Crítica | ‘Brexit’ é um retrato fiel da realidade política atual

O longa Brexit, do diretor Toby Heynes tenta explicar como se deu o processo de saída do Reino Unido do bloco econômico mais poderoso do mundo, a União Europeia (UE), e consegue fazer isso muito bem. Mas é tão confuso e complexo quanto o processo em si.

A mise-en-scène do filme – cheia de planos cortados e sobrepostos, bem como a câmera inquieta que treme nervosamente o tempo inteiro e os diálogos rápidos -, contribuem para esse clima angustiante. No entanto, isso ajuda o espectador a entender como foi a vida do consultor e estrategista político britânico Dominc Cummings, vivido por Benedict Cumberbatch, durante o período que precedeu o referendo que separou o Reino Unido dos outros vinte e sete países que compõem a União Europeia.

Não obstante, o longa de Heynes já é, sem dúvida, um valioso “documento” histórico, mas vale a pena fazer uma pesquisa rápida sobre o que foi o Brexit antes de assisti-lo, para compreender melhor os acontecimentos na tela. Porque eles nos fazem questionar muitos aspectos da vida, não só os políticos.

Brexit, que aliás, significa Britain + Exit (Brexit), é bem focado em Cummings, brilhantemente interpretado por Cumberbatch, que, na vida real, foi o cabeça da campanha do Vote Leave (Vote Sair, em tradução livre). O personagem é tão bem construído que, apesar de ser o líder ferrenho dos conservadores nacionalistas que defendiam a saída do Reino Unido da UE, jamais chegamos a saber o que ele realmente pensava, ou se era realmente aquilo que ele queria.

Brexit – HBO

Suas táticas de campanha são tão geniais (ainda que controversas), que levam Craig Oliver, personagem de Rory Kinnear, a exclamar que os britânicos estavam, naquele momento, lutando uma guerra de guerrilha. Cummings contrata até mesmo uma empresa de tecnologia, que estava testando um novo algoritmo, na tentativa de atrair mais pessoas para o seu lado. Através dos dados coletados por essa empresa, Cummings e sua equipe seriam capazes de traçar o perfil dos britânicos indecisos e, com isso, enviar a eles anúncios que os convenceriam a aderir ao Vote Leave. Mais tarde, descobrimos que esta mesma empresa também esteve envolvida nas eleições norte-americanas de 2016.

Sendo assim, muito mais do que contar uma história real de um simples processo de referendo (que aliás, de simples não tem nada!) em que as pessoas votam “sim” ou “não”, Brexit nos leva a questionar até onde pensamos por nós mesmos e em até que ponto somos manipulados por nossos tablets e celulares – os quais não largamos -, que nos bombardeiam com anúncios, propagandas e mensagens “doutrinadoras” o tempo inteiro.

O resultado do filme é bastante crítico e, por isso, positivo, não obstante a complexidade do assunto, o que torna um pouco difícil acompanhar as cenas e os diálogos, como já dito. O mérito de Heynes, entretanto, está em construir um longa que mostra, com fatos muito recentes, como é construída a política e, consequentemente, as balizas de nossas vidas no mundo atual.

BREXIT
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RESUMO:

Brexit apresenta uma dinâmica tão complexa e confusa quanto foi o processo de separação do Reino Unido da União Europeia foi, mas é um retrato fiel da realidade política no mundo.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.