Festival de Cannes | Dia 6: ‘The Portrait of a Lady on Fire’ fascina, Malick retorna e Alain Delon é homenageado em meio a protestos

No último sábado (19), ocorreu o sexto dia do Festival de Cannes. Pela manhã aconteceram as conferências de imprensa com os longas exibidos no dia anterior: The Wild Goose Lake, de Diao Yinan, e The Whistlers, de Corneliu Porumboiu.

A coletiva de imprensa do chinês The Wild Goose Lake contou com a presença do diretor Diao Yinan, elenco, e produtores do filme. Durante a entrevista, jornalistas perguntaram acerca da composição dos personagens, do uso do dialeto falado no filme, além da relação do filme com o país de origem do diretor. Quando perguntado sobre o estilo de filme noir, Yinan respondeu:

“Esses thrillers não são apenas um exercício de estilo, eles também estão cheios de tensão dramática, e quando você combina estilo com tensão dramática, você pode facilmente fazer um filme que seja bonito e seja uma expressão do autor”. “As questões sociais que estão enfrentando a sociedade chinesa no momento fazem um solo fértil do qual cresce esse tipo de filme noir”, completou.

Um dos jornalistas afirmou que seu novo filme se afastava um pouco da China atual, perguntando também se seus personagens, de fato, viviam em um vácuo. “Nos meus filmes e neste filme em particular, eu tento retratar o oposto de uma utopia – um espaço que existe em nossos corações internos como um espaço de mistério e perigo, mas também nos restaurantes, bares e espaços nas grandes cidades. Talvez seja por isso que você tem a sensação de um afastamento entre este filme a vida na China atualmente. Mas olhe para as ambições do personagem, olhe para seus sentimentos interiores, olhe para suas tentações, olhe a intensidade, e a esperança que esse personagem nutre. Isso é algo que as pessoas podem apreciar”, finalizou o diretor.

“The Wild Goose Lake”

Na coletiva de imprensa de The Whistlers, estiveram presentes o diretor Corneliu Porumboiu, os atores Catrinel Marlon e Vlad Ivanov, o maestro Francisco Correa, além da produtora Patricia Poienaru. Durante a coletiva, perguntaram ao diretor – que explora uma língua através do assobio, e utiliza isso para desenvolver seu enredo no filme – como ele conheceu essa estranha forma de comunicação:

“A primeira vez que vi algo sobre isso foi em uma reportagem de TV há 10 anos, e eu estava terminando um filme que iria apresentar aqui em Un Certain Regard. Eu estava de folga na França e vi esta reportagem na tv, e eu comecei a me interessar por essa língua, eu estava fascinado. Então eu comecei a pesquisar, ler sobre. No começo tentei escrever um roteiro mas não era bom, então o joguei fora. Trabalhei em outros filmes, e depois do meu último, a ficção The Treasure (2015), voltei a este tema”, respondeu o diretor.

Ao elenco, foi perguntado sobre a dificuldade de aprender esse novo idioma. “Foi difícil e foi fácil, porque depois que soubemos que conseguimos o papel, Corneliu nos disse que deveríamos aprender essa linguagem secreta. Aprendemos a base, quando você aprende a base, na verdade, aprende o que fazer com a língua, como fazer com sua boca e como encontrar o som. Então, nós treinamos por um ano, duas vezes na semana pelo Skype. E então foi fácil”, respondeu a atriz Catrinel Marlon.


Seleção Oficial

Na competição oficial do festival foram exibidos os longas Portrait de la jeune-fille en feu (Portrait of a Lady on Fire), da francesa Celine Sciamma e A Hidden Life do norte-americano Terrence Malick.

O novo longa da diretora de Tomboy (2011) e Girlhood (2014) se passa na França, no século XVIII. Marianne (Noémie Merlant) é uma jovem pintora que recebe a tarefa de pintar um retrato de Héloïse (Adèle Haenel) para seu casamento sem que ela saiba. Passando seus dias observando Héloïse e as noites pintando, Marianne se vê cada vez mais próxima de sua modelo conforme os últimos dias de liberdade dela antes do iminente casamento se veem prestes a acabar. Na premiere do filme estiveram presentes Benedicte Couvreur, Valeria Golino, Noemie Merlant, Celine Sciamma e sua namorada, aprotagonista Adele Haenel.

