Crítica | ‘Godzilla II: Rei dos Monstros’ entrega batalhas grandiosas mas decepciona no roteiro

A tão aguardada sequência de Godzilla, lançado em 2014, finalmente chegou aos cinemas. Após vencer a batalha contras os Mutos e causar uma destruição em massa, o reino de Godzilla está novamente ameaçado pelos seus colegas pré-históricos Ghidorah e Rodan. Com a ajuda de Mothra, a rainha dos monstros, o lendário personagem irá enfrentar o seu maior desafio. Nomes como Vera Farmiga (Invocação do Mal), Millie Bobby Brown (Stranger Things), Charles Dance (Game of Thrones) e Kyle Chandler (King Kong), completam o elenco do longa.

A criação de universos compartilhados não é uma dádiva recente no cinema. Embora a Marvel tenha sido muito bem sucedida com essa técnica, os estúdios da Universal já tinham empregado essa fórmula desde os anos 1920. A série de filmes chamada Universal Monsters reuniu grandes clássicos do horror como Drácula, Lobisomem, Frankenstein e a Múmia. A Warner Bros. vem tentando fazer o mesmo com o seu próprio material.

Em 2014 tivemos Godzilla, em 2017 o ótimo e estiloso Kong: A Ilha da Caveira, e agora Godzilla II: Rei dos Monstros. Ligados pela organização Monarch, que busca identificar criaturas lendárias ao longo do planeta, as produções prometem ser apenas o início de uma série de capítulos sobre fantasia e ficção científica.

Embora a ideia de criar uma série de filmes com histórias compartilhadas seja muito interessante, a falta de um roteiro pode culminar em fracasso. E é isso que o diretor Michael Dougherty nos apresentou, uma obra cara, com computação gráfica duvidosa e extremamente mal escrito. Além dos diálogos infantis, os personagens humanos não acrescentam em nada. Seria muito mais interessante se apenas as criaturas tivessem aparecido.

Apesar do elenco talentoso, não há muito que ser dito em relação às atuações. A personagem de Vera Farmiga é redundante e a justificativa de suas atitudes é muito simplória. Millie Bobby Brown também não surpreende. Claro que a culpa não é dos atores e sim do roteiro fraco e sem consistência. É claro que a intenção de colocar um drama familiar no meio é embasada na possível identificação do público com os personagens, mas isso não acontece. De todos os conflitos apresentados na tela, o que mais gera empatia é o do monstro protagonista.

Outro ponto a ser abordado é a computação gráfica. Claro que o CGI seria, de longe, a melhor opção para criar uma verdadeira batalha de monstros. Porém, em alguns momentos a plasticidade dos efeitos é muito perceptível, quebrando o clima de tensão. A produção optou, também, por inserir muita poeira e nuvens na filmagem, o que acaba atrapalhando a visão e deixando o resultado final escuro demais.

Embora alguns pontos sejam negativos, há alguns positivos. O design do Godzilla é bem feito, assim como os detalhes do seu corpo. A cena em que a Mothra sai do casulo pela primeira vez é visualmente incrível.

Para os amantes de uma boa destruição e briga entre titãs, como já vimos em Círculo de Fogo, o longa é um prato cheio. As batalhas entre Ghiorah e Godzilla são bem filmadas e nos trazem aquele gostinho de quero mais. É bonito de assistir! Não é que o filme seja totalmente ruim, mas ele é bem inferior do que o seu antecessor.

Assim como acontece com a maioria das franquias no cinema, sempre há um elo fraco. Esse é o elo mais fraco do MonsterVerse da Warner Bros., pelo menos por enquanto. Uma sequência já está prevista para estrear em 2020. Intitulada Godzilla vs Kong, a trama tará os dois maiores símbolos da ficção científica cinematográfica em um embate que promete ser épico.

GODZILLA II: REI DOS MONSTROS | GODZILLA: KING OF THE MONSTERS
2.5

RESUMO:

Godzilla II: Rei dos Monstros era pra ser o maior filme de monstros da história, mas se tornou uma trama confusa e com personagens dispensáveis

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.