Festival de Cannes 2019 | Céline Sciamma é a primeira mulher a ganhar a Queer Palm, prêmio dedicado ao cinema LGBT

O Festival de Cannes 2019 vai chegando ao fim e os prêmios começando a ser entregues. No dia 24 de maio foi entregue a Queer Palm, prêmio atribuido a filmes que abordam temática LGBT.

Fundado em 2010 pelo jornalista Franck Finance-Madureira, o prêmio é patrocinado por Olivier Ducastel e Jacques Martineau, que financiam 15 mil euros (R$ 65.812) para o vencedor da categoria longa-metragem e 3 mil euros (R$ 14.478) para o vencedor entre os curtas.

Suas regras são um pouco diferentes das dos outros prêmios, o prêmio reconhece o filme pelo tratamento dado à temática LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), dentre as obras apresentadas em todas as seleções do festival: Um Certo Olhar, Semana da Crítica (Semaine de la critique), Quinzena dos Realizadores e a Acid (Association pour le cinéma indépendant et sa diffusion).

Este ano o prêmio foi entregue ao filme Portrait of a Lady on Fire, de Céline Sciamma, primeiro filme dirigido por uma mulher a vencer o prêmio. O filme gira em torno do amor vivido entre uma pintora e sua modelo, no século XVIII. O curta premiado foi The Distance Between Us and The Sky, do grego Vasilis Kekatos, um dos curtas-metragem em competição em Cannes.

Este ano o júri da Queer Palm teve a presença de dois brasileiros. Os gaúchos Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, diretores de Tinta Bruta, que ganhou o Teddy em 2018, prêmio entregue no Festival de Berlim para filmes também LGBT. “É um prêmio muito importante, principalmente porque acontece em Cannes, que é um festival tão diverso, com filmes de várias localidades do mundo, com diferentes vozes”, comenta Matzembacher. “Estamos muito ansiosos, pois o Queer Palm já teve vários realizadores que nós admiramos, seja fazendo parte do júri ou que foram premiados. Serão dez dias de muito cinema e boas conversas sobre o assunto”, completou. (via RFI)

O juri foi presidido pela diretora Claire Duguet, composto ainda pela comediante Kee-Yoon Kim e os diretores brasileiros acima citados. Ao entregar o prêmio, o júri anunciou: “O filme que escolhemos premiar para esta 10ª edição do Queer Palm não é apenas uma história lésbica, mas, acima de tudo, um filme incrível para o cinema”.

A lista de filmes que concorria à Queer Palm possuia 19 títulos, incluindo Dor e Glória, de Pedro Almodóvar; Rocketman, de Dexter Fletcher; Port Authority, de Danielle Lessovitz; Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; Indianara, de Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, dentre outros.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.