Crítica | ‘Nosso Último Verão’ é mais uma comédia romântica adolescente preguiçosa

A Netflix é uma empresa que conhece seu público. Ao encontrar uma pequena mina de ouro com seus filmes adolescentes de comédia romântica, o serviço de streaming resolveu apostar ainda mais nesses títulos, com o intuito de manter o público fiel a esse gênero sempre ativo e com algo novo a ser consumido. Tanto é que, analisando o catálogo, em menos de um mês tivemos O Date Perfeito, cartada certeira da empresa ao trazer Noah Centineo – novo queridinho da plataforma – ao protagonismo, e agora, Nosso Último Verão, que também traz atores bastante conhecidos pelo mesmo público.

Nesse caso, temos um produto um pouco diferenciado em mãos. Nosso Último Verão não procura seguir à risca a fórmula de sucesso que o gênero possui. E, ao fazer isso, ele traz diversas histórias de jovens que se encontram no período pós-escola de decisão sobre o que irão fazer dali para frente. Em outras palavras, fazendo referência ao título do filme, o último verão antes do início da faculdade, ou do início da vida adulta. 

É difícil contabilizar quantos personagens e histórias o filme apresenta, pois, cada personagem, mesmo estando em um núcleo compartilhado, possui sua história individual. E, para ampliar ainda mais o roteiro, há algumas pequenas histórias inseridas ao longo do filme que, no fim, não possuem relevância nenhuma e só servem para bagunçar e tirar atenção do que realmente importa. 

K.J. Apa e Maia Mitchell são os que mais recebem atenção. O núcleo dos dois é o mais bem desenvolvido, e que é melhor finalizado. Porém, o roteiro é fraco e bobo ao extremo, fazendo com que os personagens tenham pouca profundidade e o personagem de Apa pareça uma versão menos impulsiva de seu personagem em Riverdale. 

Os outros inúmeros núcleos são uma enorme montanha de clichês mal construídos. Não há interesse dos roteiristas em criar algo novo em cima de um formato pouco convencional para o gênero. Parece que toda a criatividade e vontade de inovar foi usada na inserção desse formato, e o roteiro foi deixado para ser escrito algumas semanas antes de darem início as filmagens. 

A tentativa dos roteiristas é clara. Eles tinham o intuito de entregar algo mais pé no chão e próximo da realidade adolescente. E até mesmo conseguem, mas a criação de personagens extremamente rasos anula qualquer chance de identificação do público. Há personagens que não acrescentam em nada ao filme, e a história criada para eles é a mais estereotipada e fútil possível.  

Ao menos 3 personagens são a mais pura personificação do maior clichê masculino de filmes do gênero: homens que só pensam em transar ou fingir serem quem não são para conseguir sexo e status. O estereótipo vai ao encontro de personagens femininas que, em alguns casos, também sofrem do mesmo problema e da falta de criatividade dos roteiristas de filmes do gênero.  

A fotografia tenta se encaixar com a estação retratada no filme dando uma coloração mais clara a imagem, como se o sol estivesse batendo nela a todo momento. Uma ideia óbvia, mas que com um bom diretor de fotografia, poderia ter saído algo bonito e diferente. Infelizmente, isso não acontece, e a tentativa de sempre relembrar que o filme se passa no verão acaba sendo mais incômoda do que certeira.  

É uma pena que a Netflix venha perdendo cada vez mais a mão nas comédias românticas adolescentes. É raro vermos algum bom exemplar chegando na plataforma, e com Nosso Último Verão a decepção vai continuar batendo a porta. Não adianta trazer rostos conhecidos do universo teen atual se o que é entregue não chega a valer a pena o tempo gasto. É um desperdício de bons rostos que poderiam entregar muito mais se não fosse a falta de vontade dos roteiristas atuais. Porém, o que resta é continuar na esperança dos próximos exemplares do gênero aprenderem com os erros dos anteriores.

NOSSO ÚLTIMO VERÃO | THE LAST SUMMER
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RESUMO:

Nosso Último Verão tenta inovar com seu formato, mas o roteiro bobo e fútil não convence. O elenco é carismático, mas que no fim, chega a ser um desperdício a combinação de tantos rostos teens conhecidos em um filme extremamente esquecível.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.