Crítica | Sequestrando Stella: novo suspense alemão da Netflix não prende, nem surpreende

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On 6 de agosto de 2019
Last modified:6 de agosto de 2019

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Apesar de não ter sido sempre um gênero popular no cinema, a presença do suspense vem sendo cada vez mais forte, principalmente nas plataformas de streaming. Na Netflix, por exemplo, novos lançamentos surgem a partir de diversas abordagens. Seja em filmes de perseguição como Bird Box (2018), claustrofóbicos como Jogo Perigoso (2017), ou produções nas quais a protagonista é feita de refém, como é o caso de Hush: A Morte Ouve (2016) e do novo longa da plataforma, Sequestrando Stella, de Thomas Sieben (A Represa).

No filme, a jovem Stella (Jella Haase) é sequestrada enquanto sai de casa, por dois homens mascarados que passam a mantê-la em cativeiro. Enquanto os sequestradores tentam fazer acordo com seu pai em troca de uma grande quantia em dinheiro, Stella fará de tudo para arruinar os planos dos criminosos. 

A premissa do filme é inicialmente interessante, partindo do princípio de que ele é vendido como um thriller, que irá focar em como a protagonista se desdobra diante da situação em que se encontra. Entretanto, o longa não vai muito além de um drama, dando enfoque no enredo – a priori secundário – que toma o protagonismo e faz com que o próprio filme esqueça a que veio. 

Sem saber o motivo pelo qual Stella está sendo sequestrada, o filme não mede esforços ao traçar sua primeira parte, uma menina sequestrada sem um porquê ou para quê. Conforme o longa apresenta essas informações ao público, a tensão existente entre protagonista e de seus sequestradores acaba ocupando um outro espaço, a tensão não é mais sobre o que pode acontecer com aquela menina, mas sim o que irá acontecer a cada um dos personagens, dado que todo o plano dá errado em certo momento do filme.  

Os sequestradores da garota se apresentam para ela de mascaras, entretanto, a forma como cada qual se sente diante do esquema é tão singular, que mesmo utilizando máscaras iguais, ambos se portam totalmente diferente, o que é evidente com ou sem o uso dela. Tom, o sequestrador mais jovem interpretado por Max von der Groeben (Dane-se Goethe), apresenta uma face apática quase em todo momento, mas enquanto seu rosto não demonstra muito, seus sentidos o denunciam: sua testa sua, sua forma de se portar preocupa o parceiro e o nervosismo se externaliza pelo corpo do jovem.  Tom não está certo de que deveria estar fazendo aquilo, mas o seu medo quanto a execução do plano não é maior do que o medo de abandoná-lo. Em todo o momento está preocupado não apenas com o desenvolvimento do sequestro, mas em qual será o seu fim após o feito, bem como em qual será o fim daquela jovem. 

Em contra partida temos Vic, vivido brilhantemente por Clemens Schick (007 – Casino Royale). O líder da dupla aparece sempre sério, com tal rigidez que mascara sua tensão. Ainda assim, em momentos pontuais, vê-se sua preocupação com o jovem que o acompanha, Tom, e da mesma forma que ele, qual será seu destino após o evento. 

Ambos se conheceram após cumprir pena na cadeia, o que acaba criando um laço não só de companheirismo, mas de experiencias vividas por ambos. A jovem Stella também vive isso ao se ver amarrada em uma cama, com olhos e boca tampados, suplicando ao pai para que pague pelo seu resgate, implorando em nome de seu amor por ele. Apesar de se apresentar como um thriller de sequestro, Sequestrando Stella torna o seu segundo tema protagonista da história: as relações interpessoais que fazem parte de sua vida e até onde você vai por elas. 

Apesar de apresentar isso de forma interessante – já que a escolha do suspense torna o filme mais atrativo – a obra cai na mesmice, replicando dramas novelescos que conseguiram se suceder de forma melhor. O suspense perde a força e deixa de ser interessante, o final se torna previsível quando o thriller perde seu protagonismo e seu lugar é tomado pelo drama. Portanto, não se espera mais o que irá acontecer já que tudo passa a ser previsível 

Os olhos vívidos, a postura carrasca, porém solitária de Vic é o ponto do alto do filme, em mescla com o perfil caído, e o medo de Tom, que juntos, constituem uma relação de gato e rato, havendo uma porcentagem de companheirismo, mesmo que mínima. Enquanto Stella não se destaca tanto quanto poderia, caso tivesse sido realmente transformada na badass que o filme promete. 

SEQUESTRANDO STELLA
1.5

RESUMO:

Sequestrando Stella é um filme pobre de dinâmica, de tensão e principalmente do suspense que seria, neste caso, essencial para sustenta-lo no gênero. Como drama, ao que vem de fato ser, o longa se torna previsível e cansativo, até mesmo nos momentos mais frenéticos. 

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.