Festival de Cannes 2019 | Confira os vencedores da mostra ‘Semana da Crítica’

A Semana da Crítica (Semaine de la critique) é uma mostra paralela do Festival de Cannes, fundada em 1962 e organizada pela Associação Francesa de Crítica Cinematográfica.É a mais antiga seção paralela não competitiva do festival. Costuma descobrir grandes diretores do cinema, exibindo geralmente o primeiro ou segundo longa de cineastas que, no futuro, viram grandes nomes da indústria, permanecendo assim fiel à sua tradição de descobrir novos talentos.

Surgiram nessa mostra os diretores Arnaud Desplechin, presente com filme em competição; Gaspar Noé, presente no festival com filme na mostra Sessões Especiais, e Alejandro González Iñárritu, presidente do júri oficial.

Este ano, o júri da Semana da Crítica foi presidido pelo diretor colombiano Ciro Guerra, além de ter sido composto por:  a atriz britânica Amira Casar (Me Chame Pelo Seu Nome), a produtora dinamarquesa Marianne Slot (Uma Mulher em Guerra), a crítica congolesa Djia Mambue e o cineasta italiano Jonas Carpiggiano (A Ciambra).

Vencedores:

GRANDE PRÊMIO NESPRESSO (MELHOR FILME): I Lost My Body, de Jérémy Clapin

A animação francesa que levou o maior prêmio da mostra, é uma adaptação do romance de Guillaume Laurant, escrita em 2006. Ele conta a história de uma mão decepada que escapou do laboratório de dissecação no qual estava presa durante os últimos meses. Com a fuga ela possui um só objetivo: retornar para o restante de seu corpo e voltar a fazer parte de um organismo completo. Enquanto ela vaga pelos arredores de Paris, se lembra dos tempos de quando era apenas uma jovem mão no corpo de um apaixonado rapaz.

O site The Wrap define o filme como sendo um “tesouro fidedigno que deixará suas impressões digitais melancólicas por toda a alma do espectador.”

PRÊMIO LEICA CINE DISCOVERY (MELHOR CURTA-METRAGEM): She Runs, de Qiu Yang

No curta chinês de 20 minutos, durante um inverno, YU, uma pequena estudante do ensino médio, tenta deixar sua equipe de dança aeróbica da escola.

PRÊMIO LOUIS ROEDERER FOUNDATION (REVELAÇÃO): Ingvar E. Sigurðsson, por Hvítur, Hvítur Dagur (A White, White Day)

Na coprodução entre a Islândia, Dinamarca e Suécia, em uma remota cidade da Islândia, um policial começa a suspeitar que um morador já tenha tido um caso com a sua recém-falecida esposa. Gradualmente, a sua obsessão por descobrir a verdade vai se tornando um problema cada vez mais grave e possivelmente fatal para todos os envolvidos na situação.

O protagonista é representado pelo ator islândes Ingvar E. Sigurðsson, que antes de vencer o prêmio, já havia sido destacado por algumas críticas, como a do Screen Daily: “Ingimundur é um personagem fascinante, esplendidamente retratado por Ingvar E. Sigurðsson.”

PRÊMIO GAN FOUNDATION DE DISTRIBUIÇÃO: Vivarium, de Lorcan Finnegan (Irlanda/Bélgica/Dinamarca)

O filme (imagem) que mistura suspense e ficção científica, conta a história de um casal que, enquanto procuram pela casa ideal para que possam morar juntos, se vê preso em um complicado labirinto feito de moradas idênticas entre si. Quando eles percebem que o local não é nada do que imaginavam, pode ser tarde demais. O filme é protagonizado por Imagon Poots e Jesse Eisenberg.

PRÊMIO SACD (Society of Dramatic Authors and Composer): César Díaz, pelo roteiro de Nuestras Madres (Our Mothers).

Na coprodução entre a Guatemala, Bélgica e França, no ano de 2013, na Guatemala, o antropologista Ernesto estuda o paradeiro de várias pessoas que desapareceram dentro do contexto de uma tomada militar. Um dia, enquanto passeia por uma loja de antiguidades, ele descobre uma pista que pode levá-lo a resolver o mistério do desaparecimento de seu próprio pai.

“O filme de estréia de Cesar Diaz é ao mesmo tempo compacto e ambicioso, destilando seus temas maiores na história central de um jovem e sua mãe secreta. […] Ao longo de seu filme, Diaz evita altos dramáticos em favor de observações sólidas.”, afirma o Screen Daily.

PRÊMIO CANAL+ DE CURTA-METRAGEM: Ikki illa meint (Sans mauvaise intention), de Andrias Høgenn

O curta apresenta Elinborg que acidentalmente encontra sua amiga Marita no supermercado. A conversa é civilizada, mas um pouco estranha, já que Elinborg esqueceu o aniversário de Marita. No entanto, outra coisa está incomodando Marita, que decide encurralar sua amiga e perguntar se Elinborg a bloqueou no Facebook. O filme é uma coprodução entre a Dinamarca e as Ilhas Faroé.

O Festival de Cannes vai até o dia 25 de maio.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.