Crítica | ‘Hellboy’: Nova versão do demônio é surreal e diverte

Atenção: o texto abaixo contem alguns spoilers de Hellboy

Fantasia e história verdadeira se misturam no filme surreal do diretor Neil Marshall, que acabou se tornando uma surpresa bastante positiva. Confesso que não esperava nada de Hellboy, mas felizmente, a releitura que traz um monstro gente boa acaba sendo divertida.

Embalado por uma excelente trilha sonora, acompanhamos a história de Hellboy (David Harbour) que, ao lado de seus amigos, a vidente Alice (Sasha Lane) e o membro da B.P.R.D., Ben Daimio (Daniel Dae Kim), tenta impedir a volta de Viviene Nimue (Milla Jovovich), uma antiga feiticeira da Idade das Trevas. E a forma como uniram ficção com fatos reais foi muito boa.

Somente pela rápida sinopse acima já dá para encontrarmos a primeira referência do filme. Quem conhece o universo da lenda do Rei Artur, imediatamente saberá quem é Nimue (ou Viviene, as duas são a mesma personagem, o nome depende da versão da história de Artur; no filme optaram por colocar os dois nomes juntos, provavelmente para não causar confusão e reforçar que a personagem é a mesma), uma feiticeira poderosa que desafiou o mago mais poderoso da Terra, Merlin, na Idade das Trevas.

Depois de um salto na história, vamos parar no século XX, na Alemanha nazista, onde o místico Grigori Rasputin está realizando um ritual macabro para trazer das profundezas a criatura que levaria Hitler à vitória da Segunda Guerra Mundial: Hellboy. Rasputin, como se sabe, foi um místico russo, nascido na segunda metade do século XIX e assassinado durante os eventos da Primeira Guerra Mundial, que teve grande influência sobre a família do czar Nicolau II. Sua vida é coberta de mistérios, e ele é comumente tratado como vilão – em Anastácia (1997), produção de animação da Disney, por exemplo, ele dá medo.

Sendo assim, duas figuras muito impopulares da História foram colocadas lado a lado para darem vida a Hellboy. Só que eles não contavam que Lobster Johnson (Thomas Haden Church), personagem dos quadrinhos que é um vigilante pulp da década de 1930, salvaria o diabinho e que o mesmo seria criado pelo professor Trevor Bruttenholm (Ian McShane), tornando-se um monstro do bem. “Sacada” muito criativa de mistura ficção/realidade. Esse é o começo da história, mas o filme todo é muito bem construído e tem efeitos especiais satisfatórios.

Durante o enredo, voltamos à lenda de Artur e seus personagens mais importantes. Merlin é comparado à Gandalf, personagem de O Senhor dos Anéis. Os dois magos são facilmente confundidos hoje em dia, já que sua aparência física muitas vezes são colocadas praticamente iguais (o que não é bem verdade), e há até mesmo referências à Game of Thrones, quando Hellboy monta um dragão em direção a um castelo (que parece Winterfell) em chamas. Gigantes e vampiros também aparecem.

Como se pode ver, Neil Marshall não teve pudores em fazer uma mistureba danada…e o resultado foi bem…feliz. Se mantermos a cabeça no fato de que o filme é surreal, com alguns clichês (como a vilã de Jovovich) e bastante cômico. Eu diria que o ingresso vale a pena.

HELLBOY
3

RESUMO:

Com uma nova abordagem para o personagem criado por Mike Mignola, Hellboy aposta no surrealismo e acaba se revelando uma boa surpresa.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.