Crítica | ‘Entre Vinho e Vinagre’ não é tão bom quanto o elenco que possui

Netflix vem investindo em filmes originais dos mais diversos gêneros. Dentre eles, sua maior produção se destaca na área da comédia, seja comédias românticas como é o caso de Como Superar Um Fora e Meu Eterno Talvez, como também comédias centradas na amizade como por exemplo Alguém Especial. Entre Vinho e Vinagre, longa dirigido, produzido e protagonizado por Amy Poehler, que reune Tina Fey e Maya Rudolph, se encaixa neste último. 

No filme, seis amigas de meia idade se reúnem para comemorar o aniversário de cinquenta anos de uma delas. As companheiras que há muito não se viam, percebem que o tempo agiu sobre sua amizade, cada qual agora, possui questões pessoais que tendem a manter em segredo. Uma viagem ao Vale do Napa que serviria de comemoração, coloca a relação das mulheres em jogo. 

Apesar de possuir um elenco de peso na frente das câmeras, o filme não é tão divertido quanto aparenta. As personagens são caricatas, apresentando sempre uma única face de sua personalidade, sendo distinguidas a partir de estereótipos como a “empresária” ou a “furona”. Devido ao curto tempo e ao número de personagens principais, é possível entender a falta de aprofundamento nas mesmas, entretanto, isto dificulta a identificação com as personagens.

Ademais, o longa também apresenta plots previsíveis que acabam não acrescentando tanto à trama principal. Bem como os conflitos vividos entre as personagens que, basicamente estão presentes apenas para construir uma tensão pré-clímax, mas que são facilmente desconstruídas com a sua obviedade. Quando não, são impedidas de serem alcançadas devido aos cortes abruptos que as cenas possuem, tornando-as menores sem um objetivo final. 

Mesmo com os pontos negativos, é sempre bom ver Tina Fey e Amy Poehler reunidas. Desta vez com Maya Rudolph, que possui carisma e notável presença quando em cena. Em diversos pontos do filme, principalmente nas cenas musicais, é difícil não lembrar de sua performance em Missão Madrinha de Casamento (2011). Assim como o longa indicado ao Oscar em 2012, o ponto alto aqui é a veia cômica das atrizes que dá vida ao filme, transformando os falhos pontos citados anteriormente em algo mais divertido de se assistir.  

A amizade das seis personagens serve como plano de fundo para diversos temas, o que acaba tornando o filme dinâmico. É abordado o medo de envelhecer e a preocupação com a estabilidade na vida com base nos padrões estabelecidos, já que a sociedade possui um imaginário dos moldes nos quais uma mulher aos cinquenta anos deve estar inserida.

A construção da idade também é apontada em outros momentos do filme, como por exemplo, quando é levantado o debate a partir da recusa do uso de drogas ilícitas para diversão, em contrapartida com o uso de antidepressivos e analgésicos no dia a dia. A pincelada por temas mais sérios ocorre rapidamente, o que por sua vez também não acrescenta tanto ao filme. 

O filme conta com a presença de ilustres comediantes americanas, além das já citadas anteriormente, como Ana Gasteyer e Rachel Dratch. Apesar da fluida relação entre as personagens, é triste que o papel de Fey tenha sido limitado a pouco tempo de tela, quando comparado às outras protagonistas. Apesar de não fazer parte do grupo principal, nós a abraçamos como uma delas. A sequência final do filme apresenta isso de forma despojada, porém empolgante quanto a futura amizade daquelas mulheres. 

ENTRE VINHO E VINAGRE | WINE COUNTRY
2.5

RESUMO:

Entre Vinho e Vinagre é um filme para se ver despretensiosamente e sem muitas expectativas, durante o tempo livre.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.