Festival de Cannes | Dia 7: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão cativa Cannes; Irmãos Dardenne e Ira Sachs não abalam competição

No último dia 20, sétimo dia do Festival de Cannes, ocorreu a coletiva dos filmes Portrait of a Lady on Fire, da francesa Céline Sciamma, e de A Hidden Life, de Terrence Malick.

Na conferência de imprensa do filme de Sciamma, havia apenas mulheres presentes na mesa, contando com a diretora, o elenco representado pelas atrizes Noemie Merlant, Adele Haene, Valeria Golino e Luana Bajrami; a produtora Benedicte Couvreur, e a diretora de fotografia Claire Mathon.

Durante a entrevista, a moderadora da mesa começou perguntando a Sciamma se ela poderia comentar um pouco sobre como o filme aborda a questão do olhar para o outro. A diretora, ao responder, apresentou qual foi o seu objetivo central com o filme: “É bem físico também. “O que é se apaixonar?” Eu acho que muitas vezes no cinema, acabamos com algo muito convencional, uma comédia, ou um drama.”. “Mas aqui, minha idéia era realmente olhar para como é se apaixonar, o que é estar apaixonado”, finalizou.

Já na conferência do drama A Hidden Life, o diretor Terrence Malick não compareceu, entretanto o casal protagonista formado por Valerie Pachner e August Diehl esteve presente respondendo aos jornalistas.

Uma das perguntas existentes na mente de todos aqueles que acompanham o Malick foi feita por um jornalista aos atores: Por que A Hidden Life demorou tanto tempo para ser finalizado, já que foi filmado em 2016? Os atores, que viram ao filme pela primeira vez no festival, responderam: “O que eu posso dizer é que eu me pergunto isso também. Mas ontem à noite eu acho que eu tive a resposta. Este filme é editado de uma maneira que…eu nunca vi um filme editado como este“, respondeu Diehl.

“Eu acho que a edição é uma parte tão importante nesse filme, porque nós filmamos muito material e Terre sempre disse “nós somos como ‘caçadores de peixes’. E esse foi o trabalho do editor, trabalhar para pegar esses peixes. Às vezes 20 minutos leva mais tempo, ou 30 minutos. É realmente difícil para o editor, então obrigado por este trabalho maravilhoso e o que você escolheu. E acho que demorou tanto, porque é apenas um processo diferente”, completou Pachner. Quando perguntados onde estaria o diretor, ambos o atores responderam: “Eu não faço ideia”.

Céline Sciamma e sua equipe em Cannes

Seleção Oficial

Na exibição dos filmes que participam da Seleção Oficial foi vez de Young Ahmed, dos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, e Frankie, do americano Ira Sachs.

Na premiere de Young Ahmed estiveram presentes os diretores Jean-Pierre e Luc Dardenne, os atores Victoria Bluck, Idir Ben Addi e a equipe do filme. Em seu novo longa, os irmãos contam a história de Ahmed (Addi), um menino muçulmano de 13 anos de idade que vive na Bélgica. Seguindo as palavras de um imã local, e inspirado nos passos do primo extremista, ele começa a rejeitar a autoridade da mãe e da professora. Quando se convence de que a professora é uma pecadora por ministrar um curso de árabe sem utilizar o Corão, Ahmed decide matá-la para impressionar os líderes religiosos e agradar a Alá.

A recepção do filme foi morna, visto que os irmãos têm em sua filmografia uma vasta quantidade de filmes aclamados como Dois Dias e Uma Noite (2011) e A Promessa (1966).

O site Adoro Cinema, deu 4 estrelas para o filme, destacando a performance do protagonista e elenco, além do uso da câmera nas mãos dos Dardenne. “Ben Addi caminha muito bem entre a inocência e a arrogância, com o olhar baixo, emburrado, que representa tanto a resiliência quanto a birra infantil. A voz ainda é vacilante, mas ele engrossa o tom e busca palavras de efeito quando quer ser ouvido. Os demais atores são dirigidos no mesmo registro naturalista que os autores vêm aperfeiçoando há anos, obtendo uma espécie de realismo terno, um otimismo em relação à possibilidade de mudanças.”. “O trabalho de câmera se mantém impecável, seguindo o garoto onde quer que seja, revelando os seus segredos […] enquanto preserva sua dignidade […]. O steadycam frenético e discreto dos Dardenne resulta em enquadramentos ao mesmo tempo belíssimos e expressivos.”

