Crítica | ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ diverte e mostra um jovem herói aprendendo com os seus erros

Peter Parker está de férias! Ele decide viajar com a turma da escola para a Europa a fim de se distrair um pouco e ficar cada vez mais próximo de MJ, de quem Peter tanto gosta. Porém, Nick Fury começa a levar problemas ao Homem-Aranha, depois que o agente descobre a existência de um grupo de criaturas, chamadas Elementais, e um herói, o qual as pessoas chamam de Mysterio, que luta contra elas. Agora, Parker vai ter que decidir se aproveita as férias ou se ajuda a salvar a vida dos amigos e o mundo.

Dirigida por Jon Watts e protagonizada por Tom Holland, essa nova fase do Homem-Aranha se encaminha para ser a melhor do herói no cinema – e, ao que tudo indica, será uma nova trilogia. O personagem se encaixou perfeitamente no MCU desde que foi apresentado em Capitão América: Guerra Civil, de Anthony e Joe Russo. Claramente, ocorreram mudanças em relação à história original do herói, o que de jeito nenhum é um problema. A decisão de misturarem outros gêneros mais relacionados a filmes adolescentes aos filmes solo do Homem-Aranha contribuiu bastante para isso. Aconteceu no primeiro e acontece novamente em Longe de Casa, que é, essencialmente, uma comédia romântica adolescente – o que funciona completamente.

Por ser o primeiro longa após Vingadores: Ultimato, era esperado que Homem-Aranha: Longe de Casa apresentasse as consequências dos eventos da maior produção do MCU. Essas são tratadas logo no início da história quando explicam a questão dos desaparecimentos repentinos de muitos alunos da escola. Há uma cena, em tributo aos heróis que morreram, muito engraçada. No entanto, fica faltando um certo drama no que diz respeito aos eventos dos dois últimos filmes dos Vingadores, que poderiam ser considerados até traumáticos, uma vez que muitas pessoas e heróis “morreram”. O drama aparece apenas sobre o Peter, mas de uma maneira diferente da que foi descrita.

Um dos aspectos mais interessantes do longa é o peso de Tony Stark (Robert Downey Jr.) para a história, principalmente no desenvolvimento do protagonista. O roteiro trabalha bastante a questão da necessidade de se ter a figura do herói, no(a) qual as pessoas podem acreditar, aquele(a) que fará com que o mundo fique tranquilo e em paz. Como o Homem de Ferro se sacrificou para salvar o mundo, ele passou a ocupar esse exemplo de herói. Agora, começa a procura pela figura que irá substituí-lo.

Muito da pressão e do drama sobre Peter diz respeito às pessoas o enxergarem como o “novo Homem de Ferro”. A partir disso, o jovem começa a crescer, sentindo o peso da sua responsabilidade. Ele, ao mesmo tempo que é um adolescente que quer viver uma vida normal e dizer os seus sentimentos à garota que ele gosta, também é um herói que, inclusive, participou de importantes batalhas ao lado dos Vingadores. O sentido da frase “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”  nunca teve tanta força como nessa sequência. É interessante observar o trabalho da trilha sonora nesse sentido, pois, em alguns momentos, o compositor insere a trilha original dos Vingadores, continuando a desenvolver essa linha de raciocínio.

Porém é importante observar o quanto do Tony Stark tem nesse novo Peter Parker. Certamente um grande acerto do roteiro em relação a esse personagem no MCU. Uma das melhores cenas do filme é quando o Homem-Aranha constrói  o seu novo uniforme, fazendo uma referência ao clássico Homem de Ferro (2008). É uma outra forma que a Marvel encontra de trabalhar os seus roteiros, através das referências. E o estúdio continua fazendo isso muito bem.

Como já foi dito anteriormente, Homem-Aranha: Longe de Casa é uma comédia romântica adolescente, com tons do gênero de super-herói e de ação e uma ótima reviravolta, por mais que seja em parte previsível. Assim como todos os roteiros da Marvel, também sofre com certas soluções rápidas e superficiais para desenvolver questões que seriam mais complicadas. A maioria das cenas cômicas é bem construída e as tradicionais piadinhas funcionam e são bem posicionadas ao longo da história.

