o cenário do filme uma cidade monótona na Itália, uma espécie de vasto aquário humano.”

Ele continua: “Claramente, não é uma metáfora acidental, devido a quão presos e expostos seus dois jovens personagens são levados a sentir-se enquanto realizam o negócio geralmente muito íntimo de ter um bebê…. Quando alguns flashes dispersos e brilhantes de rosa neon se infiltram nesse esquema de cores frias, não é um capricho estético aleatório: Sironi usa nossas associações de cores de gênero para significar uma energia feminina crescente e resistente em meio a todo aquele azul que se afoga. O patriarcado italiano não se esmaga exatamente nessa triste e solene fábula familiar, mas Ermanno, em sua crescente fome de fazer parte dela, sofre algumas contusões.”

Seleção Oficial

Os filmes exibidos no dia 29, da seleção oficial que compete pelos maiores prêmios do festival, foram: The Perfect Candidate de Haifaa Al Mansour (Arábia Saudita, Germânia); História de um Casamento de Noah Baumbach (EUA); Ad Astra de James Gray (EUA).

A diretora Haifaa Al Mansour é uma das duas diretoras a estar presente na seleção oficial do festival. Seu trabalho de maior notoriedade é O Sonho de Wadjda (2013), filmado escondido em seu país e conhecido por ser o primeiro longa-metragem saudita dirigido por uma mulher.

Em seu novo trabalho, The Perfect Candidate, Mansour conta a história de uma jovem médica que concorre à eleição na secretaria municipal enquanto seu pai está em turnê pelo país com sua Banda Nacional Saudita, proibida pela lei que impossibilita apresentações de música em público. As ambições da mulher na política e sua celebração pelo retorno das artes perdidas em seu país confrontam a realidade de uma cultura conservadora e dominada por homens. O filme é protagonizado por Mila Alzahrani, Dhay, Nourah Al Awad, Khalid Abdulrhim. Mansour e Brad Niemann assinam o roteiro.

Na coletiva de imprensa do filme, Mansour disse: “Acho que as mulheres, um pouco por todo o mundo, enfrentam algo semelhante, ou seja, resistência. As mulheres têm que trabalhar mais para provar o seu valor. Eu, como uma realizadora que trabalha na Arábia Saudita e trabalha no ocidente, ainda tenho de me afirmar. Nós, como mulheres não nascemos com um sentido de autoridade e quando assumimos uma posição de liderança temos sempre de lutar e encontrar o teu núcleo como mulher e como líder.”  (via C7nema)

O The Guardian deu 4 de 5 estrelas para o filme, destacando o retorno de Mansour as suas origens, após filmes falados em lingua inglesa. “Não há prêmios por adivinhar para onde vai o filme de Mansour daqui, porque The Perfect Candidate é uma história simples, contada sem frescuras ou mesmo muito nuance. Mas isso é feito com grande poder, convicção e uma esperança subjacente por um mundo melhor. A Arábia Saudita que ela nos mostra é um lugar onde a modernidade se debate contra o conservadorismo arraigado, e onde até o casamento mais decadente inspirado na Barbie Princess ainda apresenta um cantor que canta: “Não existe Deus senão Alá”. O Reino está uma bagunça. não faz sentido. Você nem pode levar seu filho doente à clínica. Mas nem tudo está perdido porque a mudança está no ar. The Perfect Candidate sugere que tudo o que é necessário é que um indivíduo brilhante e ousado coloque o ombro no volante para que a direção da viagem seja alterada, mesmo que apenas um grau. Que alguém possa ser Wadjda, Maryam ou Mansour.”

O IndieWire pontua o filme com um B- e expõe o paralelo entre o filme e a realidade das mulheres na Arábia Saudita. “A Arábia Saudita – como você deve ter lido nas manchetes – está fazendo progressos bem divulgados para ingressar no século XXI. As mulheres agora têm direito a voto; a violência doméstica foi reconhecida como um crime; eles estão construindo um Six Flags. Mas a Arábia Saudita – como você já leu em outras manchetes menos lisonjeiras – também tem uma tendência a fazer alguns desvios violentos ao longo do caminho sinuoso em direção ao progresso. Contado com um leve toque cômico que é sobrecarregado pelo senso de drama do filme, o novo filme de Al-Mansour oferece um vislumbre frequentemente convincente de como as pessoas nos dias de hoje estão negociando uma mudança sistêmica radical. The Perfect Candidate pode parecer calmo e desarticulado como um amplo retrato de empoderamento, mas isso não passa de um filme de seu tempo e canta – às vezes literalmente – sempre que se dedica à luta única pela qual as mulheres da Arábia Saudita podem aproveitar esse momento histórico.”

