Rocketman | Primeiras impressões são positivas em Cannes

A cinebiografia do cantor e compositor Elton John era um dos filmes mais aguardados do Festival de Cannes 2019. Exibido na mostra Sessões Especiais, a premiere de Rocketman teve a presença do diretor Dexter Fletcher, Bryce Dallas Howard, Richard MaddenTaron Egerton Sir Elton John.

Além de apresentar um dos maiores astros da música no centro de sua narrativa, Rocketman já fez história ao ser o primeiro filme de um grande estúdio com cenas de sexo entre um casal gay.

Após a exibição do filme, as primeiras impressões começaram a pipocar na Croisette:

O crítico Peter Bradshaw do The Guardian deu 3 estrelas de 5. De acordo com ele, “Rocketman também tem, de certa forma, o fardo de seguir ou viver de acordo com as músicas sensacionais de Elton John, as obras-primas em que cada um parece um mini-filme em si – ou pelo menos o acompanhamento eufórico da montagem final mais comovente que você poderá ver.”

Entretanto, a performance do ator Taron Egerton não o conquistou tanto: “Egerton olha para o papel e carrega os trajes, os óculos, os trajes de beisebol e agasalhos bem feitos, mas senti que ele nunca entregou a ferida de John quando aqueles que ele amava o decepcionaram; ele não conseguia fazer a humilhação e a mágoa que tremiam o lábio inferior que alimentavam a raiva e o medo. Eu me peguei imaginando como (Jamie) Bell teria sido no papel.”

Já Robbie Collin do The Telegraph não mediu esforços ao dar 5 estrelas para o longa. O site aponta que, devido a temática, muitos jornalistas irão compará-lo a mais recente cinebiografia da banda Queen, Bohemian Rhapsody, entretanto alega que não há comparação:

“O fabuloso musical de Elton John, de Dexter Fletcher, é um triunfo corajoso, palpitante, cheio de brilho e canhões em seus próprios termos – mas por causa de seu assunto e sua abordagem agradável, os primeiros reviews quase certamente o compararão. Bem, permita-me assegurar-lhe que não há comparação. Colocar os dois lado a lado seria como fazer um teste de sabor entre um bife de porco sufocado em ketchup de tomate e um sapato velho e fumegante que alguém tirou de uma fogueira. Depois do trabalho discreto de resgate, Fletcher voltou com o negócio real e eletrizante.”

Ainda de acordo a Collin, todos os pontos do filme são positivos, o roteiro, a direção, a direção de arte, e principalmente o seu protagonista: “Egerton não apenas tem o visual e os maneirismos de Elton em um nível incomum, como também demonstra o suficiente de sua assinatura para apresentar uma performance que está em paz com seu absurdo.”

Taron Egerton e Richard Madden em “Rocketman” – Paramount Pictures

Geoffrey Macnab do Independent, deu 3 de 5 ao longa, destacando como Fletcher manteve a sensibilidade e o dinamismo ao apresentar os momentos mais difíceis da vida do cantor. “Às vezes, Rocketman corre o risco de se transformar em uma crônica de desgraça. Grande parte do filme se concentra nos anos em que Elton estava abusando de álcool e drogas. Ele foi infeliz em sua própria vida e lançou sua infelicidade sobre as pessoas mais próximas a ele. Isso não faz dele uma companhia muito boa. Seu comportamento é brabo e auto-indulgente. Pode se tornar cansativo ouvi-lo dizer mais uma vez o quanto ele se odeia. No entanto, Fletcher filma até mesmo as cenas mais sombrias de uma forma muito extravagante e consegue lesar assuntos com algum humor irônico.”

Steve Pond do The Wrap começa sua crítica pedindo para deixarem as comparações ao Bohemian Rhapsody de lado, apesar de ainda sim compará-los:

Bohemian Rhapsody, que Fletcher entrou para terminar depois que o diretor original Bryan Singer foi demitido, agiu como uma cinebiografia padrão com cenas de shows e gravações. Rocketman tem uma abordagem mais ousada: é um musical completo, usando dezenas de músicas de Elton John para contar sua história de vida de uma forma que mistura livremente realidade e fantasia.”

O crítico destaca ainda o ponto positivo de Rocketman, apesar de não ser totalmente fiel a realidade, deixar isso claro ao telespectador:

“Como alguém que odiava Bohemian Rhapsody por suas terríveis declarações falsas a serviço de dar à vida de Freddie Mercury um arco de filme mais convencional, posso respeitar um filme biográfico que anuncia desde o início que não deve ser levado a sério como uma explicação do que realmente aconteceu. Então, enquanto eu lutei com uma narrativa que usa músicas anos antes de serem escritas, eu conheço as regras desse jogo em particular – e se o que vemos na tela tem uma poesia meio louca, e capta um pouco de como as coisas podem terem sido para Elton, quando isso é tudo que importa.”

No geral, “é tudo grandioso e divertido e brega, uma fantasia musical que alcança o céu e chega lá com frequência suficiente para torná-lo divertido, mas também frustrante. Nos últimos anos, vários musicais indie, desde Once e Sing Street, de John Carney, até Blinded by the Light e Rocketman, são maiores e mais arrojados que isso – tão grandes e ousados, talvez, que pode ser mais difícil tocar o coração.”

O Festival de Cannes irá do dia 14 a 25 de maio.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.