Enquanto isso, o The Guardian pontuou o filme com 3 estrelas. Peter Bradshaw o definiu como sendo “um filme poderoso sobre uma questão contemporânea com uma cena de “prisão” de suspense – potencialmente de suspense, em todo caso.” Entretanto, para ele, o final deixa a desejar. “Os Dardennes estão fazendo algo diferente de tudo isso, embora mais uma vez mostrem sua tendência a resolver problemas narrativos de terceiro ato com um floreio melodramático e quase farsesco – uma perseguição através do campo aberto não é incomum – e o final aqui não é inteiramente satisfatório.”

O IndieWire deu ao filme um B, equivalente a uma nota 3. De acordo com Eric Kohn, “Embora impulsionado por um punhado de encontros emocionantes e a habitual narrativa econômica de Dardennes, Young Ahmed nunca vai além do desafio fundamental que Ahmed enfrenta para fornecer insights mais profundos sobre seu comportamento, conceito provocativo em termos bastante simples.”. Ainda assim, o longa tem seu valor, “Os Dardennes foram os reis do realismo social durante anos, e contam essas fábulas da moralidade no piloto automático, mas são contadores de histórias tão precisos que até mesmo um trabalho menor como o Young Ahmed consegue dar tenso confronto às conotações do mundo real.”

Durante a noite na Croisette, foi vez do longa Frankie, de Ira Sachs. Na sua premiere estiveram presentes o diretor, a protagonista Isabelle Huppert e equipe do filme. Em Frankie, Huppert interpreta a personagem que dá título ao filme, sendo Frankie uma famosa atriz francesa. Quando descobre estar muito doente, com perspectiva de morrer dentro de poucos meses, ela se refugia em Sintra, Portugal, onde pretende passar os seus últimos dias, ao lado dos familiares, que aos poucos descobrem a gravidade da situação. O elenco ainda conta com Marisa Tomei, Brendran Gleeson e Jérémie Renier.

Para o The Hollywood Reporter, faltam as características principais que se destacaram em filmes como Deixe a Luz Acesa  (2012), de Sachs, incluindo carga emocional. “Se o drama sereno e delicado sobre família e casamento, amor e perda não tem a complexidade emocional e o investimento pessoal intenso do melhor trabalho de Sachs, seu elegante verniz de arte tradicional deve ajudar a Sony Pictures Classics a encontrar uma audiência para o lançamento no outono . Dito isto, esta é definitivamente uma entrada de segunda linha do diretor, e uma escolha estranha para sua estréia na competição de Cannes, com a plataforma de lançamento francesa ampliando sua sugestão de Rohmer-lite”.

Já para o The Wrap, foi bom ter um filme mais simples como Frankie, possibilitando assim um descanso de filmes tão frenéticos como aqueles que estão sendo exibidos no festival. “Sem grandes colapsos ou grandes transformações dramáticas, o filme se parece com um álbum de família, apresentando uma série de instantâneos de várias pessoas em diferentes fases da vida reunidas em um determinado ponto no tempo.”

O site também destaca a performance naturalista de Huppert, que assim como sua personagem, também é uma grande atriz francesa. “Assumindo um papel destinado a reduzir o fosso entre performer e personagem como oportunidade para descobrir novos níveis no naturalismo, Huppert oferece outra virada lindamente modulada em uma parte que é primariamente reativa. Seus melhores momentos chegam como sutilezas e movimentos corporais sutis…”

A crítica do site Variety, assim como o The Hollywood Reporter, também compara o novo filme de Sachs com a filmografia do cineasta Eric Rohmer. “Como cineasta, Ira Sachs […] é como uma flor que brota novos rebentos, ficando cada vez mais bonitos e complicados e delicado. Seu novo filme, Frankie, pode ser o mais próximo que alguém chegou a fazer uma versão americana de um filme de Eric Rohmer. Mas Frankie, ainda mais exatamente, recria a enganosamente casual e sinuosa, mas precisa, de um pequeno punhado de personagens perambulando, sem fazer muita coisa além de revelar, através de conversas e (ocasionalmente) através de ação, quem eles são, e como, quase imperceptivelmente, ao longo de um filme, eles podem mudar.”. “No entanto, apesar de toda a sua elegância naturalista e precisão mais leve que o ar, é um filme americano de Rohmer que, infelizmente, não parece estar perto de ser um grande filme de Rohmer.