O romance tem um bom desenvolvimento, muito disso por causa da química entre Tom Holland e Zendaya. É um caso no qual a previsibilidade não atrapalha. Por se tratar de um roteiro que se encaixa perfeitamente dentro de uma fórmula, o público provavelmente consegue adivinhar certas questões com o decorrer do filme. Mas este é elaborado a partir do que as pessoas querem que aconteça e não pela imprevisibilidade. Portanto, todos acabam saindo satisfeitos.

Tom Holland está ótimo. Seu personagem sofre muito com a pressão da responsabilidade por ele ser um novo herói, que é o mínimo que as pessoas esperam dele. Além disso, o ator consegue passar muito bem a inocência de um jovem que ainda está aprendendo como deve agir. É um aprendizado construído a partir de sucessivos erros. A atriz Zendaya é outro destaque do longa. Ela tem muito mais espaço aqui do que no primeiro filme. Inicialmente, ela é simplesmente alvo de um caso amoroso. Na segunda metade da história, a personagem cresce ao mostrar suas habilidades que, inclusive, a levam a descobrir que Peter é o Homem-Aranha. Depois disso, ela se integra mais à trama.

Jake Gyllenhaal caiu muito bem no papel de Mysterio. Pouquíssimas vezes ao longo de sua carreira, o ator realizou um trabalho mais voltado para a comédia. Em Longe de Casa, ele demonstrou que conseguiu passar muito bem por esse desafio. O personagem demonstra inicialmente ser uma figura mais dramática, mas, num determinado momento, isso muda e ele acaba ganhando diferentes tons. Ele também protagoniza uma das questões mais interessantes abordadas no filme e é uma pena não poder avaliá-la aqui a fim de que spoilers sejam evitados. A relação entre Tom e Jake é bem elaborada, mesmo que ela se dê de uma maneira rápida. O primeiro passa a enxergar Mysterio como uma possível “nova influência” ou como alguém em quem ele possa confiar e expor seus pensamentos/sentimentos.

Jacob Batalon é um dos personagens mais engraçados do filme. Ele passa de uma fase de coragem na qual ele fala coisas que não fazem o menor sentido para uma fase na qual ele sente o medo por entender o real perigo da situação. Seu relacionamento com Betty (Angourie Rice) com certeza arrancará umas risadas do público. É válido também colocar como destaque o ator Jon Favreau. Por mais que ele não apareça tanto no filme, seus momentos são ótimos. Samuel L. Jackson tem uma participação muito voltada para a comédia. Quanto as atrizes Cobie Smulders e Marisa Tomei, elas não têm tanto desenvolvimento por parte do roteiro. A primeira quase nem tem falas.

Homem-Aranha: Longe de Casa é mais um acerto do Marvel Studios em parceria com a Sony Pictures. O filme atrai o público do gênero de super-heróis quanto comédia romântica adolescente. Com isso, é preciso destacar as atuações de Tom Holland, Zendaya e Jacob Batalon. Jake Gyllenhaal aparece como um bom personagem, que se sustenta pela suas mudanças de tom com o passar da história. O roteiro apresenta a típica fórmula dos outros filmes do MCU, não tem muita diferença. No entanto, acima de tudo, essa nova sequência do Homem-Aranha é um filme sobre aprendizado e a perda da inocência de um jovem que se tornará um grande herói. Peter Parker não tem mais o grande Tony Stark para aconselhá-lo ou ajudá-lo. O estudante está por conta própria e será muito bom ver como ele vai se virar nos próximos filmes.

HOMEM-ARANHA: LONGE DE CASA
4

RESUMO:

Homem-Aranha: Longe de Casa é um filme divertido, que conta com as ótimas atuações de Tom Holland, Zendaya, Jake Gyllenhaal e Jacob Batalon. Depois dos eventos de Vingadores: Ultimato, vemos um herói crescendo e aprendendo com os seus erros.

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Paulo Victor Costa

Depois que descobriu "The Truman Show" e "Lost", passou a viver de filmes e séries. Também é muito fã dos filmes do Spielberg. Tenta assistir de tudo para poder debater com outras pessoas.