Crítica | ‘Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal’ é confuso mas tem ótimas atuações

Não é nova a atenção do público com histórias sobre serial killers. Toda a fascinação sobre como suas mentes funcionam, os motivos de cometerem atos cruéis e de como o seu dia a dia o tornou um assassino, são histórias que fascinam o público de maneira a termos histórias nos mais diversos tipos de mídias, filmes, séries, livros e até programas jornalísticos com foco nesses tipos de criminosos. E exatamente na premissa de se entender a mente de um assassino, chegou aos cinemas nacionais Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal.

A cinebiografia conta a história de Ted Bundy, um famoso serial killer norte-americano, conhecido não só por assassinar pelo menos 30 mulheres em sete estados, mas também por ser extremamente sedutor e ter feito a sua própria defesa durante seu julgamento.

Baseado no livro “The Phantom Prince: My Life With Ted Bundy” (escrito pela ex esposa de Ted), a trajetória do protagonista (vivido por Zac Efron), é contada através das duas mulheres que amou durante sua vida: Liz Kendall (Lilly Collins), com quem casou, viveu junto e a ajudou na criação de sua filha, e Carole Ann Bonne (Kaya Scodelario de Maze Runner), amante que ficou ao seu lado durante o período do julgamento. Justamente por ter esse ponto de vista, o filme tem como foco mostrar o lado mais humano de Ted, e o lado advogado que, mesmo estando com Carole Ann, ainda era apaixonado por Liz e ligava para ela todos os dias.

Porém, esse ponto de vista gera um grande estranhamento justamente pelos crimes cometidos por Ted nunca serem mostrados. Temos breves cenas dele começando a interagir com mulheres que seriam suas futuras vítimas, porém, nada é mostrado, colocando em dúvida se Ted realmente assassinou essas mulheres ou se estava sendo julgado em um sistema judiciário injusto, o que gera estranhamento, já que Ted Bundy é um dos assassinos mais conhecidos dos Estados Unidos.

Outro aspecto que gera estranhamento na direção e narrativa do longa é a escolha de mostrar alguns fatos de maneira não linear, como em sua primeira cena, que logo é revelada ser uma das últimas do longa, que é uma técnica de narração e edição que funcionam muito bem quando bem feitas, o que não acontece aqui. Esse aspecto não só deixa alguns pontos da história confusos sem necessidade, como acaba não fazendo uma boa ligação em seu final, não justificando essa escolha.

Cm relação ao elenco, apesar de Lilly Collins e Kaya Scodelario apresentarem boas atuações, mostrando o nível de conexão que essas personagens tinham com Ted, o destaque fica pra Zac Efron, que consegue, mesmo em um personagem extremamente sedutor e carismático, apresentar sinais da psicopatia de Ted, mesmo que isso não seja aprofundado em nenhum momento.

Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal conta com ótimas atuações de seus três principais protagonistas, mas comete erros em suas escolhas narrativas, deixando o filme confuso e com tom unilateral.

TED BUNDY: A IRRESISTÍVEL FACE DO MAL | EXTREMELY WICKED, SHOCKINGLY EVIL AND VILE
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RESUMO:

Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal conta com ótimas atuações de seus três principais protagonistas, porém comete erros em suas escolhas narrativas, deixando o filme confuso e com tom unilateral.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.