Crítica | ‘X-Men: Fênix Negra’ é melhor que o esperado, mas aquém de sua capacidade

X-Men é uma franquia que vêm passando por altos e baixos desde o seu início nos anos 2000. Marcada como a primeira equipe de heróis a ser apresentada no cinema, os mutantes sempre mantiveram um público fiel que os acompanhavam em cada lançamento, mas parece que nunca conseguiram alcançar o potencial gigantesco que possuem.  

Devido a tantos erros, a franquia coordenada pela FOX começou a causar desconfiança por parte dos fãs em relação a qualidade dos filmes e fidelidade ao material de origem. É inegável dizer que a linha temporal é completamente bagunçada e parece se embaralhar cada vez mais. Os produtores e roteiristas nunca demonstraram que sabiam onde esses mutantes deveriam chegar, e tentaram traçar diversos caminhos, testando diversos meios, para no final, chegar em um suposto ápice, que de ápice não tem nada.  

Mas não se engane, XMen: Fênix Negra não é o pior capítulo da franquia. Ele funciona como um episódio isolado, focando somente na trajetória da Jean Grey (Sophie Turner) e sua transformação em Fênix Negra. Mas, como fim de franquia, principalmente após quase duas décadas tentando estabelecer esse universo nos cinemas, o final chega a ser agridoce e aquém do esperado.  

Fênix Negra não passa a sensação de ser uma despedida desses personagens, e sim que o que está sendo visto é mais um filme episódico do que o ápice da franquia. Não houve uma grande construção de personagem ou de arco para chegar até aqui. E isso decepciona devido ao fato de que o arco da Fênix é um dos, se não o mais popular entre os quadrinhos dos mutantes.  

O grande acerto do longa é focar-se inteiramente em Jean, e não tentar inserir histórias demais em um filme que tem a menor minutagem de toda a franquia. Ela é o centro de tudo, como deveria ser, e Turner consegue carregar perfeitamente a personagem, não perdendo a mão durante suas transições de humor, e tendo a chance de brilhar com a direção focando em seu rosto durante os momentos chaves da personagem.

É triste ver que os roteiristas poderiam ter introduzido Jan Grey na franquia desde muito antes, mas resolveram inseri-la na história no filme anterior, não dando muito tempo para que o público se identifique o suficiente com a personagem, e sinta o peso que é a transformação em Fênix.  

Mas, por mais que o roteiro acerte em focar somente em Jean, ele ainda parece com medo de ir além, não deixando-a mostrar sua real ameaça. As atitudes da personagem não são as mais cruéis vistas na franquia, sendo até menos sérias do que muitas outras que vimos em filmes anteriores. Ela era para ser construída como uma ameaça global, alguém que ameaçasse diretamente não só os X-Men, e no fim das contas, o que é mostrado é apenas um “episódio piloto” do que poderia ter sido.  

Isso se agrega também na construção da vilã, interpretada por Jessica ChastainSua origem é mais básica possível, e ela nunca parece mostrar ao que veio. A sensação que passa é que desperdiçaram uma grande atriz, em um papel pequeno demais para sua capacidade. E por mais que tenha boas cenas contracenadas com Turnerela ainda parece abaixo do que realmente era capaz.
 

Um grande fator que deixa claro a falta de intenção de tornar o filme no ápice da franquia é a grandiosidade das cenas de ação. Longe de serem ruins ou vergonhosas, elas entregam algo contido, sem muita destruição e poluição visual. Os efeitos são excelentes, nunca parecem mal-acabados ou preguiçosos. O ato final, envolvendo uma luta em um trem, empolga, e reforça mais ainda a baixa escala de grandiosidade que o filme pretendia chegar.  

A trilha sonora é outro grande acerto. Composta por Hans Zimmerela consegue empolgar, e ao mesmo tempo dar peso ao filme. O impacto que a história deveria ter e não tem, é feito por ela, que ajuda a coordenar as cenas de ação perfeitamente, e até mesmo emocionar quando precisa. Zimmer nunca consegue errar a mão, independente do filme para qual está trabalhando.  

Quando se trata de um encerramento, o esperado é que todos os personagens que fizeram a franquia ser o que é, tenham seu espaço para brilhar, e se despedir do público. Aqui isso não acontece. Personagens secundários, e até mesmo alguns principais, ficam em segundo plano, e, em alguns casos, são até mesmo esquecidos após os 20 minutos iniciais. Esse é o problema com Mercúrio (Evan Peters), que conseguiu de destacar nos filmes anteriores, mas agora foi deixado completamente de lado, sem nem ao menos ter uma cena relevante para chamar de sua.  

X-Men: Fênix Negra não é o pior filme da nova era dos X-Men, cargo ainda ocupado por X-Men: Apocalipse(2016). Entrega boas cenas de ação, efeitos visuais deslumbrantes, e uma protagonista que se sai melhor do que a última versão da personagem nos cinemas. É melhor do que aparentava ser, e encerra a franquia não dando a atenção devida aos seus personagens secundários, mas consegue terminar a história de alguns principais de forma satisfatória. Agora com a compra da Fox pela Disney, o que nos resta é esperar que ela consiga achar o tom e a abordagem perfeita para os mutantes.  

X-MEN: FÊNIX NEGRA | DARK PHOENIX
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RESUMO:

X-Men: Fênix Negra não é o encerramento que a franquia merecia, mas ainda assim consegue se sair melhor do que o esperado. Sophie Turner brilha no papel de Jean Grey, mas sofre pela falta de coragem dos roteiristas de ir além com as capacidades da personagem.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.