Festival de Cannes | Dor e Glória: filme de Pedro Almodovar é considerado um de seus melhores em anos

Na última sexta-feira (17) ocorreu a premiere do novo filme de Pedro Almodóvar, Dor e Gloria, no Festival de Cannes 2019.

O filme que está na Seleção Oficial e concorre pela Palma de Ouro, conta a história de Salvador Mallo (Antonio Banderas) um melancólico cineasta em declínio que se vê obrigado a pensar sobre as escolhas que fez na vida quando seu passado retorna. Entre lembranças e reencontros, ele reflete sobre sua infância na década de 1960, seu processo de imigração para a Espanha, seu primeiro amor maduro e sua relação com a escrita e com o cinema.

Considerado pelo próprio diretor como um de seus filmes mais pessoais, Dor e Gloria arrancou aplausos após a sessão, além de muitos elogios:

O The Guardian deu 4/5 para o filme, apresentando os pontos chaves do diretor: “Como sempre, Almodóvar fez um filme sobre o prazer, que é em si um prazer: espirituoso, inteligente e sensual. É sobre amor, memória, arte, mães, amantes e acima de tudo é sobre si mesmo, que nas mãos de um diretor menor seria desanimadoramente indulgente. Mas Almodóvar é um mestre da auto-referência e intertextualidade: o filme dentro de um filme, a história dentro de uma história, o sonho dentro de um sonho. Almodóvar opera em uma espécie de motor de combustão interna de criatividade e eu senti que este filme estava sendo executado tão suavemente e tão sedutoramente que poderia ter continuado por mais cinco horas.”

Entretanto, o jornalista Peter Bradshaw alega que faltou algo: “Há algo incompleto ou inacabado neste trabalho, mas talvez isso simplesmente represente a condição da própria vida. Dor e Gloria deixa você com uma tristeza doce, mas um forte apetite para o próximo filme.”

A Variety destaca que apesar das obras do diretor serem intensamente pessoais, nunca houve uma obra que de fato, abordasse sobre a sua pessoa: “Agora, depois de todos esses anos, Almodóvar ousadamente puxa a cortina para revelar suas próprias inseguranças, incorporadas ao personagem do diretor Salvador Mallo (Banderas), bloqueado  criativamente. O resultado é um trabalho maduro de meta ficção meticulosamente sintonizado, irrompendo com tantos toques característicos do diretor – cores arrojadas, abraços apaixonados e referências copiosas a suas inspirações cinematográficas (de Liz Taylor a Fellini), tudo embrulhado ao som de Alberto Iglesias.”

O IndieWire deu 4,5 para o longa, elogiando o trabalho de Antonio Banderas: “Impulsionada pela virada adorável e cheia de nuances de Banderas e pela exposição de queima lenta, é impossível não sentir o tumulto emocional de ambos os lados da câmera. Desta vez, Almodóvar encontrou o meio ideal feliz, com um estudo de caráter lindo e atmosférico que não exagera as emoções que acumula com o tempo. Ajudado pela magnífica trilha de Alberto Iglesias e as visões coloridas do cineasta José Luis Alcaine sobre a vida na cidade, Dor e Gloria enraiza sua história em pequena escala em uma atmosfera exuberante que sugere um cineasta ansioso em convidar seu público. (Nota-se que o apartamento espaçoso de Salvador é de fato a casa de Almodóvar.)”

O The Hollywood Reporter apesar de tecer elogios ao filme, sentiu falta da ousadia do diretor: “Em Dor e Gloria, a visão de mundo de Almodovar se encaixa inteiramente com sua visão de trabalho. Pouco espaço é deixado para o revelador, o fresco ou o ousado – adjetivos que praticamente definem os filmes que fizeram sua reputação. O filme pode ser primorosamente trabalhado, mas também é perigosamente confortável, por isso, por estranho que pareça, o que é considerado o esforço mais pessoal do diretor até hoje é um exercício estranhamente destacado e impessoal em brilhante estilo.”.

Além disso, ele ressalta também as performances dos atores: “Performances são excelentes, com a enérgica e demonstrativa Cruz e o potentemente carismático Etxeandia (tanto ele quanto Sbaraglia estão estreando com Almodovar, e claramente se divertindo) se destacam. A energia e o entusiasmo de Alberto pela vida e a tristeza interior de Federico contrastam com o tédio de Salvador, que Banderas, num desempenho atipicamente abotoado, nervoso e um pouco educado, luta com nuances.”

O Adoro Cinema também deu 4,5, comparando o longa com o que seria ler as folhas de um diário. “Por isso, o drama se revela minimalista na construção imagética. As cenas continuam multicoloridas, repletas de texturas e estampas, mas há pouco som externo, pouco caos, pouca dinâmica de grupo. As cenas desenvolvem-se em conversas truncadas, cotidianas, entre duplas de amigos ou ex-amantes dentro de um apartamento ou na clínica médica.”

A premiere do filme contou com a presença de Pedro Almodóvar, Agustin Almodovar, Nora Navas, Asier Etxeandia, Penelope Cruz, Antonio Banderas além de artistas que já trabalharam com o diretor como Marisa Paredes, Rossy de Palma e a diretora Jane Campion.

Apesar dessa ser a sexta vez que o cineasta espanhol compete pela Palma de Ouro, Almodóvar nunca venceu. Os vencedores serão anunciados no dia 25 de maio.

O Festival de Cannes acontece entre os dias 14 e 25 de maio.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.