Crítica | 1ª temporada de ‘Nos4A2’ entrega uma interessante história de vampiros e pessoas com superpoderes

Não é de hoje que o grande autor Stephen King tem suas obras literárias eternizadas (e muitas delas até consagradas) em adaptações audiovisuais, seja em filmes ou em séries. Seu filho, Joe Hill, apesar de um início relativamente tímido, segue nesse mesmo caminho. Tendo um de seus livros sendo adaptado em um emblemático filme com Daniel Hadcliffe (Amaldiçoado, 2013), e um projeto que não chegou a ver a luz do dia (Locke & Key), Hill tem a oportunidade de apresentar seu potencial em Nos4A2 (traduzido no Brasil como Nosferatu), com uma história que começa fraca, mas que vai embalando conforme o enredo se desenvolve.

A série nos apresenta um episódio piloto repleto de clichês e que comete o erro de focar neles ao invés de investir na premissa bizarra que tem nas mãos. Contudo, uma vez que essa bizarrice começa a ser explorada, a série ganha um tom extremamente mais intrigante. Conhecemos Vic McQueen (Ashleigh Cummings), uma garota de uma cidade de interior que sonha em deixar sua comunidade para viver como artista na cidade grande, mas que acaba cruzando o caminho com Charlie Manx (Zachary Quinto), uma criatura imortal que se alimenta da juventude de crianças que ele transporta para a enigmática Terra do Natal com seu misterioso carro modelo Rolls Royce, chamado Espectro.

No começo da série, ficam evidentes algumas deficiências em relação ao texto. A problemática da garota que tem um pai alcoólatra e uma mãe também com problemas é extremamente batida e fica difícil se simpatizar com a protagonista logo de cara. Porém, Cummins é extremamente talentosa e conforme o tempo vai passando, conquista o expectador e consegue carregar o peso de protagonizar essa história.

É preciso também que se destaque outra personagem, Maggie Leigh (Jakhara J. Smith), que entrega uma atuação notável. Mas a estrela da série realmente fica a encargo do veterano Zachary Quinto, com seu misterioso Charlie Manx, cuja aura de ameaça é extremamente marcante na tela. Há alguns problemas relacionados aos diálogos que em alguns momentos, parecem ter sido tirados das páginas do livro de Hill, mas que precisavam de um pouco de polimento para soarem natural na tela.

Nos4A2 – AMC

De qualquer forma, o aspecto estranho desse universo com vampiros que andam sob a luz do dia e, apesar de não beberem sangue do pescoço das pessoas, ainda mantém sua periculosidade, onde existem pessoas com superpoderes peculiares e interessantes, mas que cobram um alto preço de seus usuários (inclusive, é bastante interessante perceber o desgaste físico no olho de Vic quando ela se utiliza de sua Ponte do Atalho, que se materializa sempre que ela está pilotando sua motocicleta e desejando muito chegar a algum luar específico ou encontrar alguém de quem precisa, sua principal arma contra Manx).

Além de uma premissa curiosa, NosA2 tem a seu favor ritmo e fotografia interessantes. É uma série intrigante e que faz jus às capacidades de Joe Hill como autor.

Nos4A2 - 1ª TEMPORADA

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...