O crítico Owen Gleiberman também chama atenção para a protagonista, “Huppert, revelando sua aura, não faz um movimento errado, mas eu gostaria que Sachs permitisse que ela expressasse uma tristeza por não termos apenas que ler nas entrelinhas…”


Sessões Especiais

Na mostra paralela do festival foram exibidos os filmes Chicuarotes, de Gael García Bernal e Tommaso, de Abel Ferrara.

O ator mexicano Gael García Bernal, famoso pelos filmes Amores Brutos (2000) e Diários de Motocicleta (2004), estréia seu segundo longa como diretor, após seu debute em Deficit (2007). Em Chicaruatores, Cagalera (Benny Emmanuel) e Moloteco (Gabriel Carbajal) são dois amigos adolescentes que vivem na Cidade do México. Insatisfeitos com sua difícil situação financeira, eles decidem tomar medidas drásticas e acabam se envolvendo com o mundo do crime.

De acordo com o Screen Daily, o novo filme de Bernal, “decepciona como uma continuação tardia do seu primeiro longa.” “É a descontinuidade tonal que realmente prejudica o filme. Uma história de vida de rua que parece um Los Olvidados da era do WhatsApp, Chicuarotes tem energia de sobra, mas tem uma estratégia dramática instável, pulando desajeitadamente entre a comédia boba, a violência intransigente e o melodrama exageradamente selvagem.”.

Já o Cinema em Cena fez uma crítica positiva ao longa, destacando o trabalho do diretor. “Cheio de vigor e demonstrando segurança na função, Bernal faz um ótimo trabalho ao controlar o tom da narrativa, que vai da comédia ao puro horror em questão de segundos, culminando numa constatação triste de que, depois de toda uma existência sendo vitimado pela sociedade, talvez seja tarde demais para impedir que seu anti-herói se torne brutalizado e tão perdido quanto as gerações de oprimidos das quais sonhava em se distanciar.”

O segundo longa exibido na seção foi o novo de Abel Ferrara, Tommaso. No filme, protagonizado por Williem Dafoe, Tommaso decide contar sua própria história. Um artista americano vive em Roma, na Itália, com sua jovem esposa européia e sua pequena filha de três anos de idade. Quando os fantasmas de seu passado vão perturbá-lo, ele se vê forçado a encarar a vida que viveu e refletir sobre o que criou.

O site Little White Lies elogia a forma como Ferrara une sua vida pessoal ao filme. “Muitas vezes há uma linha tênue entre as histórias que um autor escolhe colocar na tela e sua própria vida. Tommaso é um exemplo perfeito, com o escritor / diretor Abel Ferrara montando seu novo filme em seu próprio apartamento em Roma, e colocando sua esposa e sua filha de três anos nos papéis coadjuvantes.”. Ainda, “Ferrara mergulha fundo em sua vida pessoal para entregar um estudo de caráter doce e honesto de um homem lutando com culpa e ansiedade. Dafoe é incrível, mas o grande final do filme parece um passo para trás depois de um conto tão íntimo, receptivo e redentor.”

O IndieWire, que deu nota B para o filme,  compara o longa com Birdman (2014). “Um microbudget Birdman sobre as dificuldades de um artista que já foi um sucesso, perdendo a noção da realidade, Tommaso é o trabalho mais pessoal de Ferrara em muitos níveis. A peça de câmara lo-fi é um autorretrato confuso e ruminante, elevado pela performance extraordinária de Dafoe e uma intimidade impressionante que distingue o filme de muito do trabalho de Ferrara. Desde seus momentos de abertura agridoces até a perturbadora homenagem à performance de Dafoe A Última Tentação de Cristo no final, Tommaso é um olhar emocionante sobre o processo de escapar para uma vida melhor, apenas para descobrir que o antigo o acompanha a todo momento.”


