Crítica | ‘American Gods’: 2ª temporada prepara terreno para a grande guerra entre os deuses

Na primeira temporada, American Gods apresentava a intrigante e instigante mitologia criada por Neil Gaiman, onde deuses mitológicos vivem entre os humanos, estabelecendo uma rivalidade entre os deuses antigos e os novos deuses, que na verdade, são personificações de elementos da vida humana atual. Se na primeira etapa, o clima era de uma espécie de guerra fria, após Mr. Wednesday (Ian Mc Shane) atingir com um raio seus rivais, Mr. World (Crispin Glover) e Mídia (Gillian Anderson), a guerra aberta é declarada e agora cabem aos deuses, novos e antigos, decidir em qual lado vão lutar.

No meio disso tudo, estão os humanos Shadow Moon (Ricky Whittle), Laura Moon (Emily Browning) e Salim (Omid Abtahi), cada um com suas própria motivações. Salim, motivado por amor, arrisca sua vida para se manter ao lado de sua grande paixão. Laura Moon segue Shadow (que emana um grande feixe de luz que só ela enxerga, mesmo que esteja longe) sem saber se age por amor ou por alguma outra motivação. Já Shadow, após perder tudo que era importante em sua vida, segue Mr. Wednesday a fim de explorar cada vez mais esse cenário impressionante e descobrir qual é o seu papel em tudo isso.

Em relação à guerra, ambos os lados começam a se preparar para o grande conflito e a trama é interessantíssima de se acompanhar. Disputas em prol de aliados, armas e recursos que decidirão o rumo da batalha definem a trilha que é seguida pela maioria dos episódios. Contudo, American Gods é muito mais que isso.

Assim como a primeira temporada, os episódios sempre começam (e a montagem continua desenvolvendo-os ao longo do episódio) com contos épicos que explicam a origem dos deuses, bem como ajudam a explicar suas personalidades, poderes e principais características. Dessa forma, os episódios nunca ficam estagnados, pois, em todos eles, o expectador recebe novas informações que auxiliam a compreender essa intrincada trama.

Quanto aos aspectos técnicos, American Gods continua com a qualidade altíssima que foi estabelecida na primeira temporada. O desenho de som é magnífico e a direção de fotografia é um deleite para os olhos. Dá a impressão de estar assistindo um film art em cada episódio. O roteiro e a montagem adotam uma narrativa extremamente expressiva, que não respeita apenas um tipo de linguagem. Conforme a história pede, até o aspect ratio, proporção entre a largura e a altura da imagem ou, o formato da tela, é alterado. Uma hora assistimos no padrão convencional de programas de TV, 16:9, e no momento seguinte, a tela adota barras laterais, adquirindo uma aparência mais voltada para o widescreen do cinema, em 21:9.

A fotografia se expressa também nos aspectos relacionados à paleta de cores, geralmente com cores bastante vivas, com tons quentes, mas também mesclando com alguns tons frios, causando bastante contraste e alguns momentos com orange and teel.

Já no quesito atuação, todos os atores estão em um patamar altíssimo. É impressionante o nível das performances e apesar do que possa parecer, esse mérito não pertence apenas aos atores e sim, à direção e ao preparador de elenco, pois todos os atores estão na mesma sintonia. Até a forma de se posicionar em cena faz parte de um todo bastante homogêneo. Todos os elementos estão ali de propósito, nada é aleatório.

Além de tudo isso, a trama ainda revela alguns segredos que nos fazem nos questionar acerca de alguns fatos que nos fizeram acreditar na primeira temporada. Contudo, muitos mistérios ainda precisam ser revelados. Agora que as duas facções estão definidas, resta para a próxima temporada uma sangrenta batalha que fará os alicerces desta mitologia se sacudirem.

Em suma, a segunda temporada de American Gods mantém a qualidade de sua antecessora, mas consegue superá-la, com um roteiro bem amarrado, personagens mais que intrigantes, cenas belíssimas e uma trama de tirar o fôlego.

AMERICAN GODS - 2ª TEMPORADA
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RESUMO:

Segunda Temporada de American Gods prepara terreno para a batalha dos deuses antigos e os novos deuses, ao mesmo tempo em que levanta questões intrigantes sobre seu enredo.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...