O filme recebeu fortes aplausos no final da sessão e desponta como um dos claros favoritos para a Palma de Ouro. Os elogios ao filme permeiam toda a produção, desde direção, performances, fotografia, trilha sonora e enredo.

O site The Guardian, que deu 5 estrelas para o filme, afirma que “com essa nova história, ela demonstra um novo domínio profundamente satisfatório do estilo clássico para acompanhar o realismo social contemporâneo que ela mostrou em Girlhood (2014) e Tomboy (2011).” Além de comparar o longa aos clássicos de Hitchcock: “Rebecca (1940), com uma jovem chegando a uma casa misteriosa, assombrada pelo passado, e também Um Corpo que Cai (1958) de Hitchcock, com seu importantíssimo olhar masculino. Sciamma transforma esse olhar em um olhar feminino, um olhar de conhecimento, de apropriação artística, de arrebatamento erótico.”

O The Wrap, que exalta o filme de Sciamma como sendo “um conto feminista arrebatador de um mundo pré-feminista”, aborda uma importante ressalva com relação a Portrait of a Lady on Fire: “Portrait of a Lady on Fire é um filme em conversa consigo mesmo e com o mundo maior – um filme feito por uma diretora feminina e um elenco 99% feminino, sobre a necessidade de criar uma arte autenticamente representativa que lidera o caminho fazendo exatamente isso. Filmes como Carol (2015), Azul é a cor mais quente (2013) e The Handmaiden (2016) foram o assunto no festival em edições recentes de Cannes, mas todos vieram de diretores do sexo masculino e tiveram elencos predominantemente héteros. Portrait of a Lady on Fire muda isso ao mesmo tempo em que oferece um toque meta-textual: a diretora, Sciamma e protagonista Haenel, não são apenas artistas queer, como também são um casal.”

O diretor e ator canadense Xavier Dolan, que também concorre a Palma de Ouro com Matthias & Maxime, postou em seu instagram uma mensagem declarando o quanto Portrait of a Lady on Fire o tocou. “Mesmo quando procuro, não consigo me lembrar da última vez em que me sentei em um teatro e ouvi uma escrita tão delicada, tão incisiva e profunda. The Portrait of a Lady on Fire da Céline Sciamma é magnífico! O desempenho de Adele Haenel é arrebatador e, embora a frieza assídua do filme seja inegavelmente bem-sucedida, o amor declarado a ela através desta história é a força oculta que fez o filme de Sciamma assombrar-me em meu sono… Eu amei o filme em todas as suas qualidades aparentes e imediatas, mas o que me moveu para o meu núcleo é o segredo, o mistério que pulsa em todos os seus silêncios e olhares.”

“Portrait of a Lady on Fire”

Terrence Malick, cineasta querido pelos críticos e público, retorna com um longa anunciado desde 2015. A Hidden Life conta a história do Franz Jägerstätter, austríaco que se opunha aos nazistas e se recusou a lutar na II Guerra, executado em 1943. Declarado mártir pelo Papa Bento XVI em 2007.

Na premiere do longa estiveram presentes seus protagonistas Valerie Pachner e August Diehl, além do diretor. O filme que foi considerado o melhor desde o seu A Árvore da Vida, ainda sim, dividiu opiniões na Croisette.

Para o The Hollywood Reporter, o longa não apresenta muitas inovações do diretor. “Malick nunca se opôs a reduzir os diálogos quando estão disponíveis imagens mais lindas, mas aqui ele voluntariamente vira as costas para explorar o tumulto interno e os processos de pensamento de seu personagem central, deixando um prato vazio onde um significativo prato moral, religioso e intelectual estava disponível para ser debatido.”. “Nos primeiros instantes do filme, não pode haver dúvidas de quem é a assinatura. Mas, mesmo com materiais potencialmente mais profundos, Malick ainda está fazendo os mesmos movimentos, enquanto nenhum deles varia ou amplifica o que pode estar por baixo. Seu processo consiste em embelezar, achatar e simplificar.”

