Crítica | La Casa de Papel: Parte 3 agrada com um novo assalto e novos perigos

Quando uma série alcança uma popularidade na proporção que La Casa de Papel atingiu, é natural que os estúdios promovam novas temporadas, dado o faturamento que esse tipo de obra pode prover. Contudo, esse sucesso pode significar uma faca de dois gumes, especialmente na mão dos realizadores, que ficam incumbidos da dificílima tarefa de criar novas histórias, novas temporadas que façam jus à primeira obra que tanto cativou o público. Na maioria das vezes, essa empreitada acaba por lograr enorme fracasso. Contudo, felizmente para os fãs (e realizadores), esse não é o caso dessa série.

A Parte 3 já é feliz logo na primeira sequência, quando em um rápido clipe, mostra o desfecho dos personagens principais. Abrindo com Arturo Román, vulgo Arturito (Enrique Arce), em uma palestra motivacional, é bastante interessante perceber que o personagem que outrora era odiado (e de certa forma amado também) pelos fãs como um pária dos protagonistas, agora se tornou um coaching graças aos eventos do assalto à Casa da Moeda.

Enquanto Arturito fala, vemos os assaltantes vivendo suas vidas de maneira alegre, cada um com seus parceiros e se aproveitando dos lucros do roubo. Os problemas começam quando Rio (Miguel Errán) e Tokio (Úrsula Corberó) se separam e, incapazes de ficarem muito tempo longe um do outro, o rapaz liga para ela de um rádio via satélite, o que é suficiente para que os agentes da Interpol os localizem. Enclausurado em uma ilha, Rio não tem opção além de ser capturado pelos agentes. A partir daí, Tokio pede ajuda ao Professor (Álvaro Morte) e este, sensibilizado, reúne toda a gangue a fim de resgatar seu companheiro.

Começa então uma nova empreitada, com um plano inusitado: assaltar o Banco da Espanha enquanto conseguem vantagens políticas para negociar o resgate de Rio. O problema é que eles não tem tanto tempo para planejar assim como no primeiro assalto e dessa vez, o plano não é do Professor, mas sim, de seu falecido companheiro, Berlim (Pedro Alonso).

Para não desagradar aos fãs, já era óbvio que os roteiristas criassem um novo assalto e que mesmo criando novas situações, não poderiam deixar de lado a fórmula do sucesso das primeiras partes. Assim sendo, muitos ciclos voltam a acontecer e nem todos funcionam. Primeiramente, é preciso comentar o quão problemática é a personagem de Tokio, uma vez que ela é uma garota-problema em várias proporções. Apesar de bastante carismática, quando se analisa de maneira fria, percebe-se que Tokio é uma grande desvantagem para a gangue, uma vez que seu temperamento explosivo muitas vezes, acaba prejudicando os planos do Professor.

Foi por culpa de Tokio, quando invadiu a Casa da Moeda com uma motocicleta, que o pai de Denver (Jaime Lorente), Moscow (Paco Tous), foi morto. Nessa temporada, é por culpa dela que Rio é capturado. Da mesma forma, quando ele rompe seu relacionamento com ela, após ter sido resgatado, a garota se esquece do perigo em que toda a gangue se encontrava e fica embriagada, causando vários problemas.

Em contrapartida, dois personagens ascendem, quando conhecemos de maneira um pouco mais profunda o personagem de Helsinki (Yashin Dasáyev) e uma das grandes estrelas de toda a série e que ganha cada vez mais brilho, Nairobi (Ágata Jiménez). Já uma das tentativas que não lograram tanto êxito, e o substituto do papel de assaltante perigoso, representado outrora por Berlim, agora quem executa esse papel é Palermo (Rodrigo de La Serma) que, apesar de cumprir o que lhe é proposto, não possui nem de perto, o mesmo carisma de Berlim.

O ritmo da série se parece bastante com as partes anteriores, pois ainda somos surpreendidos (apesar de maneira menos recorrente do que estamos acostumados) às reviravoltas recorrentes às camadas do Plano do Professor, assim como os altos e baixos do relacionamento deste com Raquél (Itziar Muño). O destaque fica também para a nova vilã, a enigmática Alicia Sierra (Najwa Nimri), cujo visual (uma mulher grávida viciada em doces e cigarros) e personalidade trazem uma aura de ameaça, que é potencializada pela sua astúcia que rivaliza de igual para igual o Professor.

A Parte 3 de La Casa de Papel  não é  perfeita e se trata realmente de um entretenimento fácil, porém, é muito bem realizado e carismático, com personagens que não sairão do imaginário do público por muitos anos.

LA CASA DE PAPEL - PARTE 3
4

RESUMO:

Mais bem produzida e ambiciosa, Parte 3 de La Casa da Papel mantem sua fórmula divertida e serve, mais uma vez, como bom entretenimento.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...