Crítica | ‘GLOW’: 3ª temporada escorrega, mas se mantem graças ao carisma de suas personagens

A primeira e a segunda temporada de GLOW, apesar de serem distintas uma da outra, mantinham algumas características ímpares que trazia personalidade à série. Dentre essas características, podemos citar o fato de que a vida das personagens não era nada fácil, atrizes batalhando para garantir o próximo salário. Outro fator bastante interessante era a estética oitentista, refletida na direção de fotografia e também nos diálogos e atitudes dos personagens, criando um cenário muitas vezes machista e até ofensivo. Mas, a principal característica, que tanto cativou os fãs, foi a forma como os episódios utilizava para desenvolver os arcos dos personagens.

Na terceira temporada, o dinheiro e a estabilidade da carreira não são o principal foco, uma vez que o grupo de protagonistas fechou contrato em um hotel com cassino em Las Vegas. Dessa forma, restou ao roteiro trabalhar os conflitos das lutadoras de wrestling sem o fator que as deixava desesperadas. Assim sendo, longe de uma crise, não restou mais aquela famigerada urgência de estar sempre tendo que criar algo novo para solucionar os problemas. As personagens agora estão como o roteiro, desanimadas e sem um rumo palpável a seguir.

Mesmo a enérgica e emblemática relação entre as duas personagens principais, Debbie (Betty Gilpin) e Ruth (Alison Brie) perdeu bastante de sua intensidade, ganhando momentos mais interessantes apenas nos dois últimos episódios.

Contudo, essa narrativa mais lenta não é o que atrapalha o enredo e sim, a falta de algo muito importante. As lutas livres, ou seja, o tema central da série. Se nas primeiras temporadas, as situações no ringue eram as mais divertidas e engraçadas, isso parece ter ficado de lado nessa temporada. Agora são raros os combates, os treinos e raramente vemos as lutadoras… lutando. Existe apenas uma grande sequência de luta livre e não chega a ser tão épica como nas temporadas anteriores.

Mesmo assim, a série não perdeu o rumo e se tornou uma série chata e decepcionante. Pode-se dizer que a locomotiva perdeu um pouco o gás nessa nova fase, mas as personagens que a compõe continuam sendo extremamente interessantes e carismáticas.

A terceira temporada de GLOW desvia seu foco, mas termina com um arco reflexivo, mostrando que muitas vezes pessoas que se amam, precisam tomar rumos diferentes para serem felizes.

GLOW - 3ª TEMPORADA
2.5

RESUMO:

Fugindo de suas características após duas temporadas distintas, GLOW perde um pouco de sua essência mas mantem o carisma de suas personagens.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...