Crítica | Longa de ação da Netflix ‘À Queima-Roupa’ é fraco de conteúdo

A Netflix apostou em mais um thriller de ação, dessa vez tentando emplacar com uma dupla de competentes atores que recentemente estiveram presentes no MCU: Frank Grillo, o Ossos Cruzados, e Anthony Mackie, o Falcão. Mas o longa À Queima-Roupa, do diretor Joe Lynch, não consegue alcançar outro adjetivo que não seja decepcionante.

Fraco de conteúdo, a presença de Grillo e Mackie é o único trunfo que a produção possui. Tire os dois e não sobrará nada.

Tudo começa quando o enfermeiro Paul (Mackie) é obrigado a se aliar a Abe (Grillo), um criminoso, para salvar sua mulher grávida, mas os dois acabam tendo que lidar com gangues perigosas e policias corruptos.

Só que em À Queima-Roupa tudo parece levar a nada. O filme tem até cenas de ação interessantes (destaque para a atuação da dupla principal sempre), mas outras simplesmente não têm significado algum. Um exemplo é a morte de Mateo, o irmão mais novo de Abe, que não tem qualquer consequência no resultado final. Sem falar em Taryn (Teyonah Parris), a mulher grávida de Paul que entra em trabalho de parto pelo menos umas três vezes, mas ainda assim consegue ficar de pé e até leva alguns sopapos de um policial.

Vale lembrar que este é um filme de ação de baixo orçamento que não tem cacife para se comparar com 007, Missão Impossível ou uma Saga Jason Bourne por exemplo, e, por isso, não dá para perdoar que uma pessoa atropelada cujas costelas foram quebradas e que sofreu uma concussão séria, possa sair lutando com policiais menos de uma semana após o acidente (o que seria completamente aceitável em um filme de James Bond).

Não há nenhum erro essencial no que se refere aos elementos da produção, como uma trilha sonora destoante, uma filmagem maluca, planos estranhos, entre outros. Para um filme de orçamento baixo até que Lynch foi até bastante competente. O problema é que a dupla Grillo e Mackie ficou perdida em meio a um roteiro fraco e meio bagunçado e, em alguns momentos, até um pouco pretensioso, ao querer impor cenas impactantes demais para o contexto geral, como a manobra da gangue do Big D (Markice Moore) para explodir um carro na frente da delegacia ou a tentativa de suicídio de Lewis.

No final, mesmo a boa construção da amizade improvável entre Paul e Abe fica meio abalada. O filme não explica muito bem o que aconteceu com o criminoso depois que tudo foi solucionado e ele nem comparece ao aniversário de 1 ano do bebê de Paul, de quem ele deveria ao menos ser padrinho.

Esse foi meio sessão da tarde, hein Netflix?

À QUEIMA ROUPA | POINT BLANK
1.5

RESUMO:

Filme do diretor Joe Lynch, À Queima-Roupa traz dois competentes atores da MCU, mas decepciona.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.