Já para a Variety, o diretor está de fato, de volta. “A Hidden Life traz Malick de volta ao reino da narrativa linear mais tradicional, enquanto amplia seu impulso de dar tanto peso à vida selvagem e ao clima quanto às preocupações humanas.”. “Mais adequado para os adeptos do diretor do que os não iniciados, A Hidden Life pode ser visto como uma continuação de temas levantados em Além da Linha Vermelha (1998), que também ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, embora do outro lado do mundo”. “Neste filme, Malick faz uma distinção crítica entre fé e religião, chamando a falha do último – uma instituição humana que é tão falível e corruptível quanto qualquer indivíduo.”

O The Telegraph deu 5 estrelas para o filme. De acordo a Tim Robey, este não é apenas “o primeiro filme de Terrence Malick a competir em Cannes desde 2011, na Palma de Ouro” mas “é também o seu melhor filme desde então por um longo giz – um sombrio épico de guerra espiritual que surge para reivindicar seu lugar entre as realizaçoes mais sentidas e robustas do diretor. Os filmes intervenientes podem ter incutido dúvidas em todos os devotos mais incansáveis ​​de Malick, mas isso parece voltar para uma catedral que dá as boas-vindas a todos: ou qualquer um, pelo menos, ainda capaz de acreditar na arte desse diretor.” O crítico também destaca a forte personagem feminina do filme, “Fani, enquanto isso, é de longe o papel feminino mais forte que Malick conquistou desde os anos 70. A expressiva Valerie Pachner dá-lhe uma pugnacidade amorosa que se encaixa maravilhosamente com o trabalho de Diehl, e a sua última cena juntos é destruidora.”

“A Hidden Life”

Sessões Especiais

Na mostra paralela do festival foram exibidos o filme Share, da diretora Pippa Bianco e Diego Maradona, de Asif Kapadia.

O longa Share, de Pippa Bianco, é baseado em um curta anterior, de 2015, da própria diretora, com a mesma temática. Depois de descobrir um vídeo perturbador feito durante uma noite da qual ela não se lembra, Mandy (Rhianne Barreto), de apenas 16 anos, tenta descobrir o que aconteceu e a razão de seu esquecimento. Percebendo que os acontecimentos são mais sórdidos do que ela sequer imaginava, Mandy começa a se perguntar se realmente prefere a verdade.

O filme já havia sido exibido no Festival de Cinema de Sundance, devido a isso, os maiores veículos que cobrem Cannes já possuíam críticas sobre a obra em seus sites.

O The Hollywood Reporter, define o filme de Bianco como sendo bastante realístico, além de utilizar de uma excelente união entre o drama e o suspense para isto. “Bianco e sua diretora de fotografia Ava Berkofsky (Insecure da HBO) intencionalmente apimentam o filme com imagens que são difíceis de entender no início, refletindo o estado da memória de Mandy sobre seu trauma. Momentos e imagens de confusão e tempo suspenso são intrinsecamente tecidos ao longo do filme: uma esponja movendo-se lentamente pela água da torneira, flashes intermitentes de uma lâmpada de rua em um carro à noite, close-ups extremos sob luz azul e cinza. Nós pretendemos permanecer na bagunça da experiência de Mandy enquanto ela descobre mais sobre aquela noite e tenta se curar.”

Além disso, também destaca a performance dos pais, que nunca cai no dramalhão “que as performances compassivas e informadas que ambos os atores interpretam os pais de Mandy, nunca pareçam brega ou imerecível, são impressionantes em um filme que poderia facilmente passar para um território especial pós-escola. O diálogo é fácil, e o conjunto perfeito garante que raramente há um momento em que você é retirado da história. Por outro lado, a trilha sonora parece estar fora de sincronia com o tom geral do filme, tentando aumentar os momentos de suspense.”

O The Playlist, que deu A para o longa de estréia de Bianco, destaca a primorosa atenção da diretora com o som. “Bianco fabrica seu roteiro como uma série de cenas curtas, muitas vezes impressionistas, saltando de pára-quedas em conversas tarde e escapando cedo. É repleto de cenas que parecem escutas, tanto na facilidade do diálogo quanto na bagunça do design de som extremamente nítido; ela tem um ótimo ouvido para o barulho desses ambientes, o que de alguma forma não subverte o silêncio e a quietude no centro da imagem.”