The Perfect Candidate, de Haifaa Al Mansour

Escrito e dirigido por Noah Baumbach, História de um Casamento se tornou em pouco tempo um dos filmes mais esperados de 2019. Conhecido por retratar de forma minuciosa os dramas familiares como A Lula e a Baleia (2005) e Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (2017), Baumbach retorna ao seu tema mais explorado com Marriage Story, inspirado em memórias do divórcio entre o diretor e a atriz Jennifer Jason Leigh, e protagonizado por Scarlett Johansson, Adam Driver, Laura Dern, Alan Alda, Ray Liotta, Julie Hagerty.

No filme, Nicole (Scarlett Johansson) e seu marido Charlie (Adam Driver) estão passando por muitos problemas e decidem se divorciar. Temendo que a pequena filha sofra as consequências da separação, o casal decide continuar vivendo sob o mesmo teto, tentando fazer com que este seja um divórcio amigável. Porém, a convivência forçada entre os dois acaba criando feridas que talvez nem o tempo seja capaz de curar.

Na coletiva de imprensa do filme, Scarlett Johansson compartilhou com os jornalistas que quando teve contato com o roteiro do filme pela primeira vez, ela também estava passando por um divórcio com o ator Roman Dauric em 2017. “Quando me encontrei com Noah, estava me divorciando e não sabia sobre o que se tratava o encontro. E ele não sabia que eu estava me divorciando… Eu provavelmente explodi no quarto e pedi um copo de vinho branco e comecei a reclamar, e ele estava apenas ouvindo e muito atencioso. E então ele meio que interrompeu e disse: “Engraçado você mencionar isso.”

O longa confirmado em todos os grandes festivais da temporada como Telluride, New York Film Festival e British Film Festival, teve sua estréia no Festival de Veneza, e foi muito bem recebido pela crítica, que o comparou a Kramer vs Kramer (1979) de Robert Benton. O site The Telegraph deu 5 estrelas para o filme, destacando as performances igualmente boas de Johansson e Driver, além do roteiro de Baumbach.

“O roteiro de Baumbach está brilhantemente sintonizado com as maneiras pelas quais um bom relacionamento pode neutralizar esse tipo de toxicidade – e também com a rapidez com que ele se espalha quando o trabalho deles se agrava. Também gera um grande capital cômico, da maneira como os detalhes da vida banal podem parecer incrivelmente incriminadores quando anunciados em um tribunal, desde as taxas de consumo de vinho até as brigas sobre como encaixar a cadeirinha de criança. Chame isso de comédia lá-mas-pela-graça-de-Deus – e Johansson e Driver a interpretam com graça cômica divina. Rara empatia também. Mesmo no auge de seus argumentos mais amargos, o diretor de fotografia Robbie Ryan enquadra os dois atores com simpatia, em uma série de close-ups e perfis bergmaneses aparentemente sem esforço. Marriage Story pode parecer um cabo de guerra entre as estrelas, mas está nos dois lados.”

Quatro estrelas foram dadas ao filme pelo site Independent, que destaca em sua crítica as performances de todos os atores presentes, incluindo os coadjuvantes como Dern, Liotta e Alda. Além disso, destaca também, que Marriage Story é o melhor filme de Baumbach desde a Lula e a Baleia:

“O divórcio traz claramente o melhor do escritor e diretor Noah Baumbach. Este é o seu melhor filme desde A Lula e a Baleia (2005), que foi inspirado pelo rompimento do casamento de seus pais. Ele permite que suas duas estrelas Scarlett Johansson e Adam Driver ofereçam performances memoráveis ​​e cruas em papéis muito longe do tipo de super-herói em Vingadores ou Guerra nas Estrelas. Baumbach atinge um tom quase perfeito, combinando humor e pathos. Ele também ocasionalmente dá um passo para trás para mostrar o quão mimados e auto-indulgentes esses dois cônjuges em guerra realmente são. O filme lançado pela Netflix (uma estreia mundial em competição no Festival de Veneza) deve ser comparado ao Kramer vs Kramer como um exemplo de schmaltz muito superior.”

