Crítica | Com brilho e carisma, Lily James rouba a cena em ‘Yesterday’

Sabe aqueles atores e atrizes que possuem uma aura especial e, sem muito esforço, conseguem segurar um filme inteiro sozinhos? Pois é. Um desses exemplos é Lily James. A atriz britânica de 30 anos de idade (conhecida por sua participação na série Downton Abbey) surgiu mais uma vez para salvar uma obra de ser apenas uma comédia romântica comum para dar brilho e carisma à produção. Foi assim com Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo, no ano passado, foi assim agora, com Yesterday.

O longa do diretor Danny Boyle, vencedor do Oscar, do BAFTA e do Globo de Ouro, todos pelo filme Quem Quer Ser um Milionário?, é uma comédia romântica que conta a história de Jack (Himesh Patel), um cantor frustrado que há anos tenta emplacar com suas músicas, mas sem sucesso. Sua única fã (e empresária nas horas vagas), é Ellie (Lily James), que o ajuda e incentiva a nunca desistir de seu sonho, que é ser famoso com a música.

E esse sonho começa a se tornar realidade da forma mais inusitada possível: um tipo de bug do milênio acontece e, durante o apagão, Jack sofre um acidente. Quando acorda no hospital, descobre que só ele em todo o planeta é capaz de se lembrar dos Beatles, considerada por muitos a maior banda de rock de todos os tempos.

De repente, tudo o que aconteceu com John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, começa a acontecer com Jack, e ele é alçado ao mais alto patamar da fama… cantando canções compostas por outras pessoas. E só então, afastado de Ellie pelo sucesso, é que ele descobre o tanto que ela significa em sua vida.

Enredo muito interessante, mas que, da forma como foi realizado, traz à tona algumas questões. Em primeiro lugar, podemos citar o protagonista de Yesterday. Apesar da excelente voz e da atuação satisfatória, Himesh Patel não possui carisma algum, o que nos faz questionar se ele realmente seria capaz de estourar como um astro do rock. E essa aura apagada realça e faz a estrela de Lily James brilhar ainda mais.

A discrepância entre os dois salta aos olhos, o que é notado principalmente nas cenas quando um se declara para o outro. As palavras e a expressão de James nos tocam de verdade quando ela pergunta a Jack porque ele nunca deu um passo a frente na relação dos dois. Mas quando é a vez dele dizer o que sente, em pleno show, com a plateia gigantesca como testemunha… A sensação não é a mesma.

A presença da atriz vai se tornando tão necessária, que se sobrepõe até ao foco do filme, que é a ascensão da carreira de Jack como intérprete das incríveis canções dos Beatles. Ficamos o tempo todo nos perguntando quando é que Ellie será encaixada novamente na história, depois que seu amigo (e amor platônico) se afasta dela por causa do sucesso, e inclusive, ficamos torcendo para que Jack desista da carreira para voltar para ela.

Mas só para não dizer que absolutamente tudo ficou à cargo de James, é notório o toque especial que a participação de Ed Sheeran deu à Yesterday. O famoso cantor britânico dá a honra de sua presença interpretando ele mesmo. Com humildade, reconhece a superioridade da obra da banda de rock, e sua melhor cena é a que ele sugere que o título da canção ‘Hey, Jude’ seja substituído por ‘Hey, Dude’. Muitos dos momentos divertidos do longa são protagonizados por ele.

Assim, Lily James, Ed Sheeran e a trilha sonora dos Beatles conseguiram fazer de Yesterday mais do que uma simples comédia, mas uma homenagem bem humorada àquela que foi, se não a maior, uma das maiores referências da música de todos os tempos, com uma boa dose de romance e diversão.

YESTERDAY
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RESUMO:

Mais do que a referência aos Beatles, é Lily James que, mais uma vez, salva um filme do insucesso, trazendo brilho e carisma ao longa do diretor Danny Boyle.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.