Um Certo Olhar, com presença nacional

No sétimo dia do festival, foi vez de uma das produções nacionais confirmadas anteriormente em Cannes, A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz. Estiveram na premiere do filme o diretor e seu elenco formado por Carol Duarte, Julia Stockler, Gregório Duvivier, Cristina Pereira e mais. A diretora Claire Denis também esteve presente na sessão. No final da exibição o filme foi ovacionado por quem estava presente, sendo aplaudidos por vários minutos na sala Debussy.

O diretor, que já tem uma filmografia conhecida nacional e internacionalmente, volta a Cannes após exibir seus longas Madame Satã (2002) nesta mesma mostra, e O Abismo Prateado (2011). Em seu novo filme, baseado em livro de mesmo nome escrito por Martha Batalha em 2015, na década de 1940, Eurídice é uma jovem talentosa, mas bastante introvertida. Guida é sua irmã mais velha, e o oposto de seu temperamento em relação ao convívio social. Ambas vivem em um rígido regime patriarcal, o que faz com que trilhem caminhos distintos: Guida decide fugir de casa com o namorado, enquanto Eurídice se esforça para se tornar uma musicista, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as responsabilidades da vida adulta e um casamento sem amor.

O The Hollywood Reporter ressaltou a essência do filme em torno da saudade, palavra que não há uma tradução específica em nenhuma outra língua. Bem como, ressaltou a extrema importância das mulheres no filme. “Rodando generosas duas horas e 20 minutos, seu novo filme é às vezes lânguido, mas sempre envolvente, envolvido no sentimento caracteristicamente brasileiro de melancolia conhecido como saudade, mas sustentado por uma sensação de calor e solidariedade que parece presente mesmo quando toda conexão física entre os personagens centrais foram quebrados. Um profundo amor e respeito pelas mulheres – irmãs, mães, amigas que se tornam mães de família – e um sombrio reconhecimento das injustiças que elas absorvem informam cada cena.”

O site também destacou as performances das protagonistas: “O filme também se beneficia das distintas presenças das novatas em tela relativas, Carol Duarte e Julia Stockler, dando performances que variam de um espectro de vulnerabilidade enervada à frustração irregular da insanidade nos papéis-chave; e desde uma adorável estendida aparição até o final pela grande Fernanda Montenegro, tão inesquecível em Central do Brasil de Walter Salles. O rosto dela aos 90 anos é um magnífico mapa da humanidade, experiência emocional e, nesse papel, contemplou a dor.”

O site Roger Ebert destaca, além das performances, a direção de fotografia do filme. “Há muito para admirar aqui, particularmente as performances femininas e o delicado sombreamento da cinematografia de Hélène Louvart. A questão de como A Vida Invisível de Eurídice Gusmão vai se resolver, mantém o filme continuamente absorvente e cheio de suspense. A falha fatal do filme é que ele não parece saber a resposta. Depois de quase duas horas e meia de tempo de tela, Vida Invisível chega para um pouso suave. É um final seriamente desanimador para um filme que aspira à riqueza do mito.”

O Cinema em Cena e Adoro Cinema, que conferiu ao longa a nota 4,5, apesar de terem feito positivos comentários acerca do filme, também levantam uma mesma pontuação negativa: o título. “Talvez o único porém da produção seria o fato de conservar o título do livro, A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, embora as atenções sejam bem divididas entre as duas irmãs – talvez Guida inclusive receba maior atenção por parte da montagem. O filme não acompanha o ponto de vista de Eurídice, como pode sugerir o nome, preferindo o olhar externo ao mosaico de personagens femininas.”

Outro longa exibido na vitrine foi o taiwanese Nina Wu, de Midi Z. Na photocall do filme, além do diretor, estiveram presentes também Hsia Yu-chiao, Wu Ke-Xi e Sung Yu-Hua.

