Crítica | Riverdale: 3ª temporada apresenta ótima mudança na atmosfera, mas erra com roteiro confuso

Em sua estreia da primeira temporada, em 2017, ninguém poderia esperar que Riverdale se tornaria um fenômeno adolescente. A trama, baseada nos quadrinhos da Archie Comics, sobre o misterioso assassinato de Jason Blosson, conquistou milhares de fãs, a ponto de ser criada uma outra adaptação baseada nesse mesmo universo dos quadrinhos (“O Mundo Sombrio de Sabrina”, outro grande sucesso de público e com milhares de fãs também em pouquíssimo tempo). Agora, há mais de 2 anos após a sua estreia, a série chega em sua 3ª temporada com a proposta de aumentar a escala de sua história e deixa-la mais sombria.

No terceiro ano da série, enquanto Archie (KJ Apa) precisa enfrentar o julgamento de sua acusação por assassinato, Jughead (Cole Sprouse), Betty (Lili Reinhart) e Veronica (Camila Mendes) precisam não só ajudar Archie a provar sua inocência, como também precisam encarar desafios como a gangue dos Ghoulies, o pai de Veronica, e chefe da máfia Hiram Lodge, e uma nova ameaça que tem assassinado diversos adolescentes com um jogo de RPG de mesa, o Rei Gárgula.

A principal diferença nessa temporada, e que é sentida já nos primeiros minutos, é a de mudança no clima, que passou de quase um mistério Noir, com seu clima cinza e narrações constantes, para uma trama de suspense e terror adolescente, com fotografia mais escura e diversos clichês do gênero (como várias cenas de apenas uma pessoa investigando um local, em que claramente o assassino está à espera). Tal mudança não só é bem-vinda, como traz um ar de renovação, já que seus personagens estão mais maduros do que nas temporadas anteriores.

Porém, essa mudança no clima da série também traz problemas. Apesar dos personagens apresentarem uma maturidade maior após os eventos das temporadas anteriores, e das boas atuações de grande parte do elenco, há um certo estranhamento quanto a mudança repentina de personalidade de alguns personagens, principalmente do protagonista Archie. Mas isso também é um sintoma do maior problema na terceira temporada de Riverdale , o roteiro.

Desde o início, a série não só apresentava um grande problema a ser resolvido pelo quarteto de protagonistas, mas também desenvolvia a história de cada um, com pequenos problemas familiares que faziam com que a trama principal ficasse cada vez mais difícil. Porém, com o passar das temporadas, a escala das subtramas começa a ficar cada vez maior, com cada um dos personagens principais tendo que resolver problemas gigantes, e é aí que o roteiro falha, no equilíbrio dessas tramas.

Enquanto histórias como a de Betty e Jughead acabam se destacando e trazendo histórias interessantes, Archie e Veronica acabam presos em situações menores, extremamente desinteressantes e esticadas demais, já que essas precisam ser contadas em 22 episódios de 40 minutos (que também incluem dois péssimos episódios musicais).

Apesar da ótima mudança de tom, no fim, a terceira temporada de Riverdale passa a impressão de cansaço por parte do roteiro, que não só não sabe equilibrar as diversas histórias contadas nesta temporada, mas que não sabe o que fazer com seus ótimos personagens.

RIVERDALE - 3ª TEMPORADA
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RESUMO:

Mesmo com ótima mudança na atmosfera, a 3ª temporada de Riverdale apresenta um roteiro confuso e desequilibrado.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.