Scarlett Johansson e Adam Driver em “História de um Casamento”

Protagonizado por Brad Pitt o drama de ficção científica dirigido por James Gray e escrito por ele em parceria com Ethan Gross é um dos longas mais esperados do ano, desde 2018. Ad Astra acompanha Roy McBride (Brad Pitt), um engenheiro espacial, portador de um leve grau de autismo, que decide empreender a maior jornada de sua vida: viajar para o espaço, cruzar a galáxia e tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, um astronauta que se perdeu há vinte anos atrás no caminho para Netuno. Além de Pitt, o elenco conta com Tommy Lee Jones, Ruth Negga, Liv Tyler, Donald Sutherland no elenco.

Na conferência do longa, James Gray afirmou que “Com o Ad Astra, tentamos contar uma história muito pequena, muito pessoal, que tinha o macrocosmo como pano de fundo, o infinito”. Enquanto seu protagonista, Pitt, disse: “Todos carregamos feridas desde a infância. Um ator deve saber como usar esses sentimentos e ser sincero com o espectador: foi isso que tentei fazer em Ad Astra.”

O IndieWire deu nota máxima para o longa de Gray, A. Em sua crítica, pontua e o compara com outros filmes que se passam no espaço, destacando a maior diferença entre alguns e a sua similaridade com outros. “O anúncio similarmente introspectivo (mas muito mais idiossincrático) de James Gray aguarda ansiosamente as pessoas corajosas que podem estar nos ombros de Armstrong e pular ainda mais fundo no cosmos, e se pergunta se todos eles podem ser covardes. Aqui, os homens só vão às estrelas para se esconderem. Outro épico de aventura introspectivo, mas imaculadamente elaborado, do diretor de Z: A Cidade Perdida, Ad Astra é um filme inspirador sobre o medo da vulnerabilidade masculina e o fato consumado de se tornar seu próprio pai – quem quer que ele seja ( quanto mais bagagem você puder trazer para a mesa, melhor, pois esses personagens são meros navios para a viagem interplanetária do filme ao coração das trevas).”

O texto segue: “Apesar de um orçamento de grande bilheteria e quaisquer aspirações de bilheteria que a Disney ainda possa ter para este pedaço restante da lista de produção de pré-aquisição da Fox, o maior filme de Gray está a anos-luz de distância dos gostos agradáveis ​​de Gravity e Perdido em Marte. Isso é contar histórias míticas e avulsas; quanto mais expansiva sua visão se torna, mais voltado para o interior seu foco se torna. Mesmo com uma narrativa linear que nunca diminui a velocidade, uma sequência de perseguições que parece Mad Max: Estrada da Fúria na lua e uma visão de suspense da galáxia que abre espaço para inúmeras surpresas inesperadas (cuidado com as marcas de garras dentro de uma espaçonave aparentemente abandonada) ), Ad Astra ainda é uma das odisseias espaciais mais ruminativas, retraídas e curiosamente otimistas deste lado de Solaris. É também uma das melhores.”

Já a BBC Culture deu 3 de 5 ao filme. Enquanto o IndieWire destaca a premissa do filme, quanto a sensibilidade e a diferença do longa para outros espaciais, a BBC se posiciona de forma contrária. “Ad Astra é quase tão inteligente quanto os outros filmes (Gravidade, A Chegada e O Primeiro Homem), mas compartilha muito de suas imagens para parecer totalmente original. E, como eles, se volta para questões de paternidade e perda, uma trajetória que começa a se tornar irritante. Ninguém pode viajar para a fronteira final sem se emocionar com os parentes ao longo do caminho?”

Além disso, o site também compara a forma como o personagem de Pitt foi construído, com a forma com a qual Gosling interpreta Neil Armstrong em O Primeiro Homem (2018). “As questões pessoais são tratadas com menos elegância em Ad Astra do que nos outros filmes também. Em teoria, o personagem de Pitt é semelhante a Neil Armstrong, como retratado por Ryan Gosling em O Primeiro Homem, em que suas habilidades de pilotagem dependem de seu controle de ferro de seus sentimentos. A diferença é que Gosling transmitiu esse estoicismo por ser, bem, estoico, enquanto Pitt o transmite continuando sobre o quão estoico ele é, tanto nas dublagens que se repetem quanto nos relatórios de avaliação psicológica que ele recita ao seu computador sempre que ele estiver prestes a ir para outra missão. Enquanto isso, Liv Tyler aparece em uma pequena aparição clichê como a esposa angelical que Roy negligenciou. A configuração pode ser um futuro próximo, mas funções como essa estão desatualizadas.”

Brad Pitt em “Ad Astra”

A programação do Festival de Veneza continua até o dia 07 de setembro de 2019. Acompanhe mais notícias sobre o festival aqui.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.