E apesar de também destacar as performances dos atores coadjuvantes, o crítico Jason Bailey afirma que “este é o show de Barreto. É uma performance maravilhosamente discreta, como um personagem mais marcante em sua normalidade – ela é muito mediana, uma típica garota de 16 anos que gosta de jogar bola e sair com seus amigos e festejar um pouco (e aqui Bianco mergulha perspicazmente na idade enigma da “vítima perfeita”. Mandy basicamente só quer que todo esse negócio feio vá embora. Não é, claro, tão fácil.”

“Share”

O outro longa exibido na seção foi o documentário Diego Maradona, do cineasta britânico Asif Kapadia, já conhecido por seus trabalhos Sena (2010) e Amy (2015). Na premiere do filme estiveram presentes aqueles que compõem a equipe do longa: Chris King, Asif Kapadia, James Gay-Rees, Olivio Ordonez, Fabian Ordonez e Florian Ordonez.

Em julho de 1984, Diego Maradona chegou na Itália para jogar para o Napoli. Um dos jogadores de futebol mais celebrados da história, o craque argentino levou o time a ganhar seu primeiro grande campeonato e passou sete anos quebrando recordes. Porém, fora dos campos, ele era quase um prisioneiro da cidade de Nápoles. A partir de mais de 500 horas de imagens inéditas do arquivo pessoal de Maradona, o diretor Kapadia constrói um retrato do homem que para além de jogador, deixou sua marca na história.

Essa foi a primeira vez que o documentarista teve como foco uma pessoa viva. E de acorco ao El País “pode ser que Maradona, o filme, não atraia mais público do que o jogador, apesar de seguir com acerto a linha de Amy: nada de bustos falantes diante da câmera. A contrário, tudo imagens pessoais e vozes em off. Kapadia conta em Cannes – onde, apesar de ter confirmado presença, Maradona não apareceu– que foi muito complicado entrevistá-lo. E o que confessa o seu personagem de estudo é revelador, sincero e, para ele, libertador.”

Para o CineEuropa, o recorte do período de vida que Kapadia decide retratar, deixa a desejar, já que o diretor tinha condições de conseguir mais: “ao contrário de Amy e Senna, aqui Kapadia está lidando com um sujeito vivo e assim pode – e faz – entrevistar o próprio Maradona sobre sua vida. É, portanto, surpreendente que nós não tenhamos ouvido muito do argentino sobre suas escapadas, o que sugere que ele não era um grande entrevistado. Kapadia tem que confiar em seus amigos e ex-namoradas para contar a história, mas o fato de ele escolher limitar esse conto aos bem documentados anos em que Maradona exerceu seu ofício no Napoli é decepcionante.”

“Diego Maradona”

Um Certo Olhar

Na segunda vitrine mais importante de Cannes, foi exibido o novo longa do francês Christophe Honoré, que concorreu pela Palma de Ouro em 2018 com o drama LGBT Conquistar, Amar e Viver Intensamente. Em 2019 retorna com On a Magical Night (Chambre 212), uma co-produção entre França, Bélgica e Luxemburgo. O filme conta a história de Richard (Vincent Lacoste) e Catherine (Chiara Mastroianni), um casal apaixonado que se casou aos 20 anos de idade. Anos mais tarde, Catherine arruma um amante e Richard entra em desespero. Ela foge para um hotel em frente a sua casa, no quarto 212, e passa a observar de lá o que não conseguia enxergar em seu casamento.

Nicholas Bell do Ion Cinema, deu 3 estrelas de 5. “A flexibilidade (ou falta dela) da fidelidade nas relações heteronormativas está no centro da Chambre 212, o mais recente de Christophe Honoré. Enquanto o título em inglês On a Magical Night acaba sendo uma aproximação bastante trivial da atitude lúdica do filme em universatilidades extenuantes em relação à monogamia, há uma leviandade palpável que proporciona um cenário estagnado, mesmo quando Honoré reverte as perspectivas de gênero que nos acostumamos. Brincalhão e alegre, há uma efervescência maravilhosa, cortesia de uma liderança de destaque de Chiara Mastroianni, uma musa regular do diretor, fazendo seu primeiro reaparecimento desde o Bem Amadas (2011)

