Crítica | ‘Espírito Jovem’ é uma bela adição ao seu subgênero

Espírito Jovem, uma espécie de American Idol para participantes mais novos, finalmente chega à Ilha de Wight, no Reino Unido. Essa é a chance de vários adolescentes provarem seu talento e possivelmente terem algum futuro na indústria musical. Apesar da história tão explorada por obras cinematográficas, o filme de Max Minghella possui seus atrativos.

Mais uma vez, Elle Fanning assume o papel costumeiro de adolescente excluída como Violet Valesnki. Imigrante, sem amigos na escola e garçonete de meio período no turno da noite e nos fins de semana, a garota super tímida revela ter um talento surpreendente: sua voz. Ao decidir participar do concurso, o ex-cantor de ópera Vlad (Zlatko Burić) enxerga o talento da garota diante de uma apresentação no restaurante para meia dúzia de pessoas, e decide acompanhá-la como seu empresário.

Max Minghella (A Rede Social, The Handmaid’s Tale) debuta na direção que apesar de não muito inovadora, consegue ser bem consistente ao considerar a proposta do filme; infelizmente, sua falha é devido ao roteiro, também assinado por ele. Por a história já ter sido muito explorada, elementos básicos precisavam ser aprimorados para o filme ganhar força, como o desenvolvimento dos personagens a não ser por Violet e Vlad. A transformação da mãe ao longo do filme, o interesse amoroso da banda de apoio da garota e a personalidade duvidosa de Jules (Rebecca Hall), são alguns desses fatores.

Ainda, Minghella cai em suas próprias armadilhas. No começo do filme, a presença de Vlad é necessária para Violet avançar no concurso, por ser menor de idade. Durante o terceiro ato, porém, o diretor cria um drama em torno da protagonista assinar ou não um contrato – sem nenhum responsável que concorde – anulando-o. Mas, apesar do roteiro não sair muito da superfície, ele se adapta bem à narrativa e sucede em engajar o espectador durante a trajetória de Violet.

As apresentações de Violet sustentam o filme por toda sua duração. Tanto o talento de Fanning ao performar músicas como a de Ellie Goulding e Ariana Grande quanto a escolha de Minghella em destacar atriz como uma estrela do pop em ascendência – que ao destoar da personalidade da protagonista normalmente, torna o longa muito mais interessante.

A fotografia de Autumn Durald consiste nas cores vibrantes e no neon, que com o conjunto de cortes ágeis transformam o visual do filme em um grande videoclipe.

Espírito Jovem se junta à categoria de filmes como Nasce uma Estrela e Vox Lux: O Preço da Fama, ambos lançado nos últimos meses. Apesar de alguns deslizes, o filme estreante de Max Minghella na direção faz uma bela adição ao subgênero tão explorando mas que demonstra o quanto ainda pode inovar.

ESPÍRITO JOVEM | TEEN SPIRIT
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RESUMO:

Espírito Jovem não possui tanta originalidade em seu roteiro, mas é bem dirigido e conta com a boa atuação de Elle Fanning.

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Rafaella Rosado

Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível assistir todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é uma arma poderosa de transformar realidades e uma forma de explorar diferentes culturas.