Big Little Lies | Episódios da 2ª temporada foram editados sem que a diretora Andrea Arnold soubesse

Em Abril de 2017, o diretor Jean Marc-Vallée, responsável pela primeira temporada da série Big Little Lies e a minissérie Sharp Objects, alegou que não voltaria para a direção da segunda temporada do grande sucesso da HBO. De acordo com ele, não havia necessidade para  um segundo ano, já que a série, inicialmente foi feita como minissérie. Entretanto, devido ao grande sucesso, as produtoras e atrizes Reese Witherspoon e Nicole Kidman decidiram realizar uma segunda temporada.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter em abril de 2017, Marc-Vallée, que é creditado como produtor-executivo do segundo ano da série, alegou:

O detetive não quer largar o caso e é assim que nós terminamos. E nós pensamos, ‘Elas fizeram a coisa certa? O que vai acontecer?’ Agora é com a audiência e a imaginação deles tentar descobrir. Se for fazer uma segunda temporada, eu não estarei. Vamos seguir em frente e fazer outra coisa! Se houver uma oportunidade para reunir Reese, Nicole e essas personagens, então é claro, eu serei parte, mas Big Little Lies 1 é um acordo único. Big Little Lies 2? Não. O final foi para o público comentar. Imagine o que você gostaria de imaginar e é isso. Nós não faremos uma segunda temporada porque é ótimo do jeito que está. Para que estragar?

A diretora Andrea Arnold, conhecida por grandes sucessos como American Honey (2016),  foi então a escolhida para dirigir a segunda temporada. Entretanto, de acordo ao site IndieWire, o controle criativo foi entregue novamente ao diretor Jean Marc-Vallée, que editou os episódios após as gravações, o que fez com que eles tivessem uma duração menor que os da primeira temporada, além de cenas extras, gravadas posteriormente.

Na matéria, feita com base em fontes próximas à produção, é dito que no final de 2018 houve uma mudança dramática quando o show foi retirado de Arnold, e o controle criativo foi entregue ao produtor executivo e diretor da primeira temporada. O objetivo de tudo era unificar o estilo visual da 1ª e 2ª temporada. Ou seja, depois de todos os episódios terem sido rodados pela diretora, o seu trabalho foi entregue a Vallée para trazer a tona o seu estilo já conhecido do público na primeira temporada.

Ainda de acordo com o IndieWire, segundo fontes próximas aos produtores executivos, sempre houve o plano de que Vallée se envolvesse novamente na série, embora sem o conhecimento de Arnold. Inicialmente, a HBO concordou com o desejo da diretora de contratar editores europeus e voltar para casa para finalizar a série. A diretora ainda estava trabalhando sob a impressão de que ela tinha controle criativo.

Antes que Arnold e sua equipe de edição de Londres conseguissem finalizar o primeiro episódio, Marc-Vallée, que já havia terminado seu trabalho em Sharp Objects, assumiu o controle. A pós-produção mudou de Londres para Montreal, a cidade natal do diretor, onde sua própria equipe começou a editar o que está sendo exibido atualmente na HBO. Logo depois, 17 dias de filmagens extras foram agendadas.

Andrea Arnold se recusou a dar declarações, entretanto, de acordo com fontes próximas a diretora, a cineasta está de coração partido com a experiência. “Embora não estivesse buscando a narrativa pessoal de seus filmes, Arnold trabalhou incansavelmente preparando-se para a 2ª temporada, sabendo que estava entrando em um ambiente corporativo e colaborativo onde o atrito, ou puxar as rédeas durante a produção, era um medo razoável. Mas ter permissão para filmar e começar a editar sua versão do programa e depois tirá-lo dela, sem explicação ou aviso, foi devastador.”

Para o Indiewire, a HBO emitiu o seguinte comunicado: “Não haveria uma segunda temporada sem Andrea Arnold. Nós da HBO, assim com os produtores [de Big Little Lies], estamos extremamente orgulhosos do trabalho dela. Como qualquer projeto de TV, os produtores-executivos trabalham em conjunto na série e nós entendemos que o produto final fala por si só.”

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.