No filme, Nina Wu (Wu Ke-Xi) é uma jovem mulher que deixa sua pequena companhia de teatro do interior e se muda para a cidade grande para correr atrás de seu sonho de ser uma atriz de sucesso. Quando, depois de um longo período de depressão e fracasso, ela consegue um papel de heroína em um filme de espionagem, ela encontra novos obstáculos pela frente. Batalhando contra a desigualdade de gênero na indústria do cinema, assim como uma série de incidentes e ameaças, Nina se vê questionando se há alguma maneira de escapar as eternas dificuldades da vida real.

Para o The Playlist, que deu nota Ba o filme, Nina Wu “explora as profundezas de um drama pós-era MeToo”, movimento levantado pelas mulheres da indústria contra a violência sexual e violência de gênero em suas diversas instâncias. “Os contrapontos são um pouco indelicados, aqui, em um filme com sua moral tão claramente exposta no primeiro quadro. […] Talvez a figura do diretor seja a mais próxima de Midi Z, ao exigir que a realização masculina seja sempre baseada no sofrimento feminino, ou o agente, ao questionar se sua persuasão gentil e sua promessa hipócrita de “respeitar a decisão de Nina” também não implicam o seu grau de poder de viagem. Ainda assim, há bravura admirável para a disposição do Midi Z de submeter um filme #MeToo ao circuito do Festival de Cannes logo após o fato. Cannes é há muito tempo um ponto de encontro para notórios abusadores na indústria, incluindo Harvey Weinstein, e como resultado, “Nina Wu” carrega uma acusação especial para o local de sua estréia.”

O DM Movies, deu nota 4 para o longa, destacando a performance da protagonista. “Ke-xi é espetacular. Ela tem o poder de transmitir as emoções mais variadas com suas expressões faciais. Ela vai fazer você rir e chorar. E ela pode navegar confortavelmente pelas várias camadas de narrativas do filme, confundindo os espectadores com suas emoções reais.”

O South Chine Morning Post, que também deu 4 estrelas para o filme, acredita que o MeToo não seja o bastante para definir o longa. “Com roteiro da atriz Wu Ke-xi (The Road to Mandalay) – que falou de se inspirar tanto em sua própria experiência como atriz em dificuldades e pelo escândalo de abuso sexual causado por Harvey Weinstein do outro lado do Atlântico – Nina Wu é tenso, atual e aterrorizante. Seria redutor descrevê-lo apenas como filme #MeToo, no entanto. É um thriller psicológico, elegante, saturado de cor e altamente estilizado…” O trabalho de câmera lenta de Florian Zinke e a trilha sonora de Lim Giong ajudam a construir o suspense que faz de Nina Wu uma experiência emocionante.”

O último filme do dia na seção Um Certo Olhar foi o marroquino Adam, de Maryam Touzani. A photocall do longa foi marcado pela presença de Lubna Azabal, Maryam Touzani, Nisrin Erradi e Nabil Ayouch.

No filme, Abla é uma mulher viúva e mãe de uma menina de dez anos de idade. Batalhando para sobreviver e conseguir um bom futuro para sua filha, ela começa um negócio vendendo pães e doces marroquinos. Quando uma jovem grávida aparece em sua porta buscando refúgio, ela se vê obrigada a repensar seu estilo pragmático de maternidade e tem sua vida mudada completamente.

O The Hollywood Reporter elogiou o filme que em seu ponto de vista “é uma brilhante adição à seção Un Certain Regard de Cannes. Com grande delicadeza, ela mostra como a sociedade marroquina censura uma mulher que dá à luz fora do casamento – não um tema muito original, mas aqui é feito de forma comovente pelas performances soberbas de Lubna Azabal e Nisrin Erradi nos papéis principais.”

O Cine Europa destacou a diversidade de tópicos abordados pelo longa, mas que nunca o tornam penoso. “Adam joga em muitos níveis: como uma história de camarada, como uma crítica feminista de uma sociedade patriarcal e como a história da maternidade. Mas o que é notável é como Touzani nunca deixa os temas sociais parecerem pesados, mantendo um tom leve e afetuoso por toda parte.”

O Festival de Cannes irá até o dia 25 de maio. Confira aqui a programação completa.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.