Crítica | Apelando para a nostalgia, ‘Turma da Mônica: Laços’ emociona e honra o legado de Maurício de Sousa

Baseado na graphic novel “Turma da Mônica: Laços”, lançada em 2013 e com autoria de Vitor e Lu Cafaggi, o filme homônimo chegará aos cinemas no próximo dia 27 de junho. Dirigido por Daniel Rezende e com roteiro de Thiago Dottori, o longa leva os personagens criados por Maurício de Sousa para as telonas de todo o país, em uma aventura excitante e divertida aos olhos infantis.

Floquinho, o cachorro verde de Cebolinha, é raptado. Inconsolável com o sumiço do companheiro, e percebendo que outros animais da cidade também estão desaparecidos, o garoto pede a ajuda dos seus melhores amigos para procurá-lo e resgatá-lo. A dentuça Mônica, a comilona Magali e o fedorento Cascão, se unem ao colega para dar um fim a esse mistério. Estrelado por Giulia Benitte, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo e Gabriel Moreira nos papéis principais, a produção ainda conta com a participação de Monica Iozzi, Paulo Vilhena e Rodrigo Santoro.

A obra de Maurício de Sousa é uma das mais importantes e queridas pelo publico infanto-juvenil. Adaptar os memoráveis personagens criados pela cartunista para o cinema requer, antes de qualquer coisa, um profundo conhecimento sobre o que as histórias procuram transmitir e familiaridade com todo o encanto e magia que rodeiam a turminha. É claro que para um público mais maduro, a trama pode parecer leviana. Afinal, no momento em que sentamos na poltrona e as luzes se apagam, não estamos esperando assistir um Central do Brasil. Porém, mesmo que de maneira inocente, Turma da Mônica: Laços consegue encontrar um meio termo entre comédia, romance, suspense, drama e aventura.

Começaremos falando sobre o roteiro. A ideia de sumir com um personagem importante (quem nunca riu com as travessuras do Floquinho nos gibis?) é um bom ponto de partida para juntar todos os personagens por um motivo comum. Aqui já podemos tirar a primeira lição: deixar as diferenças de lado em prol do coletivo. A partir disso, os amigos são obrigados a deixar a zona de conforto e enfrentar desafios para encontra-lo. Mais uma importante lição: o amadurecimento. Durante todo o filme, o conceito de amizade é muito bem explorado, o que nos leva a outra lição: juntos somos mais fortes. Diante de todos os desafios que os jovens enfrentam, é a força do coletivo que os mantém unidos, fazendo com que eles superem as dificuldades.

Cascão, Mônica, Cebolinha e Magali fazem parte da infância de grande parte do povo brasileiro, o que nos faz ter uma forte ligação afetiva com eles. Imagino que escolher atores para interpretar e transmitir a essência deles tenha sido complicado. Mais um ponto a favor. Giulia, Kevin, Laura e Gabriel, embora ainda inexperientes, entregam carisma e conseguem estabelecer uma conexão com os espectadores. Nada tão impressionante, mas é um trabalho digno de elogios. O ponto alto fica com o divertido e intrigante desempenho de Rodrigo Santoro para dar vida ao Louco.

A caracterização também foi bem feita. É possível identificar quem é quem apenas pelas roupas e composições físicas. A ambientação do bairro do Limoeiro também é fiel, passando a impressão de uma cidadezinha mais afastada dos grandes centros urbanos, assim como nos quadrinhos. Já os efeitos especiais de Turma da Mônica: Laços, se é que podemos chamar assim, deixaram um pouco a desejar. A técnica utilizada para colorir o pelo do Floquinho não foi bem sucedida, deixando claro que se trata de computação gráfica. É claro que não existe cachorro verde, o que justifica a escolha. Mas, a falha fica evidente.

Por fim, a produção pode ser considerada um êxito nacional. Baseada em um produto de forte apelo popular e de raízes brasileiras, o filme tem um delicioso sabor de nostalgia. Para as crianças, público alvo, é uma forma de reapresentar personagens que são símbolo da infância de muitos adultos. É uma boa adaptação, com um interessante toque de mistério, que deixou seu criador orgulhoso e que reflete o que há de melhor na inesquecível Turma da Mônica.

TURMA DA MÔNICA: LAÇOS
3

RESUMO:

Embora seja voltado para o público infanto-juvenil, o live action Turma da Mônica: Laços consegue agradar até os mais antigos ao mesclar um roteiro consistente e atuações cativantes

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.