Estudo anual registra aumento de personagens LGBTQ em Hollywood

O GLAAD (Gay and Lesbian Alliance Against Defamation) divulgou seu sétimo Índice de Responsabilidade de Estúdios (SRI), um relatório que mapeia a quantidade, qualidade e diversidade de personagens LGBTQ, em filmes lançados pelos sete maiores estúdios cinematográficos e suas subsidiárias durante o ano de 2018. O estudo aponta um aumento na representação em Hollywood, em relação aos grandes estúdios.

Segundo  a GLAAD, dos 110 lançamentos dos principais estúdios em 2017, 20 (18,2%) deles incluíram personagens lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e/ ou queer. Isso representa um aumento substancial em relação ao relatório do ano anterior (12,8%, 14 de 109 filmes), que havia registrado a menor porcentagem de lançamentos de estúdio inclusivos de LGBTQ, desde que a GLAAD começou a acompanhar o índice, em 2012. Este ano, foi registrada a segunda maior porcentagem de filmes inclusivos encontrados nos sete anos de história do relatório, ficando atrás apenas de 18,4% dos filmes (23 de 125) em 2016.

O relatório também aponta que houve um número igual de filmes que incluíam personagens gays e lésbicas, com 55% (11) dos filmes inclusivos LGBTQ contando gays, e 55% dos filmes inclusivos LGBTQ apresentando personagens lésbicas. A representação bissexual manteve-se estável em 15% (3 filmes).

Entretanto, pelo segundo ano consecutivo, personagens transexuais estiveram ausentes dos 110 maiores lançamentos de estúdio. Além disso, a inclusão de pessoas de cor teve uma queda significativa. Em 2018, 42% dos personagens LGBTQ eram pessoas de cor (19 de 45) e 58% (26) eram brancos, representando uma queda de 15%. Porém, embora tenha ocorrido uma diminuição notável, foram registrados seis personagens asiáticos LGBTQ, 13% do total. No ano passado eles estiveram ausentes dos lançamentos dos grandes estúdios.

Nick Robinson em “Com Amor, Simon” (2018) –  Fox 2000 Pictures

METAS ATÉ 2024: QUAIS ESTÚDIOS ESTÃO CUMPRINDO?No estudo do ano passado, a presidente e CEO da GLAAD, Sarah Kate Ellis, pediu aos sete maiores estúdios de cinema de Hollywood que garantissem que 20% dos principais lançamentos anuais de estúdio incluam personagens LGBTQ até 2021, e que 50% dos filmes incluam personagens LGBTQ até 2024. Quatro dos sete estúdios atingiram essa meta de 20% individualmente – a 20th Century Fox, com 40%, a Universal Pictures, com 30%, a Warner Bros., com 22%, e a Paramount, com exatamente 20%.

“Os lançamentos de sucesso de filmes, incluindo Com Amor, Simon, Deadpool 2 e Blockers, trouxeram novas histórias LGBTQ para o público em todo o mundo e elevaram o padrão para a inclusão de LGBTQ em filmes”, disse Ellis. “Enquanto a indústria cinematográfica deve incluir mais histórias de pessoas LGBTQ de pessoas de cor e transgêneros, os estúdios estão finalmente lidando com as escalações de pessoas LGBTQ e aliados em todo o mundo que querem ver mais diversidade em filmes.”

O estudo atualizou as classificações para os sete estúdios quando se trata de inclusão LGBTQ. Universal Pictures e 20th Century Fox receberam a classificação “Bom”. Já outros estúdios como Paramount Pictures, Sony Entertainment e a Warner Bros. estão com status “Insuficiente”. Lá embaixo,  Lionsgate Entertainment e Walt Disney foram classificados como “Failing”.

Shioli Kutsuna e Brianna Hildebrand em “Deadpool 2” (2018) – 20th Century Fox

MAIOR TEMPO DE TELA

Além da inclusão, o estudo recomenda aos grandes estúdios atribuir mais tempo de tela para personagens LGBTQ. Dos 20 filmes inclusivos lançados em 2018, o GLAAD concluiu que dez filmes apresentavam mais de dez minutos de tempo de tela para um personagem LGBTQ. Dos 45 personagens LGBTQ mapeados, 26 deles tinham menos de três minutos de tempo de tela e 16 deles tinham menos de um minuto.

Além disso, o GLAAD recomendou que animações e filmes familiares devem incluir personagens LGBTQ, já que nenhum dos 18 filmes que se enquadram na categoria. A propósito, é a primeira vez em cinco anos que o GLAAD não conta um único filme desse gênero como inclusivo LGBTQ, além de recomendar maior diversidade racial e inclusão de personagens com deficiência, de diferentes religiões e tipos de corpo, além de pedir que os estúdios sigam o exemplo da TV e coloquem mais histórias e personagens trans em seus principais filmes.

“Sabemos que a inclusão é a coisa certa a fazer e boa para o resultado final. As audiências apoiadas destacam-se nos lançamentos abrangentes inclusivos do LGBTQ no ano passado, com seus dólares e agitação social. A Nielsen descobriu que o público LGBTQ tem 22% mais chances de assistir a um lançamento teatral mais de uma vez ”, disse Megan Townsend, Diretora de Pesquisa e Análise de Entretenimento da GLAAD. “Os estúdios devem reconhecer o poder dos cinéfilos LGBTQ e o desejo por histórias que se refletem, e criar e comercializar mais filmes para esse público que está pronto para comprar ingressos.”

Nico Santos em “Podres de Ricos” (2018) – Warner Bros.

CRITÉRIOS ADOTADOS

A GLAAD estabeleceu um método baseado  no “Teste Vito Russo”, que analisa um  conjunto de critérios para verificar como os personagens LGBTQ estão situados em uma narrativa. O  nome é baseado no historiador de cinema, ativista e co-fundador da organização, Vito Russo. O teste é parcialmente inspirado pelo Teste de Bechdel, criado pela cartunista norte-americana Alison Bechdel, que avalia se um filme faz bom uso de personagens femininas.

Os critérios do teste Vito Russo representam um padrão mínimo que a GLAAD gostaria de ver no futuro, em um maior número de filmes dos grandes estúdios de Hollywood. Esse método estabelece que um filme contenha um personagem que é assumidamente lésbica, gay, bissexual, transgênero ou gay. Seu caráter não deve ser único ou predominantemente definido por sua orientação sexual ou identidade de gênero, e o personagem LGBTQ deve estar ligado ao enredo de forma significativa, de maneira que sua remoção tenha um efeito significativo.

Neste ano, verificou-se que 65% (13 de 20) dos filmes inclusivos LGBTQ lançados em 2018 foram aprovados no Teste Vito Russo, que é o maior percentual registrado na história do relatório. Os principais lançamentos do estúdio que passaram no teste Vito Russo em 2018 incluem Com Amor, Simon, Blockers, Deadpool 2, Podres de Ricos, Millenium: A Garota na Teia da Aranha e outros.

A GLAAD também divulgou um vídeo que inclui momentos dos GLAAD Media Awards, que inclui nomes como Greg Berlanti, Samira Wiley, Lena Waithe, Troye Sivan, Kerry Washington, Trace Lysette e Tarell Alvin McCraney.

Para ler e baixar o relatório completo, clique aqui. 

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...