Crítica | ‘Ma’ tem uma premissa interessante, mas peca ao não entregar a energia que precisava

Quando um grupo de adolescentes em busca da ajuda de um adulto para comprar bebidas alcoólicas se depara com uma quarentona bastante peculiar, Sue Ann (Octavia Spencer) ou simplesmente Ma, coisas estranhas começam acontecer quando a mulher passa a desenvolver uma obsessão por esses jovens.

Ma possui uma premissa bastante interessante e promissora, mas que vai perdendo a intensidade conforme o enredo se desenvolve. Com um ritmo que deixa a desejar e um roteiro tímido e nada ousado, o que poderia ser uma história envolvente acaba por se tornar algo decepcionante e esquecível.

Ao explorar a origem da motivação de Ma, o filme aposta em uma carta saturada, envolvendo situações de bullying genéricas e com pouca intensidade. Dessa forma, essa motivação, além de não causar empatia com o público, não entrega de fato, todas as facetas da personagem. Se ela manifesta atitudes sádicas e até homicidas, os flashbacks mostrando o bullying que sofreu no passado, não justificam essas ações. Quando se para pra pensar, fica tudo muito forçado.

Se o roteiro e a direção apostassem em uma coisa mais ousada, abraçando de fato o terror e a estranheza, com momentos mais esquisitos e técnicas que permeassem um clima de medo, o filme seria muito mais interessante e, consequentemente, bem mais memorável. Mesmo no que se refere ao drama, Ma é bastante decepcionante.

Se há algo que funciona é o núcleo adolescente, protagonizado por Maggie (Diana Silvers) que de fato, convence como uma jovem em uma situação daquelas. Contudo, a relação que Ma desenvolve com eles não chega a parecer verossímil a partir do final do segundo ato.

Há apenas uma cena ligeiramente aflitiva envolvendo uma faca e a nudez de um personagem, mas mesmo ela não se sustenta sozinha e cai no clichê.

Ma não é um filme horrível e até entretém, mas bem que poderia ser bom se o roteiro escrito por Scotty Landes e a direção de Tate Taylor tivessem mais energia e personalidade.

MA
2

RESUMO:

O que era para ser uma história enervante de obsessão e suspense acaba resultando em uma história decepcionante pouco ousada em Ma.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...