Para o Cine Europa, o filme é uma perfeita combinação do que Honoré faz de melhor, além de destacar também a performance da protagonista, Mastroianni. “Por meio de um roteiro finamente esculpido que coreografa perfeitamente todas essas tocadas e frisos, Christophe Honoré reúne esses muitos tópicos, combinados com uma saudável dose de humor, para explorar o envelhecimento de sentimentos amorosos (que, como o vinho, podem ou perder seu sabor ou melhorar com o tempo), a nostalgia que sentimos por nossos dias de juventude, tanto física quanto psicologicamente, e a realidade de encarar nossas ações. Levado a cabo por uma excelente Chiara Mastroianni, o filme revela-se uma brilhante lição de estilo, que é a sua força, mas também acaba por dominar um pouco o conteúdo, embora nunca em detrimento geral do todo.”

“On a Magical Night”

Palma de Ouro Honorária 

Na tarde do dia 19 de maio, o ator francês Alain Delon foi homenageado com a Palma de Ouro Honorária no Festival. 

Delon, atualmente com 83 anos, teve seu primeiro grande sucesso em 1959 com o O Sol por Testemunha, de René Clément. A partir daí, tornou-se um dos atores mais proeminentes da Europa e símbolo sexual nas décadas de 60 e 70. Na sua filmografia é possível encontrar diversos clássicos como O Leopardo (1963), O Samurai (1967), A Piscina (1969), e Cidadão Klein (1976). 

Apesar de ser uma figura notável no cinema, o prêmio de Delon não foi bem visto por algumas mulheres que acusam o ator de violência doméstica, além de ser “racista, homofóbico e misógino”, de acordo com os termos da associação americana Women and Hollywood, baseando-se em declarações que ele fez no passado. Uma petição com mais de 25 mil assinaturas pediu aos organizadores do concurso que “não o homenageassem”. “Não deve haver homenagem aos agressores”, reagiu o coletivo francês Osez le Féminisme. “#MeToo não nos ensinou nada? Exigimos que o Festival de Cinema de Cannes se recuse a homenagear um agressor misógino”. 

O próprio filho do ator, Alain-Fabien Delon, definiu em sua autobiografia, ‘De la Race des Seigneurs‘, o pai como um homem “machista, xenófobo, violento, colecionador de armas, fetichista e um sem sentimentos que nunca hesitou em humilhar as mulheres com quem partilhou a vida (ou apenas a cama).”, diz o site Flash.

A atriz holandesa Sand Van Roy exibiu uma tatuagem temporária no tapete vermelho do festival dizendo “Pare com a Violência Contra Mulheres“, protestando contra o cineasta. De acordo à página Feito Por Elas, em 2013, o filho do ator relatou em entrevista que seu pai quebrou o nariz de sua mãe duas vezes, além de oito costelas. E em uma entrevista feita em 2018 Delon afirmou que “se um tapa é [ser] macho, sim, eu tive que ser macho”.

Alain Delon em Cannes – G1 (reprodução)

O ator se defendeu, e através do jornal francês JDD, acusou-as de “inventarem declarações”. “Eu não sou contra o casamento gay, eu não me importo: as pessoas fazem o que querem. Mas eu sou contra a adoção por duas pessoas do mesmo sexo (…) Eu disse que tinha batido em uma mulher? Sim. E eu teria que acrescentar que recebi mais golpes do que dei. Nunca assediei uma mulher em minha vida”. “Querem me colocar o rótulo de extrema direita porque eu expliquei que era amigo de (Jean-Marie) LePen, líder da extrema-direita francesa, desde o Exército. Não, eu sou de direita, ponto final”, continuou. 

O diretor geral do Festival de Cannes, também saiu em defesa do prêmio ao ator: “Alain Delon tem o direito de pensar o que pensa”, afirmou, estimando que “é difícil julgar com a perspectiva de hoje coisas feitas ou ditas” no passado. “Nós não estamos lhe dando o Prêmio Nobel da Paz”, disse Thierry Frémaux. 

Apesar do feito, no aniversário de 50 anos do Festival, ao não ser convidado para a cerimônia, Delon declarou que jamais voltaria a pôr seus pés na Croisette. Entretanto, no 60ª aniversário, ao ter sido chamado para fazer parte, não só foi, como também declarou: “Somente os imbecis não mudam de opinião!”. (via Correio do Povo).

Confira aqui a programação completa do Festival de Cannes.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.